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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

D-us de Abraão




 Quem realmente pode afirmar que conhece D-us?

É notório que Ele se revela através das obras da criação como o Universo, a Natureza e o próprio homem. Basta olhar a imensidão de um céu estrelado numa noite, para se ter certeza que existe um ser superior que criou todas as coisas.

Mas esse mesmo D-us, eterno, criador, onisciente, onipresente e onipotente também se revela a nós, pequenos e insignificantes mortais. E às vezes, de forma tão real que ficamos assombrados.

O artigo de hoje fala sobre essa manifestação do Ser Supremo aos homens que fizeram da história bíblica um caminho firme e sustentável de fé. Exemplo esse que atravessou os séculos e chegou até nós.

Diante da grandiosidade da história de alguns desses homens compreendemos como é fácil e indispensável vivermos hoje, conscientes não só da existência de D-us como também vivenciarmos uma comunhão maior com Ele.

 
 
A comprovação da existência de D-us não era uma preocupação dos escritores do Antigo Testamento, visto que profetas, reis, homens simples ou ricos sempre ouviam  D-us falar com eles.

Mas chegou um determinado tempo que D-us resolveu revelar-se a um homem  – Avran (Abrão) e fazer dele uma grande nação que perpetuaria entre os povos a existência de um único D-us.

No meio de um mundo pagão o povo hebreu insistia que somente o seu D-us era poderoso e real. Na diversidade de crenças dos povos da Antiguidade afirmavam que só havia um único e verdadeiro D-us.

A Abraão o Senhor se manifestou como o Todo Poderoso, o El Shaddai. Mais tarde, através de Moisés seria conhecido como Senhor – Adonai.

Ao se comunicar com Avran, as condições impostas foram estas: “Anda na minha presença e sê perfeito”(Gn 17 1).  A relação do patriarca Abraão com D-us tornou-se um exemplo específico de religiosidade.

Em todas as partes do mundo a Bíblia é proclamada e explicada como parte integrante da vida espiritual de cada pessoa. Mas eu pergunto: O que havia de tão especial nesse homem para ser escolhido como pai de uma grande nação?  Observando os textos bíblicos encontramos a resposta.

O episódio do sacrifício de Isaque transformou-se no patamar da fé. Avran é mencionado nos livros que compõem  a Bíblia como um verdadeiro “herói” da fé. Mas as características desse patriarca já apareciam desde os primeiros passos dessa longa caminhada com D-us.

Não me admira o fato do Senhor tê-lo chamado de amigo (Is 41.8). E numa situação em que decidiu destruir as cidades de Sodoma e Gomorra, o Criador dos céus e da terra, resolveu também avisar a Abraão suas intenções.

A história e o diálogo que observamos no texto mostra claramente um relacionamento íntimo com D-us. Essa experiência também foi vivenciada por Isaque e por Jacó, com quem o Eterno renovou o Pacto da Aliança e trocou-lhe o nome assim como fez com Abraão.

Outros personagens bíblicos também mostram tal comunhão e convivência com D-us. O que nos leva a uma indagação: Por que os homens de hoje tem tanta dificuldade de falar com D-us? Quais os empecilhos que atrapalham essa comunhão? Por que não ouvimos mais a voz do Criador? Quantas pessoas vivem atordoadas em suas vidas quando a resposta está em ouvir o Senhor e seguir suas diretrizes? 

As respostas são diversas e tornaram-se temas de várias obras literárias quando a solução está no próprio homem e sua (in) ou capacidade de entender as propostas do Senhor para sua vida.

O Eterno  sugeriu a Abraão:  “sai da tua terra, do meio da tua parentela para a terra que te mostrarei...” Uma decisão simples? Não! Uma decisão que exigia compromisso? Sim! De ambos os lados! Abraão olhou a sua volta, ponderou tudo o que poderia perder, pensou em tudo o que deixaria para trás e achou que valia a pena seguir as ordens de um D-us que ele mesmo nem conhecia direito. Detalhe: e seguir para uma terra estranha!

Você acha mesmo que o homem de hoje é capaz de fazer tal escolha? Nunca! As palavras de ordem são: Coerência - Segurança econômica e pessoal – Comodidade – Acessibilidade – Lucro! E receptividade vem muito depois...

Na verdade o que o D-us de Abraão queria era cumplicidade!   Talvez o leitor tenha ficado confuso agora. Mesmo porque essa palavra é usada na maioria das vezes de forma negativa. Ser cúmplice de alguém pode ser algo perigoso. Concorda?

Mas a cumplicidade entre D-us e Abraão foi algo benéfico para o nosso patriarca. Podemos observar isso naquela conversa sobre a posse do território em Gn  13.17. Não percebo qualquer preocupação com os demais povos que ali habitavam.  A ordem foi dada “percorre a terra no seu comprimento e na sua largura, porque a ti a darei”! Avran não contestou.  Cumplicidade. Quando os Bney Yaacov  chegaram para tomar posse da promessa feita ao patriarca o território também estava ocupado. Mas o povo de Israel tomou posse da terra!

E hoje, como está nosso relacionamento com D-us? Qual o grau de cumplicidade? D-us passou de amigo a um ser distante?  Uma incógnita?  Inacessível? 

Qual a sua preocupação com a vontade Dele para com a sua vida? Você consegue ouvir D-us falar?  O que falta?  Tempo? As preocupações da vida sufocam a Palavra de D-us no dia a dia? 

Poderia continuar citando inúmeras desculpas para justificar nosso comportamento em relação a D-us. Mas acho que você já entendeu!


Marion Vaz

 

 

 

 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sansão - A Restauração de um Herói Falido

                          


Heróis e Vilões

     Ao falarmos de um herói da história bíblica como Sansão, devemos ter em mente que não estamos falando apenas de um homem, ou de um caso isolado. A restauração de um homem nesse contexto é também a restauração de um povo. As palavras do Anjo afirmaram que “Ele começará a livrar a Israel das mãos dos filisteus”  (Jz 13.5).

     Sansão foi escolhido desde o ventre de sua mãe para ser nazireu de Deus. O menino cresceu forte e corajoso e numa época em que os filhos de Israel eram constantemente ameaçados pelos filisteus. Sansão julgou sobre Israel por um período de vinte anos.

     Com a sua força era capaz de ferir mil homens (15.15), gostava de brincar de enigmas, e um deles desencadeou vários problemas familiares. O declínio de Sansão não começou quando ele conheceu Dalila como se pensa, mas quando ele deliberadamente rompeu o pacto de nazireado com Deus.

    “Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura” - Pelo voto de nazireado Sansão estava proibido cortar o cabelo ou de tocar ou até aproximar-se de um cadáver, no entanto, ele tomou os favos de mel na sua mão tirando o mel do cadáver do leão (14.9).

     Daí por diante, sua vida foi marcada por vários erros de ordem física e espiritual até culminar no maior deles, que o afastou definitivamente da presença de Deus. 

     Assim, entendemos que as grandes falhas que cometemos em nossa vida são consequência de um longo período de desobediência. E que elas podem ou não resultar em uma queda repentina, mas em algum momento isso vai acontecer. Então é preciso avaliar nossas atitudes e o quanto elas são verdadeiras diante de Deus.


Errar é humano

     A Bíblia revela uma relação de nomes de heróis e vilões que fizeram parte da história sagrada, relação que pode ser ampliada quando se trata da História da humanidade.

     Na epístola de Hebreus, precisamente no capítulo 11 observamos os nomes dos Heróis da fé. Homens que marcaram presença pela maneira como se comportaram diante da sociedade obedecendo a Deus em todos os momentos.

    Mesmo esses homens e mulheres estavam sujeitos a errar. E o texto bíblico nos mostra algumas dessas falhas que podemos classificar de grandes e pequenas, mas algumas em grande escala que trouxeram consequências irremediáveis.

     Assim, encontramos Abraão e Isaque vivenciando o mesmo drama ao mentirem dizendo que suas esposas eram apenas irmãs. Sara recebeu uma advertência do anjo quando riu sobre a promessa de ter um filho em sua velhice. Raabe, que salvou os espias em temor ao Deus de Israel, era considerada uma meretriz. Josué devia orar antes de guerrear contra a cidade de Ai, mas não o fez. Davi, o homem segundo o coração de Deus, deixou-se levar pela beleza de Bate-Sebá.
        
O preço do pecado


    Sansão começou a brincar com o pecado, mentindo, fazendo aliança com outros povos através do casamento e por fim, quando foi até Gaza se envolveu com uma prostituta.
    
     Não satisfeito, enamorou-se de Dalila (Jz 16.4) e passou a visitá-la regularmente. Os anciões daquela região fizeram uma proposta irrecusável (vs 5) e a mulher elaborou um plano para descobrir o segredo da força de Sansão.

     Mas como alguém que não tinha o que perder, adormecia tranquilamente até que ela o despertasse (vs 14). Da última vez, o sono era tão profundo (talvez por causa de alguma bebida forte) que ele não percebeu que seus cabelos estavam sendo cortados (vs 19-20).

    O pecado não prejudica apenas aquele que pecou, mas em certas circunstâncias envolve as demais pessoas que convivem numa casa, numa família e até mesmo na vizinhança. Ele pode contaminar outros e levá-los a perdição eterna.

    O pecado deixa marcas terríveis na vida do pecador.  As cicatrizes podem ser física, emocional, mental e espiritual e algumas pode ser visíveis mesmo que o pecador tenha se arrependido. 

    Embora as relações com Deus possam ser restauradas, algumas pessoas são assombradas por seus erros por boa parte do restante de suas vidas. Mas...

“Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata eles se tornarão brancos como a neve, ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”
Isaías 1.18


Tempo de rir

     Mas todo pecado tem um preço e com Sansão não foi diferente. Mas boa parte da sua vida achou que era tempo de rir, de fazer piadas, enigmas, de zombar de seus inimigos.

    A força de seus braços intimidava-os, mesmo aqueles que tentavam persuadi-lo em alguma façanha. E sansão gostava disso, achava-se invencível, esperto, encantador.
      
     Talvez tenha sido por isso que se deixou envolver por Dalila que por várias vezes tentou persuadi-lo a contar o segredo. Ele ria e brincava, zombava dela e mentia de novo, talvez pensando nos carinhos que poderia receber da bela mulher.

     Tem gente brincando com o pecado, “beliscando” aqui e ali depois pedindo perdão ou seguindo em frente sem qualquer centelha de temor a Deus.

     Quem sabe não seja esse o mal da presente década? O descaso em relação à vontade e a santidade de Deus? Pessoas entrando e saindo das Igrejas sem compromisso com a sua Palavra, sem temor. Assim os homens pecam deliberadamente achando que não haverá punição, que não haverá morte e nem castigo eterno. Entretanto a advertência do apóstolo Paulo é esta: “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

      Honri e Fineias eram filhos de Eli e também eram sacerdotes, mas os seus pecados era muitíssimo grande aos olhos de Deus (1 Sm 2.17) “e não havia injustiça que eles não cometessem” e segundo Flávio Josefo eles exerciam uma “funesca tirania” [1]. Eli recebeu uma repreensão do Senhor porque conhecia todo mal que os filhos praticavam, mas não fazia nada (vs 29).

      Sansão também agia de forma irresponsável, brincando, mentindo, jogando com o poder e a força que o Senhor lhe tinha concedido. 

      Quanta gente brincando com os dons que recebeu do Senhor? Quantos desprezando os talentos, enterrando-os ou apenas ignorando-os.

      Mas como está escrito no Livro de Eclesiastes “Tempo de rir e tempo de prantear...” (3.4) e o tempo de Sansão lamentar estava chegando.

Brincando com a natureza humana

     A jovem Dalila insistia com ele para descobrir o segredo de sua força e por três vezes ele a enganou. Primeiros foram sete cordas de nervos, depois  cordas novas e depois as sete tranças em seus cabelos. Observe que ele usa o número sete várias vezes em sua brincadeira com Dalila quando essa numeração equivale à perfeição.

     Normalmente sete representa algo completo como na narrativa da criação, quando Deus termina sua obra e descansa no sétimo dia. Naamã teve que mergulhar por sete vezes no rio Jordão para ser curado de lepra (2 Rs 5.10). Jacó serviu a Labão durante sete anos por amor a Raquel (Gn 29.20). Os sacerdotes cercaram Jericó por sete vezes e no sétimo dia, rodearam sete vezes (Js 6.4).   
 
     Mas existem outros relatos bíblicos que retratam algo negativo: Caim seria vingado sete vezes (Gn 4.15). Maria Madalena tinha sete demônios antes de seu encontro com Jesus (Lc 8.2). Mas em Apocalipse encontramos o número sete determinando igrejas, selos, taças, anjos, candelabros, etc.

     Não estamos criando qualquer tipo de misticismo em torno dessa numeração, mas apenas analisando as atitudes de Sansão que brincou com a natureza humana, deixando-se amarrar com sete cordas de virmes frescos, sem se dar conta do que Dalila estava tramando, talvez confiando na sua força física. Por fim, ele chega próximo da verdade quando fala que a mulher deveria fazer sete tranças em seus cabelos para perder toda a sua força. 

     Aprendemos aqui que ele mesmo se traiu, deixando-se envolver pelo pecado da mentira, pelos argumentos da bela mulher, era divertido enfrentar seus inimigos todos os dias e vencê-los. Enquanto isso, os filisteus estavam cercando-o, colocando armadilhas, esperando pacientemente o momento propício para matá-lo.

      No Jardim do Édem, Eva ficou de longe olhando o fruto proibido, observando-o talvez achando que não havia mal algum em se aproximar só um pouquinho (Gn 3). Foi quando a serpente chegou sorrateiramente com suas perguntas e respostas sobre o mal e o bem, sobre ser igual a Deus. “Foi assim que Deus disse?” Indagou. Eva tentou argumentar, mas era tarde, a dúvida já estava alojada em seu coração. 
    
      Seria oportuno ou atrevimento perguntar ao amado leitor se existe (ou quais) áreas de sua vida que não se submetem a Deus hoje?
      Eva não pensou duas vezes quando o cheiro forte do fruto entrou em suas narinas e aguçou os demais sentidos além da simples curiosidade, então ela pegou o fruto e comeu e deu ao seu marido.

     Com relação a Sansão a Bíblia afirma que por vários dias Dalila insistiu no assunto e por tantas vezes que Sansão começou a ficar angustiado. Observe no versículo 15 que ela começa a fazer chantagem emocional. No versículo 16 vemos que “a sua alma (de Sansão) ficou angustiada até a morte”. 

     O pecado não desiste até que o homem caia em suas garras! A admoestação de Paulo é para fugir: da prostituição (1 Co 6.18), da idolatria (10.14), do amor ao dinheiro e toda sorte de “coisas” que possam  prejudicar a comunhão com Deus (1 Tm 6.11).

     A palavra sedução em sua origem tem uma aplicação negativa, ou seja, designa alguém que é levado para o lado, afastando-se de uma coisa boa e correta para algo vil, corrupto e inferior. Isso significa ser atraído para o mal. Sedutor é aquele (a) que seduz, atrai, encanta ou é capaz de persuadir por meio de astúcia.

     A história de Sansão nos ensina que devemos nos afastar de amizades que nos influenciem para o mal. Quantas pessoas, jovens ou adolescentes se envolvem com pessoas erradas e vivenciam situações adversas? Essa foi a ruína de Sansão. Ele era forte, mas a bela e jovem Dalila foi uma de suas fraquezas.

     E o homem forte cedeu aos caprichos da sua amada e revelou seu segredo. O texto bíblico afirma que Dalila não perdeu tempo, mandou chamar os chefes dos filisteus, recebeu o pagamento combinado e assim que Sansão adormeceu sobre seus joelhos mandou cortar os longos cabelos daquele que confiou nela (16.18-19).

      Sansão acordou de sobressalto com os gritos da mulher avisando da chegada dos filisteus. Ele pensou que mais uma vez poderia vencê-los, que podia contornar a situação.  Mas estava errado, pois “o Senhor se tinha retirado dele” (v 20). Sansão estava só, sem a proteção de Deus, e como ele mesmo tinha dito: “tinha se tornado fraco, e era como qualquer outro homem”. 

      O versículo seguinte nos informa o estado miserável e a vida de escravidão, o opróbrio, o sofrimento e a humilhação que o homem escolhido por Deus, o juiz de Israel, o homem mais forte da época passou a enfrentar, enquanto que Dalila desaparece do cenário.

      Mas os cabelos de Sansão voltariam a crescer e quando pedisse perdão a Deus por seus pecados teria sua força de volta. O que nos lembra que não importa o quanto o homem possa se distanciar de Deus, o Senhor deseja  restaurar a comunhão com ele. 
 
      O nosso Deus quer te erguer até a altura que você ocupava antes de pecar. Quer renovar as promessas, porque ainda é tempo de perdão.

Marion Vaz

Livro: A Restauração de Herói Falido




[1] JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus Ed. CPAD. 2004. Rio de Janeiro p. 275
 2  Imagens da Google.com/


sábado, 26 de março de 2011

Caminho de Daniel


 

“E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção de manjar do rei”

Não podíamos falar de renúncia sem observarmos o exemplo de Daniel: Ele resolveu no seu coração não se contaminar. Ele não fez alarde, não propagou sua determinação, a não ser para os chefes dos eunucos, mas resolveu com sigo mesmo. Isto é firmeza de caráter. Ele rejeitou o banquete que o rei oferecia. Foi uma resolução solitária, sem coação, sem obrigatoriedade, sem correntes.

Em toda história bíblica há homens e mulheres de caráter forte, vontade inabalável, raciocínio firme e indiscutível. Aos quais, D-us honrou, dando livramento. A fidelidade de Daniel não deixou brechas para seus opositores acha-lo em alguma falta, nem ocasião contra ele (Dn 6.4). Este versículo termina afirmando que “não se achava nele nenhum vicio, nem culpa”. Ele nos apresenta o caminho da vigilância e do autocontrole.

Notemos que os Impérios (também o Babilônico), tinham um período determinado para se estabelecer e para desaparecer. No apogeu, tinham poder para exilar os homens e conquistar suas terras, recebiam tributos, forçavam-nos aceitar sua cultura, idioma e crença. Em meio a toda opressão, Daniel e seu companheiros se opuserem a participar de seus cultos idólatras - Dn 1.16; 3.12.

É isto que o Senhor espera de nós, que rejeitemos firmemente o que o mundo nos tem oferecido. Quantos não percebem a sutileza de Satanás? Você já pensou que o segredo pode estar na soberania de D-us em nossas vidas e na determinação de sermos fieis a ele? Parece um caminho difícil de percorrer. Mas existem outros exemplos na Bíblia que nos ajudarão a tomar essa decisão. Prepara-se que agora vai esquentar!

E sete vezes mais!


Do Livro Razões de uma Caminhada de Marion Vaz

Caminho da Fornalha Ardente

“Não farás para ti imagem ou escultura, nem semelhança alguma do que há em cima do céu, nem em baixo da terra, nem nas águas debaixo da terra; Não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso...”
(Deuteronômio 5.8-9).

Esse Mandamento ou Mitzvah (Hb) dado a Moisés no monte Sinai percorreu várias gerações até chegar a fase mais crítica da história de Israel, o cativeiro. Ali, na Babilônia, três homens não se incomodaram com o decreto do rei Nabucodonozor, nem na sentença aos infratores. Diante da estátua de ouro ficaram em pé e não se curvaram para adorarem-na. Ouviu-se o som de trombeta e demais instrumentos musicais, houve alarido entre o povo, joelhos se dobraram perante a imagem. Mas Sadraque, Mesaque e Abede-Nego relutaram em seus corações a participar daquele culto.

Desde pequenos, foram ensinados nos mandamentos de Moisés, e que não havia outro Deus além do Deus de Israel. Estas palavras foram fixadas em suas mentes (Dt 6.4-7) durante a infância e a adolescência. Mesmo agora vivendo cerca de vintes anos na Babilônia, num ambiente espiritualmente hostil e totalmente oposto a sua pátria, e obrigados a usar um nome babilônico e a trabalhar para o rei, permaneceram fiéis a Deus.

Mesmo diante da presença constrangedora do rei (Dn 3.15), suas atitudes foram firmes, eram homens de caráter. Mas o que é caráter? É a firmeza de pensar e agir de acordo com as normas determinadas. Mas não é assim que muitos vivem. Alguns negam a fé quando se vêem constrangidos pelos amigos ou pelas circunstâncias.

Mas eu queria chamar a atenção para a declaração que os homens da nossa história fizeram: “ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei” (v 17). As fornalhas eram usadas na Babilônia para cozer tijolos, mas execuções nelas não eram incomuns. Verifique o capítulo 3.6 e também Jeremias 29.22.

O caminho de Hananias, Misael e Azarias não foi o caminho do desespero, da dúvida, mas sim da renúncia: “E se não (livrar) fique sabendo, ó rei, que não servimos a teus deuses, nem adoramos a estátua de ouro que levantaste” – Vs. 18 (grifo meu).

Reflexão:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”


Do livro Razões de uma Caminhada
de Marion Vaz

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Prato de Lentilha

Observamos no texto sagrado a história de dois irmãos que desde o vente da mãe já enfrentavam diferenças. Jacó e Esaú, filhos de Isaac e Rebbeca nasceram na mesma época, eram gêmeos. Mas havia uma profecia a favor de um e contra o outro. Diz o texto: “Duas nações há no teu ventre, dois povos. Um será mais forte do que o outro, e o maior servirá ao menor” Gênesis 25.23

Os dois jovens cresceram e Esaú tornou-se um grande caçador. Era o primogênito, o herdeiro das promessas do pai. E Isaque amava a Esaú. Jacó, porém era mais calmo, varão simples e habitava em cabanas e tinha o amor de sua mãe.

Jacó, cujo nome apontava para suas fraquezas, estava provavelmente sentado na porta de sua tenda cozinhando algo para comer. Esaú chegou cansado sem uma caça nas mãos e a fome tomando conta de sua razão. Aproveitando-se dessa fraqueza do irmão, Jacó ofereceu um prato de lentilha em troca da primogenitura. Este, de bom grado, não recusou a comida.




Chegado os anos de velhice de Isaque, os olhos faltaram à visão e apenas pelo tato podia diferenciar os filhos, pois Esaú tinha o corpo coberto de pêlos e Jacó tinha a pele mais fina. Temendo o fim de seus dias, chama seu primogênito para trazer uma boa caça e assim preparar-lhe um almoço decente.

Conhecendo as intenções do marido de abençoar um dos filhos, Rebeca chama o filho amado e propõe enganar Isaque. Ela fez uma comida saborosa, cobriu o corpo de Jacó com pele de cabrito para que o pai não pudesse notar a diferença. Com as roupas de Esaú, Jacó recebe as bênçãos do primogênito segundo os costumes da época.

O final da história é do conhecimento de todos. Esaú chega atrasado e descobre que o irmão o enganou de novo, a ele e ao pai. Seu coração se enche de ira e ele deseja a morte de Jacó. O jovem enganador tem que deixar a casa da família e fugir para bem longe.

O relato acima é descrito na Bíblia e assim inicia-se a trajetória de Jacó em direção a vontade de Deus. Hoje, a maioria das pessoas recrimina o jovem Jacó por tudo o que foi mencionado: Sutileza, engano, rebeldia, provocação, dissensões familiares, decepções... Quantos erros! O típico caso de rejeição caso o Senhor Deus não tivesse planos para sua vida e sua descendência. Jacó casa-se com duas mulheres: Lea e Raquel que lhe dão filhos e assim formam as doze tribos de Israel. Essa troca de nome oferecida por Deus também é um marco significativo na história.

Voltemos ao início do artigo para o bom e saboroso prato de lentilha oferecido em troca da primogenitura de Esaú. Sem atropelar todas as discussões teológicas a respeito desse assunto, pensemos que o próprio Esaú não tinha o menor interesse nas bênçãos e direitos da primogenitura. Se não, não teria se desfeito dela. O próprio texto bíblico indica que todo o seu orgulho estava naquilo que fazia de melhor: a caça. E com elas os pratos que preparava que tanto cativava a atenção do pai.

Jacó não, para ele a primogenitura tinha valor, por isso a queria tanto. Não para agradar aos homens, mas a Deus. E a partir daí todos os passos de Jacó o levam ao cumprimento da vontade do Eterno em sua vida. Esaú continua sua trajetória e torna-se um príncipe habitando nas montanhas de Seir. No final da história perdoa o irmão e os dois sepultam o pai.

As lentilhas vermelhas são até o dia de hoje um alimento favorito naquele território, onde é preparada com cebolas, alho, arroz e azeite de oliva. Ocasionalmente lhes adicionam carne.


O prato de Lentilha pode significar hoje qualquer atalho ou atitude que tomamos para impor nossa vontade e consequentemente, rejeitar a intervenção de Deus em nossa vida, assim como fez Esaú.


Marion Vaz