E independente da cultura, da religião, da filosofia de vida, não podemos simplesmente caracterizar algo em função do que ouvimos falar. E eu parei para pensar naquele texto bíblico do Novo Testamento, quando Jesus chega próximo ao Mar da Galileia, Kinneret, e fica observando seus discípulos.
No contexto, Jesus havia sido crucificado e morto. E seu corpo estava num sepulcro em Jerusalém. E os discípulos, desnorteados, seguiram caminhos diferentes. Pedro e seus companheiros foram para a Galileia. Jesus ressuscitou e foi ao encontro deles.
Engraçado que, enquanto eu escrevo, vou mentalizando as cenas e recordando os dias em que passei em Israel, e vi pela primeira vez, com meus próprios olhos, alguns desses lugares. E Cafarnaum estava ali, próximo ao mar e a cidade continuava viva, apesar dos acontecimentos em Jerusalém.
E lá estava Pedro e seus amigos retornando às atividades de pescaria. O texto fala que tentaram toda a noite e madrugada, mas não apanharam nada. Decepcionados voltaram com o barco e começaram a lavar as redes.
Jesus estava na praia, observando cada movimento e talvez pensando: O que é que eles estão fazendo? E às vezes, ficamos assim, relutantes, desnorteados, voltando aos mesmos pensamentos e atitudes de uma vida antiga. Esquecemos das experiências, dos valores que aprendemos com o tempo, como o Mestre.
E talvez porque é mais cômodo, seguir com aquela linha de pensamento, mesmo que estejamos ferindo tradições e pessoas. E tudo parece crescer e crescer até que... recobramos a consciência de algo maior e melhor: o respeito às diferenças.
E Jesus se aproxima questionando os fatos, as atitudes, as perdas. E Pedro responde: Gastamos toda a nossa energia em algo improdutivo. E parafraseando, Jesus responde:
- É porque você estava jogando a rede do lado errado do barco!
No Evangelho de João 21.6-12 podemos ler o restante da história e como os pescadores foram abençoados.
Mas o que quero destacar aqui são mudanças simples de pensamentos, de valores, de decisões, que podem alterar o restante da vida, das experiências, do aprendizado.
Esta semana o Café Basimta decidiu parar de abrir o bistrô no Shabbat. E apesar dos conflitos, dos comentários de clientes e seculares, eu achei uma atitude louvável. Porque afinal, não era sobre café e bolo, política ou democracia. Era sobre respeito, herança histórica e convivência pacífica.
Marion Vaz
Obs. Imagem da Google