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domingo, 20 de janeiro de 2013

Identificando o Cristo




Ao cumprir seu ministério terreno, Jesus confirma sua natureza divina através de pregações, curas e milagres. A multidão que o seguia recebia além do perdão dos pecados, a cura para suas enfermidades. Os discípulos eram testemunhas dos seus feitos. Mas em certo momento Jesus surpreende-os com uma indagação: Que dizem os homens ser o Filho do homem? (Mateus 16.13).

O que queria o Jesus com tal pergunta? Seus atributos divinos não lhe permitia conhecer todos os pensamentos dos homens? Sabia quando estavam sofrendo (Mt 17.17), com medo (v 7), sem fé (Mc 4.40), quando os curava (Lc 8.46). Ele conhecia suas necessidades (Mt 6.25), suas dúvidas, enfermidades e angústias (Lc 7.13).

O que nos dá a entender que Jesus queria mais do que uma simples declaração. Observemos a pergunta feita a Bartimeu: O que queres que eu te faça? E o que dizer da pergunta feita a Filipe antes da multiplicação dos pães e peixes: Onde compraremos pão para estes comerem? E aos fariseus indagou: É lícito fazer o bem no sábado?

Tanto os conhecia que fazia afirmações quanto ao seu caráter (Mt 23.27), bondade e fé (Lc 7.9) e dignidade (Jô 1.47). Além disso, também era conhecido de todos. O príncipe Nicodemos chamou-o Mestre (Jô 3.2), para a mulher samaritana era um profeta (Jô 4.19) e para o cego Bartimeu era o Filho de Davi (Lc 18.39). Tais afirmações representavam uma declaração de fé.

Visão Humana

Mas o que responderiam os discípulos? Atônicos disseram o que já tinham ouvido da multidão que seguia por toda a parte: Alguns dizem que és João Batista, outros dizem que és Elias. A quem diga que és Jeremias!

Quando os homens andam a certa distância de Jesus perdem a referência e passam a vê-lo como uma pessoa comum, no máximo um profeta. E Jesus sabia disso. Alguns apenas ouviram falar de Jesus, de seus feitos, mas não queriam o compromisso de segui-lo.

Essa visão humana que tinham a seu respeito não era novidade para Jesus. O que ele queria era provocar os discípulos, queria uma declaração autêntica daqueles homens que seguiam ao seu lado há tanto tempo. Homens que ouviam a sua voz. Estariam eles receptivos aos seus ensinamentos?

Mediante tais declarações, Jesus interrompe os comentários dos discípulos fazendo outra pergunta agora num sentido mais pessoal. Queria a opinião deles: E vós? “Quem dizeis que eu sou?”


Visão Espiritual

Um grande silêncio envolveu a todos. Provavelmente eles se entreolham procurando palavras para descrever o seu Senhor...

O que poderiam parafrasear a respeito de Jesus que já não tivessem dito e ouvido: Rabi? (Mestre) Homem de Nazaré? Homem da Galileia?  As palavras faltam.

Pedro, desinibido e impulsivo que era, quebra o silêncio para falar em nome dos demais. Queria expor seus sentimentos, como naquela noite de mar agitado, quando pediu a Jesus que fosse ter com ele andando por cima das águas (Mt 14.28). No momento em que muitos dos discípulos abandonaram a caminhada com Jesus, este perguntou se eles também queriam deixá-lo. É Pedro quem faz a mais linda das declarações que passaria a ser repetida por muitos fieis através dos tempos:

-  “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!” (Jo 6.68).

Agora, aquele discípulo cuja vida seria marcada por uma negação, responde a inesperada pergunta de Jesus:

- “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”.

A resposta alegra tanto o mestre, que de imediato faz dela a Verdade na qual edificaria uma Igreja, que não nasceu, como muitos presumem, após a sua morte. Nasceu ali mesmo, naquele momento. E Jesus mesmo declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Depois do exposto acima, resta-me uma pergunta:  E vós que dizeis a respeito desse Jesus?


Marion Vaz


Obs: A palavra Igreja (português) vem do grego εκκλησία [ekklesia] e latim ecclesia -  Assembleia, Comunidade.

A palavra escolhida pelos autores da Septuaginta (a tradução grega da Bíblia Hebraica) para traduzir o termo hebraico usado entre os judeus para designar a assembleia geral do "povo do deserto", reunida ao apelo de Moisés.

No contexto bíblico, o termo igreja pode designar reunião de pessoas, sem estar necessariamente associado a uma edificação ou a uma doutrina específica.

Etimologicamente a palavra grega ekklesia é composta de dois radicais gregos: ek que significa para fora e klesia que significa chamados.

No texto bíblico, no "Novo Testamento", a palavra Igreja aparece por diversas vezes, sendo utilizada como referência a um agrupamento de cristãos e não a edificações ou templos, nem mesmo a toda comunidade cristã em alguns momentos.




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O que seria um Jesus Zumbi?



A divulgação de imagens, opiniões, artigos, sites ou qualquer outro tipo de informações pela Internet, tem seu lado bom e suas discrepâncias. Ao navegar, o internauta fica surpreso com a quantidade de pensamentos informatizados que trafega diariamente, mas também tem que se preparar psicologicamente para encarar as mais variadas e indescritíveis ideologias. 


Ao me deparar com uma determinada comunidade no Orkut, resolvi pesquisar sobre o assunto e o que encontrei assume, no melhor dos casos, total falta de reverência a religião dos outros. Não que isso venha a afetar a crença de alguém que tem sua fé alicerçada em D-us e em seu filho Jesus Cristo. 








E talvez esse não seja o objetivo do autor da site/blog, mas, você vai concordar comigo que esse “Jesus Zumbi” é no mínimo muito estranho. (Sem ofensas!)

"As imagens de Jesus como um morto-vivo que, ao invés de curar enfermidades, faz brotá-las nas pessoas, e outras aberrações mostram um Jesus zumbi que mata as pessoas de maneira bíblica: botando coroa de espinhos, transformando água em sangue, multiplicando peixes, dando lepra. A história também envolve um pastor televisivo e um carpinteiro [também com traços do Senhor] que vai combater o Jesus do mal."


 
A pior delas (na minha opinião) é a imagem de Jesus deitado numa espécie de manjedoura, sendo que seus pais, José e Maria, ao invés de adorá-lo, estão praticamente comendo partes do corpo do filho. 



Certo apresentador de televisão ficou muito irritado ao ver uma determinada  propaganda que se utilizou da pintura da “última ceia” e ao invés de apresentar Jesus e seus discípulos, mostrou várias mulheres em trajes de banho. Isso porque ele não viu a imagem abaixo que representa o versículo bíblico “...Tomai, comei, isto é o meu corpo que é partido por vós..." (1 Co 11.24).




A ideia se espalha e “aprisiona” adeptos em suas tatuagens. Existem objetos a venda que expressam a nova ideologia e até uma página no Twitter.






Abusando da liberdade de expressão desse veículo de comunicação, também queria deixar registrada a minha crítica e o meu descontentamento com o desrespeito a Palavra de Deus. Mesmo porque, o livre-arbítrio que o próprio D-us deu ao homem, não representa uma liberdade isenta de consequências, mas um meio de sermos e podermos representá-Lo aqui na terra.

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisto pensai”.
Filipenses 4.8


Marion Vaz

Fonte: http://desmorto.com/o-nascimento-do-jesus-zumbi/
          www.google.com/



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um homem cansado


Uma viagem através daquela região que separava a Judeia da Galileia não era de fato confortante, mesmo para um viajante de trinta anos de idade. Quando observamos Jesus sentado próximo a um poço, perto da cidade de Sicar, entendemos que ele não estava apenas faminto, visto que seus discípulos tinham ido comprar comida, mas também podemos afirmar que estivesse muito cansado.

Samaria - uma cidade fundada por Onri ficava num monte comprado por dois talentos de prata (1 Rs 16.24). Era habitada por uma mistura de gentes desde que as Tribos do Norte foram levadas ao cativeiro (2 Rs 17.24). Esses colonizadores mantiveram a crença em seus deuses e costumes diferentes dos judeus. Segundo os registros bíblicos houve diversas mortes até que o rei da Assíria autorizou a ida de sacerdotes para que ensinassem o povo a adorar a Deus e assim aplacar a ira do Senhor (vs 27). No entanto, o povo cultivava também a adoração aos seus próprios deuses, imagens de escultura (vs 40- 41).

Na época de Neemias, sacerdotes de Jerusalém chegaram a Samaria e  foram bem recebidos. Na época de Jesus, a cidade mantinha uma independência financeira e religiosa. Interpretavam a vontade de Deus, adorando-o no seu próprio templo e ensinando seus costumes às gerações futuras. A rivalidade entre judeus e samaritanos prevalecia e o desprezo por parte dos judeus chegava ao ponto deles “não se comunicarem com os samaritanos”, ou seja, não havia comunhão entre os dois povos.

O próprio Jesus em um de seus discursos recomendou aos seus discípulos que não entrassem nas cidades dos samaritanos (Mt 10.5), mas que buscassem primeiro as ovelhas perdidas da casa de Israel. Certamente isso evitaria contendas sobre religiões. Mas daquela vez, “era-lhe necessário passar por Samaria” (Jo 4.4).

Essa necessidade pode ser interpretada de duas maneiras: do ponto de vista espiritual ou territorial. Jesus sabia que encontraria ali, uma alma sedenta. Por outro lado, o caminho mais curto para a Galiléia passava pela província de Samaria, embora muitos judeus preferissem usar outra via de acesso, atravessando o Jordão.

Eu quero chamar sua atenção para uma das “chaves” do evangelismo que Jesus nos apresenta: é tão importante falar a uma multidão, quanto falar a uma pessoa somente. Em muitos casos, essa segunda opção podia produzir tanto ou maior resultado, dependendo apenas da receptividade do ouvinte.

Lá estava Jesus, sentado junto ao poço aguardando à chegada da mulher samaritana. O episódio registrado por João dá-se por volta da hora sexta. Um homem cansado, com sede, inicia uma conversa pedindo um pouco de água.

Quantas vezes fugimos de nossa responsabilidade e perdemos oportunidades preciosas com a desculpa de estarmos demasiadamente cansados? Quem ainda não vivenciou uma situação como esta: estamos voltando do trabalho, visivelmente cansado. Entramos numa condução, escolhemos um lugar junto à janela e simplesmente fechamos os olhos durante toda viagem! Interessante não é? Às vezes nem nos damos conta de quem ou quantas pessoas sentaram ao nosso lado durante o trajeto.

E no supermercado? Alguém já se imaginou falando de Jesus naquela imensa fila do caixa depois de transitar com aquele carrinho pelos corredores lotado de gente? Estamos preocupados se a lista de compras está completa. E naquele tumulto na hora do embarque da barca? Impossível! Depois de um dia inteiro de trabalho? Não! Definitivamente eu realmente estou muito cansado!

Eu poderia citar muitos outros exemplos que ocupam o nosso dia a dia e com certeza o amado leitor se incluiria em algum deles. O certo é que o cansaço tem dominado a vida de muita gente. Ele é culpado pelo nosso mau desempenho nas tarefas da igreja, ele impede que alguém vá ao evangelismo numa tarde de domingo. Alguns crentes já chegam tão cansados aos cultos que não se dispõe a dar glória a Deus.          

Imagine caminhar quilômetros por um território atravessando montanhas, vales, contornando esse ou aquele monte? Passando por cidades e vilarejos ou longas distâncias despovoadas, sob sol quente, apenas para conversar uma pessoa? Agora pare um pouco e pense nas facilidades do século vinte e um? Você ainda está cansado?

Então se prepare para uma abordagem diferente. Neste texto bíblico Jesus nos mostra com seu exemplo, a urgência de se falar a respeito do reino de Deus e da salvação aos pecadores.

Imagine que a longa caminhada de Jesus tenha chegado ao fim. Os pés empoeirados, a garganta seca, fome... Finalmente ele pode parar um pouco e descansar assentado numa pedra junto a um poço. De imediato ele manda os discípulos a cidade comprar comida e ele fica só. Talvez quisesse realmente ficar sozinho, afinal, como falam aqueles discípulos! Talvez ele quisesse um tempo a sós com o Pai! De repente, surge uma mulher, ele não podia perder aquela oportunidade e colocar a culpa no cansaço.


Marion Vaz

Texto extraído do livro Párabola do Semeador de Marion Vaz


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

“Não ousou ser igual a Deus”



O texto bíblico de Filipenses 2.6 afirma a posição de Jesus em relação ao Pai e que ele sendo Deus não ousou ser igual a Deus. Dentro dessa perspectiva observamos nos discursos de Jesus aquela preocupação de dar toda honra e glória a Deus, orando a Deus antes de efetuar alguma cura, ou da multiplicação dos pães e peixes. Enfim, desde o início de se ministério terreno até a sua morte, e morte de cruz, Jesus rendeu ao Pai toda a glória que lhe era devida.

Interessante o fato de que para os cristãos Deus é trino, ou seja, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito, o que difere e muito da religião judaica que só admite um Deus único. Tanto que a base da religião é o Shema: “Ouve o Israel, o Senhor nosso Deus é um” (Dt 6.4). A palavra hebraica utilizada (Echad) não deixa margens para dúvidas.

Estudiosos da Bíblia afirmam que a presença desse Deus trino se manifestou em diferentes estágios da História da humanidade: Deus Pai na criação e na maioria dos fatos narrados no Antigo Testamento, Deus Filho no Novo Testamento, durante o seu ministério terreno, mais precisamente nos livros do Evangelho de Mateus, Marcos, Lucas e João. 

Após a morte e ressurreição de Jesus e sua ascensão, o Espírito de Deus passaria a acompanhar os discípulos do Mestre e a Igreja que se formaria no decorrer dos anos. A atuação do Deus Espírito deu-se no Dia do Pentecoste, quando todos que estavam orando num determinado lugar na cidade de Jerusalém foram então batizados com Espírito Santo. O relato pode ser encontrado no livro de Atos 2.

Com o Cristianismo se estruturando através das doutrinas administradas pelos apóstolos e demais pais da Igreja, no decorrer dos anos passou-se a ter em mente as funções específicas  do Deus Trino, que na opinião de muitos não são três deuses, mas um único Deus com características e personalidades expostas no Pai, Filho e Espírito.

Hoje, é costume mencionar a presença do Filho em quase todos os eventos descritos no Antigo Testamento em virtude da doutrina do Trino Deus, a começar pela expressão: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” descrita em Gênesis 1.26. 

Esse “legado”, ou seja, essa inserção da presença de Jesus em episódios do Antigo Testamento quando na verdade apenas Deus Pai estava presente, virou a febre do momento. Por diversas vezes presenciei isso acontecer. 

O fato de Deus ter exaltado Jesus e colocado seu nome sobre todos os nomes para que fosse proclamado por toda a terra, como implica o versículo, não nos dá o direito de substituir a glória de Deus!

Quantas orações são feitas e nem se sabe a quem estão dirigindo a palavra? Todas as orações deveriam ser feitas a Deus em nome de Jesus, mas na maioria, as pessoas se confundem e repetidamente invertem os nomes no meio das orações. 

Não estou com isso desmerecendo o nome de Jesus, pelo qual se pode expulsar enfermidades e demônios. Não!  O nome de Jesus tem poder! Quando usado de forma correta. A simples ideia de que Deus é Onisciente e conhece os corações e “sabe o que queremos antes mesmo de pedirmos”, já é suficiente para que o crente seja relapso em sua atitude de oração e devoção!

Nosso artigo de hoje tem a finalidade de advertir os crentes quanto a esses erros frequentes que às vezes encontramos em hinos, pregações e explanação da Palavra de Deus.

Ao expor o texto bíblico, faz-se referência a Jesus e não a Deus, ou usa-se o termo cristão para personagens tipicamente judaicos como, por exemplo: “Toda a vida cristã de Nicodemos...” alguém acrescentou ao seu sermão.

Outro caso interessante de inverter a glória de Deus quando alguém cita um período da história de Israel descrito no AT pra fazer uma ponte até o NT, e simplesmente diz que foi Jesus que atuou: “Jesus curou Naamã” (?). Um hino lindíssimo traz essa frase: Jesus nunca abandonou um filho seu. (?). Os filhos por adoção são de D-us e co herdeiros com Cristo!

Poderia citar também a dificuldade que se tem de compreender as atitudes do povo de Israel sem conhecer o contexto político, social ou espiritual da época, referente ao texto que se está lendo. Mesmo porque hoje se tem toda a história, mas naquela época os hebreus e posteriormente judeus estavam apenas vivenciando passo a passo sem saber o que aconteceria mais adiante! Com base nas informações que se têm hoje, muitos crentes criticam Israel e isso é errado!

Se o próprio Jesus “não teve por usurpação ser igual a Deus” e diversas vezes em seus discursos deu glória ao Pai, porque hoje estamos agindo assim? O certo é que ao ascender aos céus e o mesmo foi profetizado por fiéis, Jesus assentou-se a destra de Deus (ao lado) e ainda pelos santos intercede (a quem?) ao Pai!

Pela sua maneira de agir, o próprio Pai deu ao Filho a glória que lhe era devida, “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus e na terra e debaixo da terra” Fil 2.10. Agora observe o versículo sequinte: “E toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” Quantas vezes você ouviu esse versículo na integra?

Que D-us a todos abençoe em Nome de Jesus! Amém!


Marion Vaz


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Conto Não chores

Em suas caminhadas pelo imenso território da Galileia, Jesus percorria as cidades fazendo discípulos por onde passava. Um aglomerado de gente seguia após ele, faziam perguntas, ouviam suas explicações, suas parábolas. Não havia um só lugar em Israel que não tivesse ouvido falar de Jesus e de sua mensagem. Às vezes, e de tanto chamar a atenção do povo, alguns sacerdotes e doutores da Lei tinham inveja dele. Outros ficavam curiosos e procuravam falar com ele, mesmo que escondido como no caso de Nicodemos.

Até as crianças corriam para abraçá-lo, ficavam correndo em volta dele a ponto de jogá-lo no chão. Alguns dos discípulos não tinham tanta paciência assim e tentavam afastá-las. Mas Jesus acariciava seus cabelos e as abençoava. Às vezes, sentava numa pedra a beira do caminho só para conversar com meninos e meninas.

Os discípulos diziam que o mestre estava cansado e que não era hora, que viessem depois, mas Jesus estava sempre pronto a abençoar as crianças.
- Pedro! Você já foi pequeno. Deixe vir a mim os pequeninos!



- Desculpe mestre. Só achei que...
- Venham crianças, vou contar uma história. Mas façam silêncio! Pediu.

Logo estavam de volta as suas caminhadas visitando os vilarejos, Jesus ensinando, curando e falando do reino de Deus. Naquele dia, já estavam caminhando há algumas horas e as pessoas saiam ao encontro dele e por onde Jesus passava um grupo juntava-se a outro.

Mas quando chegaram próximo a uma cidade chamada Naim, todos ouviram um lamento e grande choro. Olharam para frente e viram um grupo de pessoas que andavam bem devagarzinho. O olhar atendo de Jesus caiu sobre uma mulher. Amparada por outras a viúva caminhava com um pano que cobria a cabeça, o vestido velho e escuro mostrava que não tinha posses. Pobre mulher com seus olhos avermelhados, uma dor no peito e a angustia de quem perderá seu único filho!


Nos lábio que se mexiam murmurava um lamento e caminhava, passo a passo, em direção a saída da cidade. A sua frente alguns homens levavam o esquife.




Na estrada vinha Jesus com seus discípulos e aquela grande multidão que o acompanhava. Todos estavam sorrindo, alegres. Alguns haviam sido curados e vinham glorificando a Deus pelo caminho e testemunhando os feitos de Jesus. É verdade que alguns seguiam com a multidão por pura curiosidade. Queriam ver milagres. De repente, ouviu-se um lamento em alta voz. A pobre mulher não podia mais suportar em silêncio tanta dor.

O choro chama a atenção de Jesus e aproximando-se do cortejo, com seu coração cheio de compaixão, olhou para a senhora de semblante cansado. Ela que já havia perdido o marido, e agora o filho, seu único filho também tinha morrido. Então Jesus falou calmamente: Mulher não chores!

A mulher olhou para o estranho a sua frente. Como não chorar? Como não sentir tristeza por ver a vida se esvair? O que fazer com aquela dor da separação, com as incertezas do futuro, com a solidão? Agora que estava tão velha, com suas mãos já cansadas para o trabalho, a pele enrugada, o rosto franzino e o seu filho, motivo de suas alegrias, a esperança de uma velhice tranquila, esta li, pronto para descer à sepultura. E aquele homem dizendo pra não chorar? Jesus entendeu cada lamento de dor e disse novamente:
- Não choreis.

As pessoas olhavam sem entender muito bem, ao sinal de Jesus os homens que levavam o defunto colocaram o caixão no chão. A multidão que lamentava o morto queria ver o que Jesus faria.


O homem da Galileia tocou no morto e falou com autoridade.
- Mancebo! Levanta-te!







A voz de Jesus ordenou que a vida voltasse ao corpo, o rapaz fez um pequeno movimento e depois mexeu os braços, esticou as pernas. Depois balbuciou alguma coisa e sentou-se olhando para as pessoas que o cercavam.

Logo a voz saltou-lhe da garganta e chamou pela mãe. A mulher mal podia crer em próprios olhos. Ela correu e abraçou o filho, apalpou-o para ver se não era apenas um sonho. A multidão que chorava começou a ri e glorificar a Deus. Jesus ajudou o jovem a se levantar e entregou-o a sua mãe. A mulher chorou, agradeceu, chorou de novo. O jovem levou algum tempo para entender o que estava acontecendo.

Jesus continuou seu caminho, havia muitos outros milagres a realizar. Parte daquela grande multidão seguiu atrás dele. Enquanto os moradores de Naim exclamavam:
- Um grande profeta se levantou entre nós e Deus visitou o seu povo!



Marion Vaz

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O padrão de Liderança de Jesus

Ao ler sobre assunto, recorri a outros livros que falam sobre o ministério de Jesus e a liderança que exerceu sobre os discípulos. Importante ressaltar que a matéria em si tráz excelentes ensinamentos para líderes cristãos e o que vou expor aqui, não é uma crítica, mas pequenos apontamentos sobre o assunto.

A primeira impressão que se tem quando se fala de liderança é que o líder deve ser alguém capacitado e pronto a exercer sua força de persuasão sobre os liderados e também para aqueles a quem deseja liderar.

Encontramos na História uma lista de homens que, por sua competência, foram tidos como verdadeiros e grandes líderes mundiais. Muitos para o bem, mas, infelizmente, alguns para o mal.

No caso do mestre Jesus é nos Evangelhos que encontramo-lo com seus discípulos. Em seu livro O Líder que Deus usa, Russell P. Shedd retrata o assunto com propriedade e diz que “a escola de discípulos que Jesus fundou foi ambulante”, sua proposta de aprendizado não tinha uma prioridade acadêmica, mas a formação do caráter, da lealdade e do serviço ao Senhor.

Para tal propósito, Jesus teria escolhido pessoas comuns como pescadores e colhedores de impostos e não clérigos. A observação do escritor é que “fariseus e sacerdotes, cheios de preconceitos,(expressão usada pelo autor)não eram maleáveis”. Assim, pessoas de classes mais simples estariam propensas a aceitar os conceitos e ensinamentos de Jesus.

O autor do livro não deixa de ter razão! Ao observarmos os textos bíblicos nos deparamos com inúmeras pessoas necessitadas que seguiam a Jesus aonde quer que ele fosse. Muitas delas tocavam em seu corpo para obter curas, outras só para ouvirem suas mensagens e admirando sua eloquência. Assim, temos os “homens comuns” separados como discípulos de Jesus e aprendendo dele para uma missão que se iniciaria após a morte do Mestre.

Embora a maneira como o autor se reportou aos judeus não tenha soado bem aos meus ouvidos, ele não deixa de ter razão ao fato de que mudar a mentalidade de anciões, sacerdotes, fariseus e escribas não seria uma tarefa muito fácil. Por isso que, quando Jesus era interceptado por algum desses, e alguns até mesmo com boa intenção em suas indagações, havia confronto, havia debate, questionamento sobre esse ou aquele ponto da Lei.

Infelizmente, e até de forma global, as passagens bíblicas que mostram esse tipo de confronto são apresentadas conforme o perfil do pregador ou ensinador que, muitas vezes, anula o contexto sociocultural da época e retrata os acontecimentos como se fosse implicância dos judeus com Jesus, ou até mesmo para testar sua Deidade (embora que, para os judeus, Deus era o único Senhor).

Às vezes, o confronto, a discussão era realmente acirrada e, se formos imparciais, vamos entender que Jesus perdia a paciência. É só ler Mateus 23 que vemos claramente que no auge da discussão Jesus começa a gritar: hipócritas, raça de víboras, etc. A menos que o leitor ache que Jesus falou tais palavras calmamente da mesma forma como recitou as Bem aventuranças!

Mas logo no início do Evangelho de João encontramos um doutor da Lei chamado Nicodemos afirmando ser Jesus “um homem vindo de Deus” e reconhecendo suas obras.

O interessante é que realmente havia conflito quando o Mestre Jesus esbarrava num “clérigo”, num ancião, sacerdote ou fariseu, cujo entendimento da Lei era maior do que dos “homens simples” escolhidos para discípulos ou que estavam entre a multidão.

Então pensei que existem dois fatores em relação a não ser “maleável” , e quanto a ser discípulo. Vejamos:

- Os clérigos – Tinham sua própria mentalidade quanto aos assuntos referentes à Lei e não seriam facilmente persuadidos. Esse seria o ponto positivo. É importante se ter consciência daquilo que se crê e ninguém pode dizer nada ao contrário dos judeus. Venceram reinos, impérios e toda sorte de atrocidades e mantiveram sua crença, suas tradições.

O lado negativo, o que também pode acontecer com qualquer pessoa, é ficar irredutível, completamente avesso a qualquer tipo de mudança.

- Os discípulos – Quanto a esses homens simples que lidavam com a pesca diariamente, ou eram tido como pecadores por serem publicanos e demais homens que ingressaram ao convívio e formam os doze discípulos de Jesus chamados de “leigos”, segundo as afirmações do nosso autor, eles “tinham menos resistência aos conceitos ensinados por Jesus” e facilmente recebiam suas mensagens. Assim Jesus formava caráter e uma nova mentalidade. Isso é bom!

Um exemplo prático dessa afirmação está no relato de Israel no deserto. O povo que saiu do Egito tinha uma mentalidade passiva, quatrocentos e poucos anos no Egito, sob o julgo da servidão transformaram os hebreus em covardes! É por isso que vemo-los varias vezes, obstinados em voltar para o Egio, qualquer dificuldade era tida como uma tragédia e logo gritavam: Vamos morrer!

Para herdar a Terra Prometida (habitada por outros povos) teriam que guerrear com força, garra e determinação. Por isso foi moldada uma mentalidade nova nos jovens que cresceram durante a trajetória no deserto! E uma consciência da herança que Deus havia prometido a Abraão, Isaque e Jacó e que agora eles teriam que tomar posse através da guerra. A recomendação de Deus para Josué foi: “Sê forte e corajoso...” Não havia espaço para os covardes! Assim, aa areias quentes do deserto viram meninos se transformarem em homens fortes e corajosos.

Quanto aos discípulos Jesus estava lidando com “leigos”, mas também com pessoas sujeitas aos seus ensinamentos, capazes de aprender e que admiravam o seu Mestre! Discípulos que assimilavam a medida do possível, tudo aquilo que Jesus lhe fazia entender e assim, ao longo do tempo, teriam suas próprias convicções acerca de Jesus e do Reino de Deus. É importante ressalta que, embora "leigos" em algumas questãos referente a Lei, os discípulos cumpriam as ordenaças de Deus, participavam das festas religiosas e outros costumes como nos indicam os textos bíblicos.

O lado negativo – Generalizando é claro - o problema de não ter um conceito próprio a respeito de qualquer ensinamento bíblico ou sobre a própria vontade de Deus, é que o homem pode simplesmente adotar a visão de outrem. Pode se tornar uma caricatura do pseudo-mestre. Passa a pensar igual, desejar as mesmas coisas, adota os mesmos hábitos e até a mesma maneira de falar, roupas, entonação da voz. E não me venha dizer que nunca viu algo parecido! A pessoa perde a sua individualidade!

Mas Jesus estava formando pessoas de caráter, seguidores, imitadores, com os mesmos sentimentos e reações referentes à vontade de Deus. É diferente! Porque os discípulos cresceram espiritualmente, foram fiéis ao seu Mestre, mas eram pessoas com suas próprias características, não eram robôs!

O que me chama atenção no texto é que de uma forma ou de outra, Jesus, como líder, alcançou seus objetivos. Alcançou os “leigos” e alcançou os “clérigos”, mesmo que alguns não tenham “alcançado” a essência dos ensinamentos de Jesus.


Marion Vaz

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa - Morte e Ressurreição de Jesus Cristo


O Domingo de Ramos é a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém.


É também a abertura da Semana Santa. Nesse dia, são comuns procissões em que os fieis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os evangelistas, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos.

Entrou na cidade como um rei, mas sentado num jumentinho - o símbolo da humildade - e foi aclamado pela população como o Messias e Rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de Davi!" Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição.

A Páscoa Cristã celebra então a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Um episódio marcante descrito nos quatro Evangelhos e que dá início a primeira fase do Cristianismo. Assim, a morte de Jesus é a prova do amor de Deus para com a humanidade perdida e através do seu sacrifício salvífico o acesso irrestrito a presença de Deus.

Assim, conta-nos os autores dos Evangelhos como Jesus foi julgado, condenado e através das ordens dadas por Pilatos, ele é espancado, humilhado, arrastado pelas ruelas de Jerusalém até chegar no local indicado para crucificação, o Gólgota.





Ali, Jesus sofreu o mais terrível dos castigos: sem qualquer constrangimento, soldados romanos continuam o ritual da crucificação usando pregos e martelos para imobilizar o condenado e pregando seus pés e mãos na madeira da cruz. Depois, seu corpo é erguido no centro do monte, ao seu lado estão outros dois condenados.

A narrativa bíblica mostra que tal condenação (morte de cruz) era algo comum imposto pelo próprio Império romano que dominava toda aquela região. No entanto, a morte de Jesus passa a vigorar no sentindo espiritual como sacrifício pessoal para remissão dos pecados. É através da fé no sacrifício de Jesus e no seu sangue derramado que os cristãos têm a certeza do perdão de Deus para os seus pecados e a cura para suas enfermidades.

Assim, as dores insuportáveis, o sangue que já cobria o corpo de Jesus por causa dos açoites e outros tipos de espancamentos, escorriam e cobria o chão, a coroa de espinhos cravada na cabeça, os olhos esbugalhados e sem expressão, o próprio corpo despido, as últimas frases ditas por Jesus, as pessoas que assistiam aquela terrível cena e nada podiam fazer, são descritos em poesias, hinos e apresentados em cantatas e no cerimonial da santa ceia nas igrejas. Ao último suspiro e com essas palavras: “Está consumado” Jesus morre.

Ás vésperas do shabat, dois homens entram para a história, José de Arimateia e Nicodemos, ao pedirem o corpo de Jesus para ser enterrado num local adequado.

Mas a história do homem Jesus não termina quando seu corpo é colocado num sepulcro. É certo que as próximas horas mostram a dispersão dos discípulos que, sem qualquer entendimento, lamentavam a morte do seu Mestre. Alguns viajaram para outras regiões, outros se esconderam temendo sofre as mesmas acusações, outros se lamentavam e choravam.

Ao despontar o primeiro dia da semana, as mulheres que foram ao sepulcro, ficaram surpresas ao ver a pedra removida. Exposições paralelas do texto bíblico a parte, Jesus aparece a Maria Madalena que reconhece seu mestre e passa a ser uma mensageira das boas notícias aos discípulos.

Apressadamente, alguns correm até o lugar para saber o que realmente havia acontecido. O texto no Evangelho de João (20.8) é claro quando diz que esse discípulo entrou e viu o lugar vazio e creu.




A partir desse episódio, os textos bíblicos indicam as várias aparições de Jesus aos seus discípulos em locais diversos e suas conversas e que cada um deles tem uma atitude diante dos fatos. O certo é que a ressurreição passa a vigorar como um alicerce para a nova fé que aos poucos começava a crescer. De uma simples seita dos Nazarenos chegaria ao Cristianismo de hoje.

Em seu artigo O poder da Ressurreição, Dave Hunt comenta:“a Ressurreição não é apenas um evento histórico do qual nos lembramos com satisfação e alegria.




Mas também o maior acontecimento da história (passada, presente e futura) de todo o cosmos! O maior evento de todos os tempos no universo é também um dos mais difíceis de entender. Nós falamos sobre esse acontecimento de uma forma extremamente trivial, mas ele é o pivô em torno do qual toda a história se articula e que a dividiu para sempre (a contagem do tempo) em duas partes.

 A divisão do tempo não deveria ser apenas a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo); deveria ser a.R. (antes da Ressurreição) e d.R. (depois da Ressurreição)”.

Assim, dois episódios bíblicos importantes são lembrados nessa época: enquanto os judeus comemoram o Pessach (páscoa judaica) que festeja a saída do povo de Israel do Egito, neste domingo todos os cristãos comemoram o episódio que pode ser chamado de a coroação da páscoa cristã: A Ressurreição de Jesus.



Marion Vaz

Ver artigo no link abaixo:
 http://www.chamada.com.br/mensagens/ressurreicao_de_cristo.html

sábado, 5 de março de 2011

Quem matou Jesus Cristo?



“Papa Bento XVI fez uma desoneração ampla do povo judeu pela morte de Jesus Cristo em um novo livro, abordando um dos temas mais controversos do cristianismo.” 1



A notícia que repercutiu no Jornal Haaretz e em todos os noticiários do mundo isenta o povo judeu (como um todo) pela morte de Jesus.

Em seu livro Jesus de Nazaré o Papa Bento XVI ofereceu uma meditação muito pessoal sobre os primeiros anos da vida de Cristo e seus ensinamentos. Esta segunda parcela, que será lançado 10 de março, diz respeito à segunda metade da vida de Cristo, sua morte e ressurreição.

Benjamin Netanyahu, Primeiro Ministro de Israel, enviou uma mensagem ao papa na quinta-feira dizendo: "Eu o elogio por rejeitar vigorosamente em seu último livro uma acusação falsa que deu origem ao ódio contra o povo judeu por muitos séculos"

Em 1965, o Concílio Vaticano já havia publicado um documento conhecido como Nostra Aetate, que rejeitava completamente a ideia da culpa judaica pela morte de Jesus e condenava qualquer afirmação de que os judeus era um povo rejeitado por Deus. Tal declaração deve ter tido como base Isaías 41.1 "Assim diz o Senhor que te criou o Jáco e que te formou ó Israel: Não temas porque eu te remi, chamei-te pelo teu nome, tú és meu"


Analisando os quatro Evangelhos que retratam a vida de Jesus em suas diversas fases, reparamos que todas as passagens sobre a crucificação apontam como agressores físicos de Jesus os soldados do Império romano. (ver Mt 27.26-37; Mc 15.15-24; LC 23.33-38; Jo 19.23-24).

O fato de lavar as mãos também não isenta Pilatos de sua parcela de culpa!

Observe que em todas as traduções feitas ao longo dos anos para qualquer idioma, sejam em versões corrigidas ou atualizadas, todas as atrocidades cometidas contra Jesus foram feitas por soldados romanos. Foram eles que, por ordem de Pilatos açoitaram, cuspiram, lincharam, humilharam, crucificaram, usaram pregos em suas mãos e pés, colocaram coroa de espinho, ofereceram vinagre, repartiram suas vestes e tripudiaram sobre o condenado e para se certificarem, que estava realmente morto, furaram seu lado com uma lança! E fizeram isso sem qualquer constrangimento!

A morte por crucificação era comum em todo Império, por isso além de Jesus havia outros dois homens na mesma situação. Quem eram eles? Quais os seus nomes? Eram judeus? Tinha algum familiar por perto? O texto bíblico não exprime qualquer comoção com o sofrimento deles! A minha versão diz que eram malfeitores. Todo relato se concentra apenas em Jesus e toda interpretação bíblica gira em torno de sua obra salvífica!

Assim, mesmo que toda responsabilidade tenha sido repassada para a "aristocracia do Templo em Jerusalém e as massas que preferiram soltar Barrabás” conforme declaração papal, não se constitui culpa alguma ao Sinédrio, pois o Conselho composto de 71 pessoas que representavam a autoridade suprema no campo religioso, político e judiciário do povo judeu, estava convicto de seus direitos e deveres.

Embora membros da Corte Judaica tenham tido a iniciativa de levar Jesus a Pilatos para ser julgado e condenado por blasfêmia, pois na época os judeus embora gozassem de liberdade religiosa não tinham permissão para matar alguém e na hora da crucificação estivessem presentes, não há relato de que qualquer um tenha estado perto o bastante para tocar em Jesus.

É importante ressaltar que segundo as leis judaicas nenhum judeu praticante, ancião, doutor da Lei, sacerdote, levita, fariseu ou saduceu (termos utilizados no NT) tocaria num homem ensangüentado ou semimorto, as vésperas do Pessach! Segundo a Torah era estritamente proibido chegar perto de um morto como se lê em Levítico 21.4 e Números 19.11-15 com a penalidade de ter que ausentar das atividades do Templo até o prazo estipulado para purificação. Era véspera do Shabat! Véspera do Pessach!

Toda perseguição ao povo judeu com base na morte de Jesus (Deicídio) foi um ERRO alimentado pela interpretação errônea de textos bíblicos, pelo fanatismo de líderes religiosos e pelo anti-semitismo. Como os judeus haviam declarado:“o seu sangue (de Jesus) caia sobre nós e sobre nossos filhos”, até mesmo os primeiros apóstolos como Pedro (Atos 3.15) e Paulo (1 Ts 2.15) levaram suas acusações ao extremo. Também poderíamos citar Lutero em sua obsessão de converter judeus e todas as suas declarações maléficas e uma lista sem fim de inimigos da fé judaica que pode ser pesquisada na Google.

E já que estamos a um passo da verdade, se houve esse pecado o próprio Jesus na hora da crucificação intercedeu por todos clamando: “perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34). É interessante que tal declaração passe despercebida e que teólogos afirmem que o ladrão crucificado ao lado de Jesus recebeu o perdão dos pecados de imediato (Lc 23.43)!

Mas, deixando o ponto de vista histórico para entrar numa questão dogmática, é indiscutível que o Cristianismo está alicerçado no fato de que "Jesus se ofereceu como sacrifício vivo e agradável a Deus para salvação da humanidade". O versículo ícone da crença está em João 3.16 que diz que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que...” No capítulo 10 o próprio Jesus afirma que ele era o bom pastor e dava a sua vida pelas suas ovelhas (v 11), e que “...ninguém a tira de mim e eu mesmo a dou...” (v 18).

Esse sacrifício pessoal e intransferível pode se notar claramente no episódio da agonia no Jardim do Getsêmani (Mt 26.39), e que transformou-se na doutrina que rege a fé de milhões de pessoas: “Cristo morreu e ressuscitou para remissão dos pecados de todo aquele que crê”. Já em Apocalipse 13.8 lemos que “o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo” e o pecado de Adão trouxe morte espiritual a todos os homens (Romanos 5.12).

Interpretações ao longo dos textos da Tanach apontam que Deus instituiu Leis e sacrifícios de animais para aplacar sua ira e perdoar os pecados do homem. Já no Novo Testamento tais sacrifícios seria substituídos pelo de Jesus. Também é comum ouvirmos crentes em todo o mundo afirmarem: “Cristo morreu por causa dos meus pecados!”


Uma reportagem num jornal de grande circulação afirmava que Cristo havia morrido de enfarto! Arqueólogos em Israel descobriram um homem do século primeiro que devido ao tipo de enterro (parecidíssimo com o de Jesus) levou a suspeita de que Jesus era leproso! Afinal, o que ou Quem matou Jesus?

Com base em todas essas afirmações pergunto: Se tudo foi meticulosamente planejado por Deus, e se por causa do pecado do homem (que faz separação entre o Criador e a criatura) Jesus se ofereceu como sacrifício pleno, por que os judeus foram alvos de críticas e perseguições? Por que foram acusados sem terem culpa?

A morte e ressurreição de Jesus e a formação de uma nova religião monoteísta não deveria ser nenhum problema para a coexistência pacífica com Israel nos dias de hoje. Assim, acreditamos que a declaração do Papa Bento XVI só vem confirmar aquilo que está exposto na própria Bíblia.

A nossa esperança é que tais argumentos modifiquem a maneira de encararmos os textos bíblicos. Aí sim "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" do ódio, do preconceito, da intolerância religiosa, da ignorãncia e da falta de amor ao próximo! Aí quem sabe? "os teus pecados são perdoados"!?


O que nos leva ao segundo passo do nosso artigo: o respeito às tradições e a fé judaica. Israel prevaleceu contra seus inimigos ao longo dos anos e os judeus preservaram a essência do Judaísmo e sua fé no Deus Único.


Para aqueles que insistem nessa perseguição religiosa ao povo judeu não seria à hora de rever seus próprios conceitos? Trago a lembrança uma observação exposta no livro de Atos 5.38-39 e que é bem oportuna:

“...porque se esse Conselho ou essa obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não poderei desfazê-lo; para que não aconteça serdes achados combatendo contra Deus.”


Marion Vaz


1 Fonte: http://www.haaretz.com/jewish-world/

sábado, 12 de fevereiro de 2011

No caminho de Emaús

O texto do Novo Testamento relatado no Evangelho de Lucas (cap. 24) apresenta um episódio de intensa emoção, quando, Jesus se encontra com dois de seus discípulos no caminho para o vilarejo de Emaús. Os dois, entristecidos pelos últimos acontecimentos em Jerusalém, estavam com semblantes abatidos quando foram interceptados e questionados sobre o assunto.

Sem qualquer hesitação um dos discípulos relata o que havia acontecido ao profeta classificando-o de “poderoso em obras e palavras diante de Deus e do povo”, que foi condenado e morto. O relato dá ênfase ao fato de que já era o terceiro dia e eles tinham notícias de que algumas mulheres haviam ido ao sepulcro e outros discípulos também se dispuseram ir até para averiguar a história delas e que não encontraram o corpo de Jesus.

Era de se esperar que neste momento Jesus se apresentasse a eles, diminuindo-lhes o sofrimento, mas o viajante inicia uma longa explicação acerca dos textos escritos por Moisés e também dos profetas, esclarecendo tudo o que haveria de acontecer com o Cristo. A medida que ouviam sua voz, uma mistura de sentimentos os envolvia, mas que não sabiam como definir e assim ficaram em silêncio.

Com o declinar do dia entraram no vilarejo e convidaram o tal viajante a ficar com eles para jantar e descansar um pouco. O relato bíblico indica que no “partir do pão” reconheceram-no e alegraram seus corações acreditando que realmente o viajante era o Jesus ressuscitado. O viajante desaparece e eles voltam a Jerusalém para anunciar o acontecido. Lá confirmaram a notícia da ressurreição e que Jesus já havia aparecido a Pedro.

As ruínas de uma igreja do século XII, marca a aldeia de Emaús, para onde os dois discípulos estavam caminhando. Os enormes blocos de pedra da igreja, fora da estrada Jerusalém-Tel Aviv, é um cenário excelente para oração e leitura dessa história que percorreu os séculos e chegou até nós.

Há mais de um "Emaús" devido a diferentes distâncias de Jerusalém dado em várias versões de Lucas, eruditos cristãos acreditavam que era aqui, com vista para o vale de Ayalon (Josué 10:12)



Andar a pé na estrada na companhia de Jesus tornou-se um poderoso símbolo no Cristianismo para demonstrar uma vida religiosa e Emaús é um excelente lugar para se refletir sobre isso.

Marion Vaz

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Identificando o Cristo

Segundo os estudiosos da Bíblia, ao cumprir seu ministério terreno Jesus confirma sua natureza divina através de pregações, curas e milagres. A multidão que o seguia recebia além do perdão dos pecados, a cura para suas enfermidades. Os discípulos eram testemunhas dos seus feitos.

Mas em certo momento Jesus surpreende-os com uma indagação: Que dizem os homens ser o Filho do homem? (Mateus 16.13). O que queria o Jesus com tal pergunta? Seus atributos divinos não lhe permitia conhecer todos os pensamentos dos homens? Sabia quando estavam sofrendo (Mt 17.17), com medo (v 7), sem fé (Mc 4.40), quando os curava (Lc 8.46). Ele conhecia suas necessidades (Mt 6.25), suas dúvidas, enfermidades e angústias (Lc 7.13).

O que nos dá a entender que Jesus queria mais do que uma simples declaração. Observemos a pergunta feita a Bartimeu: O que queres que eu te faça? E o que dizer da pergunta feita a Filipe antes da multiplicação dos pães e peixes: Onde compraremos pão para estes comerem? E aos fariseus indagou: É lícito fazer o bem no Shabat?

Tanto os conhecia que fazia afirmações quanto ao seu caráter (Mt 23.27), bondade e fé (Lc 7.9) e dignidade (Jô 1.47). Além disso, também era conhecido de todos. O príncipe Nicodemos chamou-o Mestre (Jô 3.2), para a mulher samaritana era um profeta (Jô 4.19) e para o cego Bartimeu era o Filho de Davi (Lc 18.39). Tais afirmações representavam declarações de fé.

Visão Humana

Mas o que responderiam os discípulos? Atônicos disseram o que já tinham ouvido da multidão que seguia por toda a parte: Alguns dizem que és João Batista, outros dizem que és Elias. Há quem diga que és Jeremias!

Quando os homens andavam a certa distância de Jesus perdiam a referência e passavam a vê-lo como uma pessoa comum, no máximo um profeta. E Jesus sabia disso. Alguns apenas ouviram falar dele, de seus feitos, mas não queriam o compromisso de segui-lo.

Essa visão humana que tinham a seu respeito não era novidade para Jesus. O que ele queria era provocar os discípulos, queria uma declaração autêntica daqueles homens que seguiam ao seu lado há tanto tempo. Homens que ouviam a sua voz. Estariam eles receptivos aos seus ensinamentos? Mediante tais declarações, Jesus interrompe os comentários dos discípulos fazendo outra pergunta agora num sentido mais pessoal. Queria a opinião deles: E vós? “Quem dizeis que eu sou?”

Visão Espiritual

Um grande silêncio envolveu a todos. Provavelmente eles se entreolham procurando palavras para descrever o seu Senhor. O que poderiam parafrasear a respeito de Jesus que já não tivessem dito e ouvido: Mestre? Homem de Nazaré? Homem da Galileia? As palavras faltam.

Pedro, desinibido e impulsivo que era, quebra o silêncio para falar em nome dos demais. Queria expor seus sentimentos, como naquela noite de mar agitado, quando pediu a Jesus que fosse ter com ele andando por cima das águas (Mt 14.28).

No momento em que muitos dos discípulos abandonaram a caminhada com Jesus, este perguntou se eles também queriam deixá-lo. É Pedro quem faz a mais linda das declarações: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!” (Jo 6.68).

Agora, aquele discípulo cuja imagem seria marcada por uma negação: "Não o conheço!" é quem responde a inesperada pergunta de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”. A resposta alegra tanto o mestre, que de imediato faz dela a Verdade na qual edifica a sua Igreja que se formaria nos anos subseqüentes, da qual as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

E vós que dizeis a respeito desse Jesus?


Marion Vaz