Dia dos pais já é uma data difícil para mim, por vários motivos que já falei aqui no site. Mas enfim, resolvi sair um pouquinho e almoçar com as minhas duas filhas que, no caso, sofrem abandono por parte do pai biológico. E é claro que isso acontece com muitas famílias no Brasil e no mundo inteiro. Os cônjuges se separam e cada um segue o seu caminho. O ideal é que os filhos não sofram descaso, abandono e falta de recursos financeiros por conta da má conduta de um dos pais.
Infelizmente no meu caso, os danos podiam ser piores se eu não assumisse o papel de mãe/pai em tempo integral e assim passaram os anos. Na verdade, eu tive três filhas, mas só uma delas que o tal pai considera e mantém contato. Confesso que, pelo tanto que eu amo as minhas três filhas, é difícil de engolir esse tipo de raciocínio, mas pelo agir e proteção de D-us, elas cresceram, se formaram, estão casadas e cada uma segue a vida e temor no Senhor.
A pessoa em questão, o pai, teve um recente desentendimento em casa, com a esposa, filha, parente, sei lá. E do nada, resolveu descontar em mim, que no caso, nem sabia de nada até dois dias atrás. Há alguns anos ele sofreu um acidente e teve o braço amputado, a esposa ficou muito machucada também. E na ocasião, mesmo tendo sido abandonadas, as minhas três filhas se dispuseram a ajudar ele e a família do "miserê". Com o tal desentendimento recente, alguém jogou na cara dele a tal ajuda de "terceiros".
Irritadíssimo por ter que admitir o que realmente aconteceu, distribuiu desaforos para minha primeira filha, a queridinha dele, informando que, se caso ele precisasse de ajuda no futuro, não queria que eu e minhas outras duas filhas( ele citou os nomes) o ajudassem. E que tal decisão já tinha sido passada para a família dele. Inclusive que nenhuma de nós três poderia ir ao enterro dele. Beleza, não iria mesmo!
Com muita sensatez, a minha filha respondeu a altura e mostrou o quanto ele estava sendo "bab@ca" e que o mal que ele já tinha feito a elas era irreversível. Tudo isso já tinha acontecido por volta de maio/26 e só fiquei sabendo há dois dias atrás. É claro que ele pediu 1 milhão de desculpas para ela, deu presentinhos e seguiu em frente sem olhar para trás. As outras duas filhas que se danem? Que se virem para curar as feridas, a mágoa, o descaso? Porque elas ficaram sabendo de tudo e eu precisei de um tempo para digerir o assunto.
Eu fico pensando que uma pessoa que viu a morte de perto, perdeu um membro do corpo e ficou numa cadeira de rodas por meses, não devia ter aprendido alguma coisa? A ser mais humano pelo menos? Não que qualquer mudança dessa pessoa faça diferença na minha vida, mas essa arrogância, essa falta de dignidade me assusta. Enfim… cada um escolhe o caminho que quer seguir.
A arte de engolir desaforos não é para qualquer um. Tem que ter estômago. Claro que toda essa história me magoou profundamente e sim, eu queria revidar, responder, pedir satisfação... Mas resolvi entregar tudo nas mãos de D-us e pedir justiça. Afinal, quem planta tem que colher. E não é pelo fato dele frequentar uma igreja fingindo uma crença que o Eterno vai deixar de lado. Mesmo porque, não é a primeira vez que ele mesmo toma partido e ignora as próprias minhas filhas para manter a "harmonia" do casamento dele.
Engolir desaforos pode ser uma arte ou uma forma de sobrevivência, de zelar pela paz interior, pela saúde mental ou para não perder o "réu primário". Porque tem gente que não merece tanto sacrifício.
Enfim... A vida tem dessas reviravoltas e caminhos tortuosos que temos se trilhar. Mas nem por isso podemos perder a fé, a esperança e a paz.
- "Que D-us julgue entre mim e ti". 1 Samuel 24.12
Marion Vaz