Tom Jobim e Elis Regina cantavam juntos uma música bem lindinha com uma melodia marcante. A letra fala de sentimentos, desafios, esperança e diversas emoções que passamos ao longo dos meses. Pelo menos é assim que eu interpreto. As águas de março falam da chuva que cai impiedosamente como se estivesse se despedindo do verão.
O tempo pode ser um herói ou um vilão dependendo do local ou cidade em que você mora. Talvez a letra fale das chuvas que caem em diversas áreas, a princípio regiões mais desfavorecidas onde deslizamento de terras são frequentes e lá se vai a casa, a ponte, a madeira, o fim do caminho, destroços mil.
Mas a música tem um refrão muito interessante que nos impulsiona a seguir em frente: "É promessa de vida no teu coração". A frase pode ser proposital no sentido de alimentar a esperança, porque além do fenômeno climático, contexto social e cultural, traz aquela sensação de renovação, fim de um ciclo e início de outro.
De uma forma bem singela mostra o passar do tempo, e que apesar das circunstâncias, a gente pode recuperar aquilo que se perdeu ou recomeçar. As águas parecem correr como um rio que deságua no mar.
Infelizmente, as fortes chuvas que desabaram sobre diversas cidades, inclusive vários bairros aqui do Rio de Janeiro, foram muito cruéis. E sim, elas levaram casas, pontes, bens materiais e muita gente ficou desabrigada. As chuvas que caíram entre Janeiro e fevereiro inundaram cidades inteiras e nem temos a desculpa de culpar o fenômeno climático.
E já tem algum tempo que a gente sente essa mudança de temperatura se intensificando a cada ano. Então, em minha opinião, foi descaso mesmo das autoridades governamentais que não se preocupam em solucionar problemas, que generalizam situações como corriqueiras e deixam a população sem amparo nessas horas. Porque as chuvas que caem em determinadas épocas são volumosas e causam sérios prejuízos, mortes e destruição.
Eu entendo que muitos deslizamentos de terra, são consequências de erros humanos, de construções mal localizadas, de volume maior de águas em rios, córregos e cachoeiras, acúmulo de lixos e detritos em áreas urbanas. Mas o ano mal começou e todos os estados do Brasil foram afetados pelas chuvas que desabaram nos últimos meses.
E sim, todos nós recebemos alertas no celular sobre temporais e riscos de deslizamento de terra em determinadas áreas e de como devemos nos proteger e ficar em lugar seguro.
Mas, o que se faz nas outras épocas do ano para restringir tanta desgraça? Nada! Somos engambelados com "restos de toco" ou seja, festas, feriados, conversa fiada e "promessas de campanha"
Marion Vaz
