terça-feira, 29 de setembro de 2026

O vento sopra onde quer



O tempo no Rio de Janeiro continua instável. Chove, faz sol, dias nublados, ventanias, trovões e mais chuvas. Setembro foi um mês de variantes. E não tem muito o que fazer, a não ser esperar que os alarmes de notificação parem de soar e nos assustar. 

E os ventos fortes que sacodem as folhas das árvores,  também causam prejuízos em cidades inteiras que estão em todas as regiões do Brasil e no Mundo. E sempre observamos noticias de ventanias, inundações, desabamentos e tragédias que, de certa forma, poderiam ser evitadas.

E as vezes, o vento que passa pela vida da gente pode mudar comportamentos, ideias, locais de moradia. Porque tudo está ligado ao contexto social e espiritual. E ventos fortes é o que não falta para colocar as coisas no lugar.

E o vento é um fenômeno da natureza que faz parte dos textos bíblicos. Várias passagens bíblicas mostram o agir de D-us, como no episódio do Mar que se abriu para o povo de Israel passar quando saíram do Egito (Êxodo 14.21).

A expressão o vento sopra onde quer  no Evangelho de João (3.8), nos fala do agir do Espirito de D-us, na vida de quem ouve uma mensagem divina. E o interessante é que você pode ouvir e sentir o vento, mas não pode ver, sente em que direção vai, mas não pode tocar, limitar seus feitos.

O vento pode trazer refrigério, paz, confiança no poder de D-us, mas ser tão forte que arranca moradias do lugar. Pode trazer inquietações, consciência da fragilidade humana e desencadear o choro. Mas pode ser suave como a brisa que acaricia o rosto.

E o vento que sopra onde quer, pode encontrar barreiras físicas ou humanas. Mas de alguma forma, vai encontrar um caminho para concluir sua missão nos corações. 


Marion Vaz

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fé e Experiências com D-us



Os textos bíblicos são ricos em detalhes que, à medida que nos aproximamos mais de D-us, passamos a entender o contexto social e espiritual das histórias dos personagens e do povo de Israel. E por que eu disse que isso depende de um contato maior com o Senhor?

Porque na maioria das vezes, a pessoa faz uma leitura rápida, sem se deter nos detalhes, nos fatos, no significado das palavras. E isso acontece porque não há curiosidade. Só estão interessadas se e quando o Senhor vai abençoar ou dar uma resposta e solução do problema que estão enfrentando.

E o texto é lido como refúgio e não como refrigério para a alma. A conclusão parece lógica: Vou ler o livro de Salmos porque se Davi foi abençoado, eu também serei. Ok. Tem uma verdade aí! Mas, e o processo? A longa caminhada entre um pólo e outro?  

Porque a fé humana tem como base a força, a coragem de seguir em frente, de transpor obstáculos. A fé espiritual precisa de profundidade, de constância na oração e leitura da Palavra de D-us. E não uma leitura desordenada, circunstancial. 

E para ter fé precisa conhecer Aquele que dita as regras, que faz promessa, que invalida planos e pensamentos humanos para impor a Sua própria vontade. E conhecer a D-us requer tempo de convivência, de experiências e, às vezes, lágrimas.

Em Gênesis 5.21-24 encontramos um personagem chamado Enoque. O texto informa que ele viveu 65 anos e gerou a Matusalém. E depois disso, viveu cerca de 300 anos nos quais ele andou com D-us. E andar aqui significa que eram próximos, que conversavam, que havia integridade tal em Enoque, que Deus o tomou para si. Em Hebreus 11.5, o testemunho é que ele agradou a D-us.

Abraão surge no cenário bíblico (Gênesis 12.1-2), como um homem de fé que confiou nas promessas do Eterno e seguiu para uma terra distante (Israel). Vários episódios mostram essa amizade e cumplicidade entre o Todo Poderoso e Abraão. Moisés também segue o caminho da confiança, do agir, da operação de milagres.

Antigo e Novo Testamento se completam, se harmonizam para nos instruir sobre as verdades de D-us. E todos os relatos nos foram entregues para que hoje pudéssemos entender e compartilhar desse "segredo" sobre comunhão e experiências com D-us. 

Eu te convido a ler a Bíblia com o coração e ouvidos abertos para entender o agir de D-us. Que Ele continua no controle daquilo que você não consegue controlar. 

E não tem nada mais consolador do que orar por uma causa e ouvir a voz do Eterno respondendo: Eu posso resolver. 


Marion Vaz

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O outro lado do barco


Na maioria das vezes precisamos entender o contexto para optar por um lado da história. Porque já deu para reparar que a maioria das pessoas querem só discutir, dar opinião, trazer mais conflito quando a solução é bem simples. 

E independente da cultura, da religião, da filosofia de vida, não podemos simplesmente caracterizar algo em função do que ouvimos falar.  E eu parei para pensar naquele texto bíblico do Novo Testamento, quando Jesus chega próximo ao Mar da Galileia, Kinneret, e fica observando seus discípulos.

No contexto, Jesus havia sido crucificado e morto. E seu corpo estava num sepulcro em Jerusalém. E os discípulos, desnorteados, seguiram caminhos diferentes. Pedro e seus companheiros foram para a Galileia.  Jesus ressuscitou e foi ao encontro deles.

Engraçado que, enquanto eu escrevo, vou mentalizando as cenas e recordando os dias em que passei em Israel, e vi pela primeira vez, com meus próprios olhos, alguns desses lugares. E Cafarnaum estava ali, próximo ao mar e a cidade continuava viva, apesar dos acontecimentos em Jerusalém.

E lá estava Pedro e seus amigos retornando às atividades de pescaria. O texto fala que tentaram toda a noite e madrugada, mas não apanharam nada. Decepcionados voltaram com o barco e começaram a lavar as redes.

Jesus estava na praia, observando cada movimento e talvez pensando: O que é que eles estão fazendo? E às vezes, ficamos assim, relutantes, desnorteados, voltando aos mesmos pensamentos e atitudes de uma vida antiga. Esquecemos das experiências, dos valores que aprendemos com o tempo, como o Mestre.

E talvez porque é mais cômodo, seguir com aquela linha de pensamento, mesmo que estejamos ferindo tradições e pessoas. E tudo parece crescer e crescer até que... recobramos a consciência de algo maior e melhor.

E Jesus se aproxima questionando os fatos, as atitudes, as perdas. E Pedro responde: Gastamos toda a nossa energia em algo improdutivo. E parafraseando, Jesus responde:

- É porque você estava jogando a rede do lado errado do barco!

No Evangelho de João 21.6-12 podemos ler o restante da história e como os pescadores foram abençoados. 

Mas o que quero destacar aqui são mudanças simples de pensamentos, de valores, de decisões, que podem alterar o restante da vida, das experiências, do aprendizado.

Esta semana o Café Basimta localizado na rua Agrippa em Jerusalém, decidiu parar de abrir o bistrô no Shabbat.  E apesar dos conflitos, dos comentários de clientes e seculares, eu achei uma atitude louvável. Porque afinal, não era sobre café e bolo, política ou democracia. Era sobre respeito, herança histórica e convivência pacífica.


Marion Vaz


Obs. Imagem da Google



quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Fechando ciclos com maturidade



Mudanças acontecem o tempo todo na vida, na área profissional, nos relacionamentos e dentro de nós. Somos "obrigados" a fechar ciclos se queremos dar espaço para novas experiências. E aceitar a realidade nem sempre é tão fácil assim. Precisamos agir com maturidade.

E fechar um ciclo é reconhecer que bons ou maus momentos tiveram influência sobre nós até certo ponto. Agradecemos a D-us pelas experiências, pelo aprendizado e até mesmo pelos incômodos.

E reconhecer nossos limites é identificar ações e reações que nos levaram para outro patamar. E sim, precisamos mudar de fase, de propósito e às vezes, de ambiente, de amizades.

O medo que travou nossas decisões no passado desafia o desconhecido, o dia de amanhã, as novas tarefas, os novos projetos. Mas é preciso vivenciar cada etapa, cada ideia, emoção e oportunidades de desprendimento.

Esta aceitação e reconhecimento pessoal nos faz seguir em frente para novos polos, novos horizontes. E assim, fechamos ciclos que ficam ocupando espaço no coração, no armário, nas gavetas. Ressentimentos, culpa, erros imaginários e mágoas precisam ficar lá atrás, na curva da estrada da vida.

E assim, soltamos as amarras, destravamos portas e janelas e esvaziamos gavetas. Sem medo, sem remorsos. A inquietação dá lugar à certeza, à esperança, à motivação de seguir em frente.

E fechar um ciclo é entender que outros ciclos estavam esperando, se movendo, como um presente da vida. Então, abrace as oportunidades, reconfigure projetos e a própria consciência para que cada passo tenha um significado.


Marion Vaz

sábado, 29 de agosto de 2026

O conceito do descanso no shabbat




Dar uma pausa na rotina diária é fator importante para quem quer qualidade de vida. Porque vivemos correndo de um lado para outro o tempo todo, sem descanso, sem sequer olhar para frente ou para trás. Essa dinâmica incoerente de que tudo na vida se conquista com esforço, com determinação, com suor e lágrimas é bonito na poesia.

O ideal é mesmo correr atrás dos sonhos, dos ideais, da comida de cada dia, conquistar metas e sem medo algum, dar um salto no desconhecido. E assim passam os dias da semana. O corpo cansado cai na cama e não repousa, porque a mente não para. E estamos nessa busca infinita há anos, como se "nada" caísse do céu. 

Esta semana vi um post interessante sobre o Shabbat. O dia de descanso, de pausa, de interrupção da rotina me fez parar para pensar naquilo que conquistamos ao longo do tempo: "Durante seis dias da semana corremos atrás da vida. No shabbat paramos, para refletir na vida que já temos". 

Esse conceito judaico sobre o shabbat não é apenas uma recomendação, mas um mandamento bíblico: "Por seis dias trabalharás e sétimo, descansarás" (Êxodo 34.21. E não é um descanso qualquer, ou mudança de rotina ou serviço. Mas como um dia sagrado, dedicado ao Eterno.

E na tradição judaica "o shabbat chega silenciosamente, interrompendo a semana". Um dia abençoado e santificado para que você tenha um "encontro" com o Criador, com o acender das velas e as orações, mas também um encontro com os familiares à volta da mesa.

E o que me chama a atenção é esse desacelerar. Essa pausa na rotina, no corre-corre, na busca incessante daquilo que desejamos, para agradecer aquilo que já temos.

Com certeza, na crença cristã esse dia é marcado pelo domingo, Outras religiões divergem para sexta-feira. Mas o importante é ter esse tempo para olhar ao redor, para olhar para o alto em direção a D-us e para descansar, não só no sentido espiritual, colocando toda a nossa confiança no Eterno, mas também descansar o corpo e a mente.

Shabbat Shalom


Marion Vaz



domingo, 23 de agosto de 2026

Crime Brutal não tem Perdão


(Imagem da Google)

Um episódio brutal esta semana me chamou a atenção. A moça foi encontrada num cárcere privado, em condições deploráveis, visivelmente abalada que o corpo dela tremia todo só de ouvir a voz dos policiais que a encontraram. Ela sofreu violência e foi mantida em cativeiro pelo ex-marido. O crime aconteceu em Águas Lindas, Goiás.

Uma cena difícil de ver e descrever. Só de pensar no que ela sofreu, eu já fico agoniada. Imagino a dor da pessoa, da mãe, dos familiares que praticamente não puderam evitar tal ato. O homem (não vou citar o nome), já foi preso e eu espero que ele não fique "confortável" na prisão. Sinceramente, eu espero que pague com juros e correção todo o mal que fez contra aquela moça. 

E não é porque a gente crê em D-us que não vai desejar vingança. Porque eu me coloco no lugar da mãe da jovem e não consigo pensar em outro sentimento. Tem relacionamentos que não dão certo. Fato. Segue seu caminho, vai curtir a vida, trabalhar, viajar. Não. O miserável resolve se vingar dessa forma brutal.

Então agora, que sofra as consequências do seu comportamento maligno. Ponto final. E nem venha mencionar o fato que "todo mundo tem direito a segunda chance". Isso é para o infrator que roubou um pão pra comer, uma peça de roupa numa loja, um lápis, mas para crime hediondo não. Crime brutal não tem perdão.

Com certeza  a jovem vai levar um bom tempo para se recuperar física e emocionalmente. E tem traumas que ficam para sempre. A recuperação vai ser lenta e cheia de transtornos. 

Não vou aqui acusar os pais do tal "monstro", que alimentaram e criaram quando ele era criança, provavelmente deram educação e estudo.  Mas quando adulto, ele resolveu agir dessa forma leviana/criminosa e sabia muito bem o que estava fazendo. Tudo premeditado segundo as notícias nos jornais.

A humanidade tem que entender que não pode fazer o que quiser, e depois citar a "quinta emenda" da lei, para evitar a autoincriminação. Não.  Sinceramente, é por isso que tem horas que está tudo um caos.  São crimes hediondos em massa, violência desenfreada de forma física e verbal sem qualquer constrangimento. 

Sei não, onde tudo isso vai parar...


Marion Vaz

Atualização em 26/08

O agressor fez severas ameaças de morte contra a moça, ao ser preso. Mesmo com todas as evidências do cárcere privado e agressões físicas e emocional contra a vítima,  a justiça brasileira soltou o indivíduo nas ruas.

Boletins de ocorrências mostram que a vítima já tinha feito queixas anteriormente contra o ex-marido por maus tratos. Mesmo assim,  ele não foi detido após cometer tamanha crueldade contra a moça de 24 anos. 

Pergunto: Estão esperando exatamente o que?


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A difícil arte de engolir desaforos



Dia dos pais já é uma data difícil para mim, por vários motivos que já falei aqui no site. Mas enfim, resolvi sair um pouquinho e almoçar com as minhas duas filhas que, no caso, sofrem abandono por parte do pai biológico. E é claro que isso acontece com muitas famílias no Brasil e no mundo inteiro. Os cônjuges se separam e cada um segue o seu caminho. O ideal é que os filhos não sofram descaso, abandono e falta de recursos financeiros por conta da má conduta de um dos pais.

Felizmente no meu caso, os danos não foram piores porque eu assumi o papel de mãe/pai em tempo integral e assim passaram os anos. Na verdade, eu tive três filhas, mas só uma delas que o tal pai considera e mantém contato. Confesso que, pelo tanto que eu amo as minhas três filhas, é difícil de engolir esse tipo de raciocínio, mas pelo agir e proteção de D-us, elas cresceram, se formaram, estão casadas e cada uma segue a vida e temor no Senhor.

A pessoa em questão, o pai, teve um recente desentendimento em casa, com a esposa, filha, parente, sei lá. E do nada, resolveu descontar em mim, que no caso, nem sabia de nada até dois dias atrás. Há alguns anos ele sofreu um acidente e teve o braço amputado, a esposa ficou muito machucada também. E na ocasião, mesmo tendo sido abandonadas, as minhas três filhas se dispuseram a ajudar ele e a família do "miserê". Com o tal desentendimento recente, alguém jogou na cara dele a tal ajuda de "terceiros".

Irritadíssimo por ter que admitir o que realmente aconteceu, distribuiu desaforos para minha primeira filha, a queridinha dele, informando que, se caso ele precisasse de ajuda no futuro, não queria que eu e minhas outras duas filhas (ele citou os nomes) o ajudassem. E que tal decisão já tinha sido passada para a família dele. Inclusive que nenhuma de nós três poderia ir ao enterro dele. Beleza, não iria mesmo!

Com muita sensatez, a minha filha respondeu a altura e mostrou o quanto ele estava sendo "bab@ca" e que o mal que ele já tinha feito a elas era irreversível. Tudo isso já tinha acontecido por volta de maio/26 e só fiquei sabendo há dois dias atrás. É claro que ele pediu 1 milhão de desculpas para ela, deu presentinhos e seguiu em frente sem olhar para trás. As outras duas filhas que se danem? Que se virem para curar as feridas, a mágoa, o descaso? Porque elas ficaram sabendo de tudo e eu precisei de um tempo para digerir o assunto.

Eu fico pensando que uma pessoa que viu a morte de perto, perdeu um membro do corpo e ficou numa cadeira de rodas por meses, não devia ter aprendido alguma coisa? A ser mais humano pelo menos? Não que qualquer mudança dessa pessoa faça diferença na minha vida, mas essa arrogância, essa falta de dignidade me assusta. Enfim… cada um escolhe o caminho que quer seguir.

A arte de engolir desaforos não é para qualquer um. Tem que ter estômago. Claro que toda essa história me magoou profundamente e sim, eu queria revidar, responder, pedir satisfação... Mas resolvi entregar tudo nas mãos de D-us e pedir justiça. Afinal, quem planta tem que colher. E não é pelo fato dele frequentar uma igreja fingindo uma crença que o Eterno vai deixar de lado. Mesmo porque, não é a primeira vez que ele mesmo toma partido e ignora as próprias minhas filhas para manter a "harmonia" do casamento dele.

Engolir desaforos pode ser uma arte ou uma forma de sobrevivência, de zelar pela paz interior, pela saúde mental ou para não perder o "réu primário". Porque tem gente que não merece tanto sacrifício. 

Enfim... A vida tem dessas reviravoltas e caminhos tortuosos que temos se trilhar. Mas nem por isso podemos perder a fé, a esperança e a paz.

- "Que D-us julgue entre mim e ti".  1 Samuel 24.12



Marion Vaz