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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Respingos de ódio

 


Se tem algo em eu acredito é na lei do retorno. E não importa se a pessoa se arrepende no minuto seguinte, tudo aquilo que se planta, vai colher. E cada semente, seja de coisas boas ou sentimentos ruins, cultivada no coração ou exposta de forma repentina ou no cotidiano, vai brotar, crescer e dar seus frutos.

Já reparou naquelas poças de água ou lama que ficam na beira da estrada depois da chuva? Já reparou que quando um carro passa por cima joga lama para todos os lados? Então, por menor que seja o seu envolvimento com pessoas que cultivam sentimentos ruins, posso afirmar que os respingos vão te alcançar.

Eu entendo que você esteja duvidando disso, porque muitas das vezes, estamos no controle de nossas emoções, de nossos atos. E seria bom se realmente nada nos atingisse. Mas, esta semana pude sentir na pele, como os respingos influenciam as atitudes, o modo de pensar e agir daqueles que convivem ou ouvem pessoas rancorosas transpirando ódio por todos os poros.

Tem uma frase que eu abomino: "uma mentira repetida mil vezes é tida como verdade". E parece que o idealizador deste conceito atraiu para si milhares de seguidores. Eu simplesmente abomino tal ideia. Porque na verdade, eu não admito que mintam a meu respeito. 

Imagine que alguém crie um rótulo, uma história fantasiosa, um apelido para denegrir a imagem de outra e comece a repetir para outras pessoas, e insista naquela versão por tantas e tantas vezes, que seria impossível confrontar a verdade. 

O tempo passa e não dá para se livrar daquele rótulo, daquela imagem retorcida, daquele estereótipo. E anos após anos a pessoa é discriminada, ofendida, desacreditada. 

E para piorar as coisas, outras pessoas passam a ter este mesmo pensamento. São os respingos de ódio, afetando a capacidade de raciocínio. E num momento de crise emocional ela traz a tona toda aquela ideia que foi cultivada sobre alguém. E faz com tanta naturalidade como se não estivesse nem aí para a lei do retorno. 

Respingos malditos, que mancham, poluem, ofuscam a verdade e provocam discussões. Os respingos não tem temor a Deus. 

Só nos resta saber se vamos revidar, se o que queremos de retorno são afetos, amor, compreensão ou se vamos comprometer nossa saúde mental e física alimentando o ódio, o desencanto, a maledicência também.


Marion Vaz


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O bem que eu quero eu não faço mesmo!

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Na maioria das vezes tentamos fazer o bem e até lutamos com o nosso eu interior para não nos decepcionarmos. Porque todo mundo quer ser visto como uma pessoa boa, legal, altruísta e que ama o seu semelhante. Ninguém quer ser o vilão da história. E muitas das vezes, como eu já disse em outros artigos aqui no blog, temos que contar até 10 para suportar uma situação e não sair por aí "chutando o balde". 

Só que na verdade, nem sempre é fácil mudar. O ideal é esconder algo dentro de nós para nos ajustar ao ambiente, grupos religiosos ou de amizade, família e até mesma em Sociedade. Muita gente esconde sua verdadeira natureza para não ser excluído. E percebi isso numa conversa entre amigos outro dia. A pessoa insistia em dizer: "Tenta mudar" - Então pensei que às vezes é nítida a impressão de que alguém está vivenciando um problema do qual não tem esperança ou força suficiente para superar, só pelo tom da voz.

E nem podemos condenar ninguém por essa falta de expectativa porque todos nós já passamos por uma situação semelhante em algum momento da vida. Somos pegos de surpresa por algo que não desejamos e logo aquilo se torna uma "bola de neve" atropelando nossos sentimentos e nossa vida diária. Muita gente passa anos lutando sem sequer sair do lugar. Fato.

No texto da Bíblia Sagrada, Paulo afirma: "O bem que eu quero fazer não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço" Romanos 7.19. Nos versículos seguintes ele insiste em dizer que tal problema está diretamente ligado a nossa natureza humana e ao pecado que habita em nós. Daí a necessidade de se buscar mais a Deus e obter o perdão dos pecados e que mudanças espirituais terão influências na natureza humana. Com certeza é algo que devemos refletir.

Mas algumas mudanças de atitudes nem sempre dependem de uma intervenção divina. O ser humano foi dotado de livre arbítrio e pode tomar suas próprias decisões.. Somos livres para pensar, agir, amar e com certeza mudar algumas das nossas tantas atitudes no dia a dia. Muita coisa depende só de nós. Basta saber se estamos dispostos a pagar o preço e se queremos mesmo tais mudanças. Mas a frase da moça continuava me incomodando: "Tenta mudar!" Porque mesmo que as demais pessoas afirmassem que existia uma solução e que qualquer pessoa pode alterar o seu destino se tiver força de vontade e tentar de verdade, ela continuava pondo em dúvida tal realidade.

E na verdade, existem circunstâncias que dificultam mesmo as mudanças de atitudes. A primeira diz respeito a própria pessoa que acaba se adaptando a situação, seja por causa de decepções ou não ter mais forças para lutar. O ser humano tem essa capacidade de adaptar ao ambiente. 

A segunda causa que impede alguém de mudar é exatamente o ambiente em que vive, seja no trabalho, familiar, social ou religioso. Então mesmo que a pessoa tome uma decisão, ela tem que encarar outras circunstâncias negativas que vão alterar o seu humor, a vida, as atitudes. O ambiente familiar conta muito, porque você pode passar o dia todo com pensamentos positivos, terapias e psicólogos e quando voltar para casa encontrar alguém pessimista, derrotista ou com síndrome de doença ou medos mil, que vai tudo "pro espaço". Então entendi a frase" "Tenta mudar" ao estilo de: Tenta mudar que eu quero ver.

E essa é a realidade de muita gente em que o ambiente dita as regras e o "bem que eu quero" fica cada vez mais distante e inacessível. Por isso expliquei que existem pessoas que acham mais fácil se adaptar ao espaço onde vivem do que lutar por algo. É quando o problema passa a ser a sua zona de conforto. E isso é muito ruim. São pessoas com muito potencial sendo soterradas, prisioneiras de sua própria dor. Cadeias sem grades. Corações em pedaços. Não é que elas não queiram mudar, é que não deixam. 

Observei que uma senhora que cuidava da mãe enferma que tinha tremores no corpo, passou a mostrar tais sinais também e ela não estava doente. Outro exemplo em minha família em que um rapaz foi morar com a mãe e passou a ouvir todo tipo de palavras negativas como incompetente, doente, maluco, burro, desempregado, problemático e coisas do gênero. Todo dia era um festival de ofensas e as vezes sem qualquer necessidade. Três meses depois ele estava doente e mal conseguia levantar da cama. Parece mentira, mas é a pura verdade. Agora ele está sendo medicado e com dificuldade ele tenta reagir. Mas a pobre senhora idosa continua com o mesmo  negativismo e até em relação a si mesma.

Para vencer uma situação ou alterar o próprio futuro é preciso reagir, controlar as emoções e muitas das vezes mudar de ambiente sim. Mesmo que isso signifique ter custos financeiros altos como alugar um imóvel, viajar ou mudar de país. Deve ter sido o mesmo pensamento do Eterno quando viu potencial em Abraão. (Leia mais sobre isso aqui) Para ser uma benção e uma grande nação, Abraão teve que sair do seu ambiente familiar. Deus exigiu: Sai da tua terra, do meio da tua parentela e dessa cidade. Foi um investimento no escuro. Concordo. Abraão enfrentou uma série de problemas? Enfrentou. Mas teve amadurecimento espiritual e retorno financeiro e material.

Não estou querendo induzir você a deixar de falar com amigos e familiares ou abandonar uma mãe enferma. Mas que seja realista. Que identifique os pontos negativos que te impedem de seguir em frente e encare uma mudança. 


Marion Vaz

sexta-feira, 29 de março de 2019

Tempo de arrancar fora o que se plantou

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A Bíblia nos ensina que "Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec 3.1). Mas fato é que o texto também faz uma relação de atitudes, sentimentos e acontecimentos mostrando o seu oposto. Então, se há tempo para nascer, também há o tempo de morrer, se há o tempo para abraçar, também haverá o tempo de afastar-se de abraçar. O interessante é que mesmo que nós estejamos mais interessados no lado positivo, ou seja, nascer, plantar, edificar, rir, amar, a Palavra de Deus nos adverte daqueles dias em que iremos chorar, odiar ou sofrer uma perda. 

Mas o que me chama a atenção no texto é a palavra tempo. É ele que define o espaço, as horas, dias ou anos entre os dois eventos.

O tempo determinado para algo já está programado e mesmo assim continuamos "dando um tempo" para que as coisas voltem ao normal. Esperamos pacientemente que um amor do passado volte para nos fazer felizes, queremos a solução do problema antes de vencer todas as etapas, renovamos votos e a maquiagem do rosto acreditando que o tempo de chorar já acabou. E as coisas não são bem assim.

Quando o texto informa sobre o tempo de plantar, também adverte que há o tempo de arrancar fora o que se plantou (vs 2). Podemos imaginar que, com tal observação, o escritor esteja se referindo ao momento do plantio de alguma semente, seu crescimento e o habitual período da ceifa. Mas eu pensei em algo mais profundo. Pensei naquela quantidade de sentimentos que amontoamos no coração. Experiências ruins que nos fizeram sofrer e que, por alguma razão, continuam lá nos assombrando dia após dia.

Com certeza nos deixamos desanimar por causa de alguma palavra ofensiva, algum desafeto ou ato egoísta de alguém, ou porque fomos humilhados e traídos. É normal sentir frustração. Esconder os sentimentos e fingir que está tudo bem. Nos decepcionamos o tempo todo, mas queremos manter uma aparência de sobriedade. Sorrimos para ocultar as marcas do passado. 

Não sei se você entendeu o que eu quis dizer, mas é possível que no decorrer desse processo aceleramos o crescimento de sentimentos ruins, de mágoas, de sonhos desfeitos no coração, e eles foram criando raízes e se alastrando por toda a parte, angustiando a alma. 

Então, está na hora de arrancar fora o que se plantou. Hora de se libertar e de tirar o mal pela raiz. Você tem todo o direito de ser feliz e dá tempo de vivenciar novas experiências.


Marion Vaz 


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Os efeitos da palavra falada


Algumas pessoas tem essa tendência de falar o que bem entendem, sem se importar se vão ferir ou magoar alguém. Se por mania ou porque estão nervosas por causa de algum acontecimento ou porque simplesmente o desejo de ferir é maior do que o bom senso, o fato é que elas estão em toda parte. Então, mesmo que se diga que é impróprio ou leviano, a pessoa repete tantas vezes os tais "adjetivos", que alguns se acostumam ou simplesmente passam a ignorar.

Aquilo que falamos pode ser uma bênção na vida dos filhos, amigos ou parentes. Pode motivar nos estudos, no trabalho e na vida conjugal. Uma palavra amiga traz paz e tranquilidade para decisões importantes. Mas o outro lado da moeda é que uma palavra ruim pode infligir em  feridas mortais. Os efeitos da palavra falada são tão poderosos que não importa a distância, se foi dita por telefone, e-mail ou carta, ou se chegou aos ouvidos de alguém por uma terceira pessoa, com certeza vai gerar um descontentamento, angústia ou tristeza. Em muitos casos, a pessoa ofendida assume aquela palavra de maldição como realidade. 

O texto bíblico de Tiago 3 afirma que a língua é como uma centelha que pode incendiar uma floresta inteira. E que, como de uma mesma boca pode sair bênção ou maldição devemos nos controlar e pensar sobre aquilo que vamos profetizar. Nem sempre isso acontece. Na maioria das vezes, a ira é quem controla o coração e consequentemente o que sai pela boca.

Quando alguém usa de sua liberdade de expressão para denegrir a imagem de uma pessoa é porque tais pensamentos já inundaram seu coração e mente muito antes. E as vezes, nada daquilo é verdadeiro. Mas o desejo de provocar, de alimentar a mentira ou trazer a desunião é bem mais forte. Percebo também que tais pensamentos são autodestrutivos. Uma pessoa cujo coração está cheio de mágoa, de rancor, de ofensas não é feliz. 

Vivemos num mundo carente de amor e paz. Precisamos de pessoas de coração e mente renovada, que repassem coisas boas para os outros. Estamos cansados de um linguajar adulterado, de expressões infames e cobranças desmedidas. Queremos atitudes pacíficas no dia a dia. Precisamos nos cercar de pessoas com o coração cheio de misericórdia. tratáveis e lábios que louvem a Deus e pronunciem uma bênção a cada manhã.


Marion Vaz

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Gente estressada

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Já viu aquela pessoa que aguentou tudo e mais um pouquinho até que de repente explodiu? Ok. Você pode até dizer que não está nesse ponto, que está só um pouquinho estressada e que consegue se controlar. Tem gente assim em toda parte. Porque na verdade, acredito que somos a geração do stress. 

Pode reparar nas pessoas que estão ao seu redor e do quanto elas tentam respirar profundamente antes de perder a calma. E quando alguém sai do ambiente só para beber um pouco de água e contar até 10. E não importa onde você esteja, cuidado, alguém pode estar prestes a "explodir" de tanta carga emocional que carrega. Observe com atenção em gente que fala sozinha no meio da rua: Essa foi a última vez... Nunca mais!" Gente que desliga o celular antes da conversa terminar, ou que esbarra em você e nem pede desculpa. Motorista que buzina quando o sinal ainda está amarelo, outros que passam voando pelo sinal fechado só para não perder um segundo sequer. Atendente que te dispensa antes de ouvir o assunto ou aquele monte de resposta automática que você recebe porque a pessoa não está nem aí para o seu problema.

Gente estressada transfere toda a sua carga emocional negativa para outras pessoas com suas queixas e repetições de assunto, briguinhas e vocabulário de baixo calão. Gente com mais de 50 anos devia ter mais vergonha na cara e devia parar de fazer determinadas coisas.

Ando meio estressada ultimamente, confesso. Não sei se por causa da vida em si, ou do momento presente, às vezes sinto vontade de dormir e acordar em outro lugar. Quero me mudar. Com certeza. Às vezes, o ambiente te estressa e você precisa sair correndo. Sinto falta do ar puro, de uma noite de paz e um acordar tranquilo. A minha paciência está no limite.

Deve ser por isso que quando Deus quis fazer um pacto com Abraão disse para ele se mudar. Sair do meio da cidade onde vivia, do meio da parentela e ir para um lugar longe (Gn 12.1). Você precisa deixar algo para trás, se quiser crescer, que quiser qualidade de vida. Se você se acostuma com o tem e o que vê, acha que não pode alcançar algo melhor. E Deus não podia trabalhar na vida de Abraão se ele estivesse naquele ambiente. E Abraão saiu para uma terra distante sem fazer perguntas. Mudança significa correr risco, se desgrudar do que é aparentemente seguro para algo novo.

É importante saber que não se pode fugir de tudo, mesmo porque em qualquer lugar vamos lidar com os problemas que já enfrentamos. Então é melhor respirar profundamente ou contar até 10 antes de qualquer atitude mesmo. Mas o importante é estar bem de saúde mental, física e espiritual. Uma coisa depende da outra. E como a Bíblia cita: "Se possível, tende paz uns com os outros". Mas se puder mudar de ambiente, corra, fuja, sem olhar para trás.


Marion Vaz


domingo, 13 de janeiro de 2019

Sementes

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Existe um ditado popular que nos alerta quanto aquilo que estamos plantando e o que esperamos colher. A Palavra de Deus nos adverte que "tudo o que o homem semear, ele vai colher". Neste começo de ano fiz uma pequena pausa e pensei no que eu realmente quero "colher" daqui pra frente.

Então, não importa se está relacionado a vida sentimental, financeira, espiritual ou profissional, devemos pensar muito em que tipo de semente estamos investindo nosso tempo e recursos. Se queremos um futuro melhor, um parceiro amigo, uma carreira brilhante ou maior envolvimento com Deus (não necessariamente nesta mesma ordem), devemos em primeiro lugar selecionar a semente certa, arar a terra e plantar,

Como naquela Parábola do Semeador, uma semente pode cair em diversos tipos de terrenos, pode brotar e murchar logo em seguida, pode nascer e não ter o crescimento esperado ou pode até crescer, mas não dá frutos. A única semente que floresceu, cresceu e deu rendimento foi aquela que caiu numa terra boa. Numa terra que foi previamente preparada para receber o grão. Na interpretação da parábola, a semente era a Palavra de Deus e a terra era os corações dos homens.

Mas se pensarmos um pouquinho, a nossa decepção pode sim estar ligada ao tipo de terreno em estamos investindo nosso talento. Temos os recursos necessários, mas fala sério, o terreno é ruim! E ao invés de encararmos essa realidade continuamos a cometer os mesmos erros na esperança que algo diferente aconteça. Posso falar a verdade? Tem coisas que não mudam nem a curto ou a longo prazo! Está na hora de acordar e recomeçar, de repensar planos, mudar de estratégia e colocar novos interesses a frente dos projetos.

Existem milhares de sementes e a gente fica aí, estagnada, perdendo tempo e enxugando as lágrimas quando tudo dá errado. Liberte-se! Você tem sonhos? Eu também! Não é pra desistir deles. Mas sim mudar de estratégia. A semente é boa! Ela só precisa de um terreno fértil. E isso quer dizer que você tem muito trabalho daqui pra frente!

Marion Vaz


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O grau de importância que você dá as coisas equivale ao valor delas?

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Não sei você, mas eu já percebi que as pessoas estão perdendo aquele dom natural de analisar o que realmente é importante e o que é descartável. Não sei se por conveniência ou por hábito, juntamos mais "tralhas" em nossos cômodos do que  eles suportam. As casas estão amontoadas de objetos, roupas, sapatos, brinquedos, móveis e tantas outras quinquilharias que se foi comprando ao longo dos anos e que por alguma razão, não se quer jogar fora ou passar adiante para quem realmente precisa.

Em relação aos sentimentos há uma confusão de valores. E por mais que tenha em mente os bons conselhos sobre relacionamentos e famílias, os "ficantes" só querem mesmo é uma "aventura". Quem já está sozinha há muito tempo como eu, pensa duas vezes antes até de olhar para quem quer seja, porque não sabemos como anda a cabecinha da criatura. Se você apenas foi gentil com alguém a pessoa logo se retrai. Aconteceu comigo. Pensei: Só estava sendo gentil e hospitaleira. Porque também eu penso que um relacionamento pode nascer de um encontro casual, um sorriso, um gesto. Mas não quer dizer que as pessoas não possam ser amigas, conversar, trocar ideia, rir juntas, dançar... Qual o problema dessa geração de cinquentões?

Essa perda de noção do que é importante nos leva a caminhos tortuosos e contra versos que mudam a rotina, incorporam sentimentos, alteram o valor das coisas, absorvem como uma esponja o que é nocivo junto com o que é prazeroso. Estamos descolorindo o presente em virtude de qualquer passado nebuloso e não nos permitimos ser feliz, nem agora e nem no futuro. Estamos sobrecarregados de tarefas que minam as nossas forças e nossa capacidade de raciocínio lógico. Queremos o que é bom, com certeza. Mas o nosso "bom" é bom mesmo ou apenas um paliativo?

Essa semana presenciei uma cena que me deixou pensativa. Não eram nem oito horas da manhã e tinha uma moça no meio da rua gritando como se estivesse passando por algo desesperador. Pensei até que ela tinha sido assaltada ao sair no portão de casa para ir ao trabalho, já que ela estava de bolsa e toda arrumada. Tinha um rapaz de moto passando na rua e eu estagnei na calçada imaginando mil coisas. Será que foi assalto? O tal cara é um ex marido grosseiro e está perseguindo a mulher? Roubaram o carro e levaram até uma criança que estava dentro. Eu não sabia se seguia em frente ou se me escondia. E se o cara estivesse armado? A mulher com as mãos na cabeça gritava: Cadê ele! Cadê ele! - O homem na moto passou por ela e foi embora. Já descartei uma das hipóteses. A mulher correu em direção a outra rua e resolvi seguir o meu caminho, já com o coração acelerado por causa do susto e pela situação incomum àquela hora da manhã.

Apressei o passo e parei próximo a uma senhora que estava em pé no portão dela. Falei sobre o susto, que estava com pena da mulher e se tinha ou não sido um assalto. A senhora, muito calma por sinal, explicou que não era nada demais. Apenas que o cachorro dela que tinha fugido quando abriram o portão. Um cachorro? repeti ainda tentando me controlar por causa do susto. Tudo bem que ninguém tem culpá da minha imaginação fértil. Todo mundo tem o direito de amar seus animaizinhos de estimação.
- Pensei que era assalto - Repeti.
- Não. Foi só o cachorro que fugiu. Repetiu a senhorinha.
- Ele volta quando tiver fome - Falei com calma e segui meu caminho.

Pode rir se quiser. Ok. Não tem problema. Como já disse a mulher não tem culpa da minha imaginação fértil! Provavelmente ela perdeu a hora do trabalho porque tinha procurar o animal pelas ruas. Aos poucos meu coração foi desacelerando e eu fiquei pensando nessa valorização de coisas incomuns que exercem esse poder sobre nós e descaracterizam os verdadeiros sentimentos.


Marion Vaz




sexta-feira, 16 de março de 2018

Divorciada


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Todo mundo se casa com aquele sorriso no rosto e a esperança de uma vida à dois repleta de amor e felicidade. Não importa o problema que se tenha que enfrentar, o juramento para uma união eterna é: "Na saúde e na doença, na tristeza e na alegria...". 

De vez em quando a gente se lembra daquele momento mágico em que se apaixonou por alguém e pensou ser ele o príncipe encantado daquele conto de fadas que guardamos na memória. Tudo bem. Acontece com todo mundo. Com o passar do tempo o príncipe vira sapo e donzela um espantalho. A carruagem vira apenas uma abóbora e os fieis escoteiros em ratinhos correndo para todos os lados para bem longe.

O divórcio na verdade, não é nada demais. Apenas um rompimento de contrato e daquele padrão de vida que, dependendo do tempo que se ficou casada, a gente estava acostumada a ter. E pra muita gente é um alívio se livrar do marido ou da esposa, principalmente se já tiver alguém na "pista". 

Embora que hoje em dia seja algo normal e aceitável se divorciar, dependendo é claro de alguns aspectos, na época que eu me divorciei foi um verdadeiro e cruel episódio. A separação aconteceu muito rápido e eu me neguei a acreditar que o meu sonho dourado chegou ao fim. Ficou aquele clima de perda, de culpa, decepção, arrependimento, frustração que aos poucos foi se transformando em raiva. Ainda mais que a outra parte se adaptou rapidamente a nova vida e nova esposa. 

Se você foi criado num padrão religioso sabe que divórcio não faz parte do "plano de salvação". Na verdade fiquei meio perdida mesmo, sem rumo, sem contato com alguns amigos e parentes que literalmente viraram a cara pra mim. Parecia que ser divorciada era como ter uma doença contagiosa. E não pense que estou exagerando não. Manter a vida religiosa então virou um martírio porque as pessoas não aceitavam que se podia ser boa mãe, honesta, religiosa, eficiente no trabalho se a gente fosse uma mulher divorciada.

Mas lá estava eu "divorciada de papel passado" e com três filhas pra criar, desempregada e sem pensão alimentícia afrontando o "Sistema"  todos os domingos.

Mas foi um episódio em particular que me fez cair na real. Depois do período da frustração, passei pelo da raiva e transformei a vida do meu Ex num inferno. Aí me conformei que ele realmente tinha se apaixonado e merecia ser feliz. Parei de brigar pela pensão alimentícia e de pedir pra ele se mais atencioso com as filhas. Afinal, era muito patético ter que exigir de um pai que ele fosse amoroso com as filhas já que ele tinha outra família.

O certo mesmo é o Ex arcar com parte das despesas e ajustar a sua vida para dar mais atenção aos filhos. A nova esposa devia ser mais coerente e mais receptiva nesse tipo de situação. Mas na maioria das vezes, o casal se separa e quem constituiu uma nova família se esquece da anterior.

Quando me dei conta de que tinha que seguir em frente conheci uma pessoa que pareceu bastante cordial. Nos encontramos duas vezes e num dado momento ele me revelou que não queria compromisso com uma mulher divorciada e com três filhas. Pensei: Essa pessoa sou eu! Depois do primeiro choque, fiquei olhando a criatura e pensando: Que cretino! Após todas as explicações sem lógica dele, respondi com toda a educação: Eu sou uma mulher divorciada e com três filhas. Não me telefone mais, não me procure e não me tenha por sua amiga! Fim do relacionamento. Depois de dois meses ele me ligou e pediu desculpas pelo que havia dito. Respondi: Tudo bem. Mas não vamos ser amigos. 

Claro que não estava tudo bem! Enquanto o meu Ex se estabelecia em sua nova família e parecia estar muito feliz, eu assumi todas as responsabilidades de uma casa, que não se resumem apenas em contas à pagar, tinha que alimentar três crianças. assistir ao crescimento, saber lidar com as emoções, frustrações ou realizações de cada uma, conviver com as diferenças de temperamento e adicionando a tudo isso ter equilíbrio emocional mesmo me sentindo só e desamparada. Porque a solidão não era um momento ou outro, mas passou a fazer parte da minha vida, do meu dia a dia.

E aquela frase: Divorciada e com três filhas ficou gravada na minha mente. Essa era a minha condição, não apenas um estado civil. As pessoas me olhavam e não viam uma mulher, uma amiga, uma pessoa. Elas viam a minha situação financeira e as dificuldades que eu teria pela frente. Foi uma fase muito ruim. Confesso. Mas o tempo passou, minhas filhas cresceram, se formaram na faculdade, uma casou e me deu uma netinha linda. As outras duas estão trabalhando e estudando e eu, mesmo com esse status estou aqui, de pé, confiando no amanhã.

Quanto ao relacionamento do meu ex com as meninas melhorou bastante nos últimos anos e acredito piamente que foi graças a intervenção divina. Parece que agora ele quer recuperar o tempo perdido. Isso é bom. E sinceramente, é bom sim pra ele e para as meninas que se sentem amada pelo pai. Agora ele percebe que faz sentido tudo o que eu dizia que iria acontecer quando se aproximasse das filhas, a troca de valores, a cumplicidade, o carinho e os momentos em família. Porque afinal de contas ele se divorciou de mim, não das filhas.

De tudo isso me resta entender que a gente não pode mudar o passado então melhor seguir em frente. Só falta descobrir como...

Marion Vaz

domingo, 16 de outubro de 2016

Lidando com a decepção

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O ser humano tem aquele dom de acreditar nas pessoas. Por mais que pareça improvável, a gente sempre pensa no lado bom da vida, das situações, das atitudes de um amigo de trabalho. Apostamos no amor, na amizade, nas boas intenções, para sobreviver neste mundo caótico em que por mais que você se esforce para vencer os obstáculos sempre vai tropeçar numa mentira, num mal entendido, numa artimanha criada pelo seu concorrente. 

Para vender mais e conquistar um número superior de clientes no Mercado, as empresas oferecem vantagens, ideias e até sonhos. Um grupo de especialistas em marketing fabricam comerciais tão bons que convence você a comprar algo que nem precisa. E muitas vezes a gente fica decepcionado por não poder usufruir das vantagens como foram apresentadas.

Nos relacionamentos não é diferente! Você conhece alguém que te oferece amor eterno, pouco tempo depois se decepciona. No início tudo são flores, o amor é lindo, parece que vocês nasceram um para o outro. O tempo passa e na realidade o gatinho vira um leão, ou até um monstro, os sentimentos mudam, a raiva aflora e a princesa vira uma gata borralheira com cheiro de fritura. Se o casal tiver problemas financeiros então, a situação pode sair fora de controle. Porque um não vai querer assumir as dívidas do outro.

Em resumo: Você se decepciona quando cria algum tipo de expectativa irreal em relação a alguém, algum evento, trabalho ou função específica que poderia ser uma boa fonte de renda. Não estou afirmando que a pessoa deva duvidar o tempo todo de todo mundo. E também não precisa sofrer com antecedência. Como diz a Bíblia: "Basta a cada dia o seu mal" ou seja, viva um problema de cada vez.

Mas as decepções acontecem com mais frequência do que desejamos. Pode ser entre os membros de uma família, no rol de amigos, no ambiente de trabalho, na mesa do bar, no dia a dia entre os vizinhos, Em algum momento você vai ficar decepcionado e até mesmo frustrado porque alguém em que você "colocou todas as cartas" não agiu como deveria, não tomou a decisão mais correta, se demitiu sem pensar nas consequências, não te ligou para dar satisfação, não lavou a louça que estava na pia da cozinha, gritou um palavrão porque o tênis estava molhado, e por aí vai, uma infinidade de aborrecimentos que entristecem e colaboram impiedosamente contra o nosso bem estar.

Ok. Concordo que tem algumas coisas que machucam mesmo, mas também é óbvio que você pode se livrar de alguns pesadelos quando aceita que uma pessoa não é tão perfeita como deveria ser. O que destrói não é apostar em alguém, criar expectativa, mas achar que se pode mudar tudo, que se pode mudar o mundo sem sofrer danos colaterais! Precisamos entender que existe um processo em andamento. Assim, há coisas que mudam a curto prazo, coisas que mudam a longo prazo e coisas que nunca vão ser diferentes! Alguém pode mudar em diversas áreas e naquela que te irrita, não - Só pra contrariar kkkk!

Por outro lado tem gente com ideia fixa em transformar, refazer, aprimorar, repete a mesma frase cem vezes e depois reclama de uma dor de cabeça que não passa! Saiba relevar certas coisas, esperar que as mudanças aconteçam e não deixe que uma decepção te impeça de sonhar, de seguir em frente! 

Esta semana li uma frase muito interessante que assumi como meta de vida: "Não se deixe despedaçar para manter os outros inteiros" Um Zé Alguém.



Marion Vaz