sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O raiar de um novo tempo

Related image

Estamos nos aproximando do final de 2018. Um ano de muitas contradições se posso classificar assim. Pessoas bem otimistas  chamaram de o "ano da fé", outras de "ano de realizações". E como todo mundo fizemos muitos planos para 2018 e alguns se concretizaram, outros não. Talvez por nossa culpa mesmo! Afinal... Nos acomodamos durante os meses que se seguiram. Esquecemos de alguns projetos e no final das contas observamos que o tempo passou rápido demais.
 
Mas o certo é que, quando um ano se finda, colocamos todas as nossas expectativas no ano seguinte. E como se fosse uma tradição, renovamos votos e imaginamos os sonhos se realizando. E todos nós já fizemos isso, pelo menos uma vez. Parece que o ano que vem chegando traz consigo uma espécie de magia que nos envolve e nos faz acreditar que aquilo que deixamos escapar no anterior, vai se tornar realidade. Sofremos com o desfecho ruim, mas de certa forma nos inspiramos nos desafios que vamos encarar.  
 
Não posso dizer que 2018 foi de todo ruim. Alguns episódios foram bem perturbadores. Mas no final das contas serviram para me fortalecer. Destruíram algo de bom em mim? Destruíram. Mas me abriram os olhos para definir que nem todas as pessoas são confiáveis. Chorei muito? Chorei mesmo. Teve uma hora que pensei que aquela dor nunca iria embora. Errei? Errei. E algumas vezes de propósito! Mas me redimi. Confesso.
 
Conquistei algumas coisas em 2018? Conquistei! E com isso deixei uma porrada de gente com raiva? Deixei. Perdi algumas coisas? Perdi. Todo mundo perde algo de vez em quando. Mas quer saber? Nem era tão importante quanto eu pensava que fosse. Me arrependo de algumas coisas? Com certeza! Faria diferente? Se eu pudesse voltar no tempo...
 
Mesmo assim tudo o que eu quero agora é me despedir de 2018 sem mágoa, sem remorso, sem lágrimas nos olhos. Porque o que importa mesmo é viver a vida e ter esperança. É ser feliz. Independente do que está nos esperando lá na frente. 
 
Pense que "o tempo que a gente leva planejando o futuro nos impede de viver o presente" - acho que já li essa frase em algum lugar. E não importa o quanto meticuloso sejamos, algo pode dar errado sim. Faz parte. Algo pode nos magoar de tal forma que se tenha que mudar o próprio coração para continuar a viver. Faz parte. Alguns chamam de amadurecer aos cinquenta.
 
Então... Que venha 2019. Porque eu estou te esperando. Cheia de sonhos! Porque o que importa é abrir uma janela, um parênteses ou um buraco na parede que seja, para visualizar o raiar de um novo tempo.
 
Feliz Ano Novo.
 
 
Marion Vaz.
 
 
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Características de quem anda por fé e não por vistas


Resultado de imagem para candeia no velador

Antes de entrar no assunto, podemos definir que existem duas maneiras de se perceber as coisas que estão diante de nós. A pessoa que tem um olhar natural observa num plano horizontal, limitado. E desta forma não se consegue ver o "todo". Facilmente se coloca as expectativas apenas naquela parcela que está a sua frente. E como resultado dessa atitude a tendência é ficar preso às pequenas coisas e entender apenas parte do processo. E não importa se estamos lidando com problemas pessoais, no trabalho ou em família, o olhar natural nos restringe e delimita atitudes e decisões.

Mas o olhar do alto amplia sua visão. Experimente visualizar algo por vários ângulos e depois suba numa escada e tente observar melhor. Com certeza você notou uma diferença significativa e seu entendimento foi ampliado. Olhar do alto não te limita ao básico e agora você percebe o que está ao redor, a frente e na retaguarda. Além de ter uma visão melhor do problema, pode visualizar a solução.

"Porque vivemos por fé e não pelo que vemos"
2 Cor 5.7

Agora sim podemos te dar as cinco características de quem anda por fé e não por vistas:

1) Sabe muito bem quem é - Aquele anda por fé tem consciência de quem realmente é, sua essência, de onde vem. E saber o que realmente somos está diretamente ligado as atitudes que tomamos no dia a dia e as nossas escolhas. Um exemplo bíblico disso foi Daniel. Ele sabia muito bem qual era a sua origem (judaica/realeza).  Ele decidiu não se contaminar com porção das iguarias da mesa do rei. Este homem não foi coagido a fazer algo, mas o texto bíblico declara que ele mesmo confrontou seu coração e tomou uma decisão. Não se contaminar não era algo a se negociar, mas um propósito firme do seu coração.

2) Conhece o Deus que serve - Quem anda por fé tem que conhecer o Deus a quem serve. E isto está basicamente ligado a nossa posição diante das circunstâncias. E a pessoa sabe que existe um processo até chegar ao propósito estabelecido por Deus. Nosso exemplo maior: Profeta Elias. No confronto com os profetas de Baal sua atitude foi de fé, coragem e de quem sabia o que Deus iria fazer. Quem anda por fé e não por vista tem coragem de fazer o que ninguém faz e vê o que ninguém vê.

3) Entende que o propósito é muito maior - A pessoa não se prende as circunstâncias, sabe  que o processo é doloroso, não desiste e se mantém otimista. Sabe que o processo é demorado e que atalhos nem sempre são a saída mais rápida. Tem consciência de que durante o processo somos moldados. Entende que o fim sempre será melhor que o início. Nosso personagem bíblico da vez é José. As experiências no Egito foram marcantes, dolorosas, humilhantes, mas ele manteve sua conduta até que Deus cumprisse o propósito para sua vida. Contrariando todas as expectativas de escravo e prisioneiro José se tornou governador do Egito.

4) Conquista e prossegue em meio as adversidades - Quem anda por fé mantém a fidelidade em todas as situações. Adora a Deus pelo que Ele até o fim. Apega-se com firmeza a esperança sabendo que Aquele que prometeu é fiel para cumprir. Quem anda por fé mantém a integridade, mesmo em meio a dor, as perdas, as acusações. Jó perdeu tudo: seu patrimônio, seus filhos, sua herança, sua saúde. Ele tinha todos os motivos para blasfemar contra Deus como sua própria mulher sugeriu. Mas ele permaneceu fiel aos seus princípios. 

5) Contagia os que estão a sua volta - Quem anda por fé leva mais em consideração as bênçãos que recebe do que as coisas ruins que acontecem. Superar o passado e usa sua história como motivação. Andar por fé atrai muitas bênçãos que devem ser compartilhadas com aqueles que estão a nossa volta. E podemos ver isto na Mulher Samaritana. Aquele encontro com Jesus mudou a sua vida, sua perspectiva, mudou seu presente e seu futuro. Quem anda por fé deixa de ter um olhar terreno e para fixar os olhos nos céus. Esta mulher conheceu Jesus de uma forma inesperada e não guardou a bênção para si, ela correu até a cidade e compartilhou a notícia. 

Nosso olhar natural dificulta o entendimento da dimensão da obra que Deus tem a realizar em nossas vidas. As circunstâncias da vida terrena tentam nos fazer parar. Mas temos que usá-las como motivação para chegar ainda mais longe.


Texto de Gabrielle Vaz


Obs: O texto acima foi elabora numa pregação e Deus falou muito ao meu coração através dele e por isso resolvi compartilhar com vocês. E também me sinto honrada em dizer que Gabrielle é minha filha. E tenho visto como o Senhor tem ministrado na vida dela.




segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O grau de importância que você dá as coisas equivale ao valor delas?

Image result for setas

Não sei você, mas eu já percebi que as pessoas estão perdendo aquele dom natural de analisar o que realmente é importante e o que é descartável. Não sei se por conveniência ou por hábito, juntamos mais "tralhas" em nossos cômodos do que  eles suportam. As casas estão amontoadas de objetos, roupas, sapatos, brinquedos, móveis e tantas outras quinquilharias que se foi comprando ao longo dos anos e que por alguma razão, não se quer jogar fora ou passar adiante para quem realmente precisa.

Em relação aos sentimentos há uma confusão de valores. E por mais que tenha em mente os bons conselhos sobre relacionamentos e famílias, os "ficantes" só querem mesmo é uma "aventura". Quem já está sozinha há muito tempo como eu, pensa duas vezes antes até de olhar para quem quer seja, porque não sabemos como anda a cabecinha da criatura. Se você apenas foi gentil com alguém a pessoa logo se retrai. Aconteceu comigo. Pensei: Só estava sendo gentil e hospitaleira. Porque também eu penso que um relacionamento pode nascer de um encontro casual, um sorriso, um gesto. Mas não quer dizer que as pessoas não possam ser amigas, conversar, trocar ideia, rir juntas, dançar... Qual o problema dessa geração de cinquentões?

Essa perda de noção do que é importante nos leva a caminhos tortuosos e contra versos que mudam a rotina, incorporam sentimentos, alteram o valor das coisas, absorvem como uma esponja o que é nocivo junto com o que é prazeroso. Estamos descolorindo o presente em virtude de qualquer passado nebuloso e não nos permitimos ser feliz, nem agora e nem no futuro. Estamos sobrecarregados de tarefas que minam as nossas forças e nossa capacidade de raciocínio lógico. Queremos o que é bom, com certeza. Mas o nosso "bom" é bom mesmo ou apenas um paliativo?

Essa semana presenciei uma cena que me deixou pensativa. Não eram nem oito horas da manhã e tinha uma moça no meio da rua gritando como se estivesse passando por algo desesperador. Pensei até que ela tinha sido assaltada ao sair no portão de casa para ir ao trabalho, já que ela estava de bolsa e toda arrumada. Tinha um rapaz de moto passando na rua e eu estagnei na calçada imaginando mil coisas. Será que foi assalto? O tal cara é um ex marido grosseiro e está perseguindo a mulher? Roubaram o carro e levaram até uma criança que estava dentro. Eu não sabia se seguia em frente ou se me escondia. E se o cara estivesse armado? A mulher com as mãos na cabeça gritava: Cadê ele! Cadê ele! - O homem na moto passou por ela e foi embora. Já descartei uma das hipóteses. A mulher correu em direção a outra rua e resolvi seguir o meu caminho, já com o coração acelerado por causa do susto e pela situação incomum àquela hora da manhã.

Apressei o passo e parei próximo a uma senhora que estava em pé no portão dela. Falei sobre o susto, que estava com pena da mulher e se tinha ou não sido um assalto. A senhora, muito calma por sinal, explicou que não era nada demais. Apenas que o cachorro dela que tinha fugido quando abriram o portão. Um cachorro? repeti ainda tentando me controlar por causa do susto. Tudo bem que ninguém tem culpá da minha imaginação fértil. Todo mundo tem o direito de amar seus animaizinhos de estimação.
- Pensei que era assalto - Repeti.
- Não. Foi só o cachorro que fugiu. Repetiu a senhorinha.
- Ele volta quando tiver fome - Falei com calma e segui meu caminho.

Pode rir se quiser. Ok. Não tem problema. Como já disse a mulher não tem culpa da minha imaginação fértil! Provavelmente ela perdeu a hora do trabalho porque tinha procurar o animal pelas ruas. Aos poucos meu coração foi desacelerando e eu fiquei pensando nessa valorização de coisas incomuns que exercem esse poder sobre nós e descaracterizam os verdadeiros sentimentos.


Marion Vaz




segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Filhos da Pátria


Image result for eleição 2018

Domingo é dia de eleição. Esse ano promete. 

E são tantas as promessas que eu fico imaginando porque ainda nos deixamos enganar?

Até pouco tempo atrás, muitos dos presidenciáveis eram desconhecidos dos eleitores, outros nem tanto. Mas mesmo assim considero uma incógnita essa idolatria da população em relação a alguns deles. Um em especial, depois de um acidente, virou o "salvador da pátria", o elo perdido, o deus todo poderoso, capaz de colocar o Brasil nos eixos, segundo muitos de seus seguidores.

Uma febre nacional  tomou conta das redes sociais, e de tal forma que fui obrigada a ficar em OFF. É muita idolatria! E digo isso porque as páginas do Facebook estão lotadas de #ele sim. E um número infinito de cristãos estão fazendo propaganda política gratuita, vestindo literalmente "a camisa" do prezado presidenciável. Tudo bem. Cada um vai votar de acordo com a sua consciência. Eu respeito. Mas precisa ser desse jeito? A impressão que eu tenho é que as pessoas respiram o ar do fulaninho. 

Muitos crentes vão deixar de votar no candidato Z porque tem medo que as propostas dele possam impedir o crescimento da Igreja do Senhor... Ah, Herodes... Você perdeu credibilidade... "Que povo é esse? Esse é o povo que vai morar no céu..." Desculpa, mas só sendo irônica mesmo - Independente ou apesar de quem estiver no poder, os propósitos da Deus não podem ser impedidos! Acorda! Sai do Facebook e vai ler a Bíblia! 

Não vou fazer propaganda de candidato A ou B porque não me coloco nessa posição há muito tempo. Primeiro, porque não ganho nada com isso. Segundo, porque nenhum deles sequer sabem que eu existo. Mas tem gente "pagando" vitória antecipada afirmando que o seu candidato é quem vai vencer a eleição, porque ele é o melhor. Ok. Pode até ser. Mas como se conhece alguém tão bem em tão pouco tempo? De repente, ele virou o amigo de infância do eleitor? Estranho.

Então eu me pergunto: Que credibilidade é essa que a gente impõe sobre outra pessoa, para que seja responsável pelo futuro dos nosso filhos e netos? O cara só vai ficar no poder quatro anos!!!! Ele não vai fazer absolutamente nada que não esteja na pauta!

Pensei que isso fosse coisa só de brasileiro. Essa inocência, essa crença, essa aptidão para se deixar iludir por campanhas em época de eleição, tanto quanto na época da Copa do Mundo em que juramos de "pés juntos" que o Brasil vai trazer a Taça!

Mas não. Lá no exterior tem um monte de gente que já deixou o país há muitos anos, já se repatriou e está movendo "céus e terra" para que o candidato X vença a eleição. Uma pessoa que mora em Jerusalém disse em rede social que "se fulano não vencer, nunca mais ele coloca os pés no Brasil" - Eu queria dizer pra ele: Pra que que você quer vir pra essa terra? Fica aí em Israel. Vai ser feliz!

Enfim, o verde amarelo está impregnado na vida diária dessa gente varonil. Os Filhos da Pátria estão ansiosos para votar, na esperança de decidir o destino do país. Gente crédula! Gente Feliz! Estou tão orgulhosa dessa gente... (risos).


Marion Vaz



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Achados e Perdidos


O primeiro pensamento de quem já perdeu algum documento, objeto ou qualquer tipo de pertence importante é procurar num local próximo ou no setor de achados e perdidos. Geralmente tem esse tipo de depósito numa empresa, num shopping, aeroportos ou repartições públicas. Caso a perda aconteça na rua, aí não tem jeito, tem que contar com a sorte mesmo e pedir a Deus para que a pessoa que encontrou o objeto entre em contato.

É no Novo Testamento que vamos encontrar três parábolas de Jesus falando sobre perdas. A parábola da dracma e da ovelha perdida e do filho pródigo (Lc 15). O pastor de ovelhas deixa seu rebanho a salvo e sai pelos vales a procura daquela que se afastou. Ao encontrar, trata as feridas e carrega de volta para junto das demais ovelhas.
         
A mulher percorre todos os cômodos da casa, ilumina os locais e varre o chão a fim de encontrar a dracma. O termo diligentemente usado no texto bíblico nos dá a ideia de que ela procurou com zelo e agilidade até achar. Ela não desistiu.
          
No caso do filho pródigo temos um relato mais extenso e detalhado. O filho mais novo decide por conta própria sair da casa do pai levando sua parte da herança e vai para um lugar distante. A má administração dos bens leva-o a falência total de tal forma que ele não tinha nem o que comer. A solução seria voltar para casa e pedir um emprego ao pai (Lc 15.18-19).
           
Três pontos marcam os relatos acima. Primeiro houve uma perda, um dano, um prejuízo. Segundo: As pessoas não se conformaram com o que aconteceu e se esforçaram em resolver o problema. Ninguém ficou se torturando com culpas ou palavras de depreciação. Embora que, no caso do filho, o pai esperou a porta da casa o retorno dele e quando o viu de longe correu ao seu encontro e o abraçou e beijou, tamanha a sua alegria ao ver o rapaz retornar com saúde (vs 27).
          
O terceiro ponto marcante é que ao achar o que se havia perdido, houve uma festa, uma reunião com amigos e parentes para celebrar o desfecho. Houve gratidão. O sentimento de perda, de decepção, de angustia se desfez e vitória que cada um obteve foi comemorada publicamente envolvendo as pessoas próximas a eles.
          
Infelizmente, muitas vezes, somos tão egoístas que nosso sentimento de gratidão a Deus fica resumido num simples “obrigada Senhor”. Não fazemos alarde das bênçãos que recebemos com medo disso ou aquilo. Dependendo do problema tem gente que chora “lágrimas de sangue”, pede oração, faz campanha, etc, mas ao receber a vitória não agradece.
          
Quando a benção é do próximo, o que prevalece mesmo é o “espírito” do irmão mais velho (vs 28). Indignado, nem queria entrar na festa e o ainda acusou o pai de assar um bezerro cevado e convidar tanta gente para festejar aquele retorno quando o irmão havia dado tanto prejuízo financeiro. Para o irmão mais velho o pai deveria valorizar mais o tempo de convivência que eles tinham (vs 29).
             
Já pensou que em algum momento da vida, também nos sentimos perdidos mesmo estando na Casa do Pai? Somos ingratos e indiferentes? Ciumentos e desmotivados em relação ao ministério que nos foi confiado?


Marion Vaz

terça-feira, 12 de junho de 2018

Ritmo da Vida



Image result for rotina

Já faz um tempo que tenho reparado como a vida pode ser monótona, principalmente quando repetimos as mesmas atividades todos os dias. Não é que isso seja de todo ruim, porque dependendo do que se faz ou se trabalha, não temos outra opção. O relógio desperta sempre naquele horário. Você levanta lentamente, se arruma, toma café ou não e sai naquele exato minuto já programado. Qualquer distração pode te atrasar e te fazer apressar o ritmo dos passos.

Na rua, ainda está escuro e as luzes dos postes estão acesas. Os mesmos rostos atravessam o caminho e aquele senhor parece estar sempre ali parado esperando o seu “bom dia”. Você atravessa a rua e apressa os passos porque já sabe até o horário das conduções e quem está esperando por elas. Aquele senhor idoso precisa de ajuda para dar sinal e não perder o ônibus. O moço no celular parece que está olhando o Google Maps. O céu fica mais claro e as luzes se apagam e a dúvida é cruel: Será que o ônibus passou mais cedo?

Os três rapazes de casaco azul e com capuz andam em fila indiana do outro lado da rua como se estivessem num comercial da Vivo (Hoje senti falta deles e fiquei preocupada). O homem que espera a condução especial que vai leva-lo ao trabalho fica sempre no mesmo local afastado do ponto. O senhorzinho de corpo magrinho e tênis nos pés está fazendo sua caminhada matinal. A jovem senhora com mochila nas costas vai andando até o próximo cruzamento, porque o ônibus dela só passa por lá. A senhora loura chega ofegante e vem andando rápido, porque ela sempre espera clarear o dia pra sair de casa porque tem medo de sair no escuro. E você percebe que já sabe todas as histórias.

O motorista te vê de longe e diminui a velocidade do ônibus e o seu “bom dia” é correspondido. Lá dentro mais rostos que você vê todo dia e nem sabe o nome de ninguém. A moça com neném no colo desce sempre em frente à estação. Mais três pessoas descem em frente ao Correio. Uma curva aqui, outra ali e de olhos fechados já sabe todo trajeto. A senhorinha com seus setenta anos e com um grande sorriso no rosto se diverte com a conversa fiada do motorista. Parecem amigos de longa data, só que não!”

Um a um os passageiros vão descendo. E um deles sempre chama o motorista pelo nome. Finalmente, você presta atenção e ele deixa de ser um estranho. Agora o condutor tem um nome: Gonzaga. No ponto final descem os últimos e você atravessa a rua e segue em frente já com a chave do portão nas mãos. Entra, verifica se tem cartas no portal e começa o expediente.

As mesmas atividades do dia anterior com pequenas diferenças ou agravantes, mas que vão ocupar seu tempo a manhã inteira. Você se irrita, diz que no outro dia vai agir diferente, mas nem percebe que está repetindo as coisas como se fossem importantes, quando na verdade, são apenas atividades rotineiras que possivelmente, nem sequer serão notadas.



Marion Vaz

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Obedecer sem questionar


Image result for abraao no deserto

Está aí algo que é impossível para a maioria das pessoas. Parece mesmo que obedecer cegamente a alguém, uma ideologia ou até mesmo a Deus, tira um pouco da nossa autonomia. E você pode estar se perguntando: Por que eu faria isso? Por que eu obedeceria uma ordem sem sequer perguntar porque, quando, pra que ou tem certeza?

Tudo bem. Nem sempre é fácil. Não estamos numa ditadura ou num quartel. Você tem o direito de questionar e saber se realmente o que estão te pedindo vai trazer algum benefício pra sua vida ou para a sua família.

Mas a atitude de um dos personagens da Bíblia me surpreendeu muito. Se você ler a história de Abraão vai entender que, tem momentos na vida, que precisamos acreditar cegamente em alguém. Não porque não temos confiança em nós mesmo, mas às vezes, por não ter opção. E com Abraão foi assim: Ou ele aceitava os termos de Deus ou continuava com sua vida na cidade de Ur dos Caldeus.

A promessa era de tirar o fôlego: Farei de ti uma grande nação! A exigência: Sai da tua terra, do meio da tua parentela, da casa de teu pai. O desafio: Vai para uma terra que eu te mostrarei!

Abraão não teve muito tempo para pensar, para avaliar a situação ou para planejar uma estratégia de viagem. Seria um longo ou um curto percurso? Que lugar era aquele para onde deveria seguir? O que encontraria lá? E se não desse certo poderia voltar, afinal Ur era uma cidade próspera? Será que ele pensou: E por que eu? O que tem em mim para ser o escolhido? E para ser uma grande nação? Eu nem tenho filhos! E finalmente a grande indagação: Quem era esse Deus que fazia promessas?

A maioria das pessoas não iria cogitar na possibilidade de tirar os pés da Mesopotâmia até se certificar de tudo! Mas Abraão não. Ele simplesmente obedeceu! E aprontou a sua comitiva e saiu para fora dos portões da grande cidade confiando nas promessas de Deus para sua descendência. Em Hebreus lemos que “Abraão sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança, e saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8). Tem momentos na vida que temos que fazer escolhas que vão alterar o nosso destino!

Image result for abraao no deserto

Observe o termo “saiu” – está relacionado à mudanças. Abraão saiu de sua cidade natal, de perto de familiares e amigos, do meio dos deuses que se adoravam ali, deixando para trás uma vida socialmente estruturada. A cada passo para frente o passado ficava para trás. Na verdade, era uma mudança radical para a qual nem todos nós estamos preparados, porque é bem mais cômodo ficar na famosa zona de conforto.

Então, duas coisas me chamam a atenção neste texto bíblico (Gn 12). Primeiro: Abraão foi escolhido pelo próprio Deus para dar início a uma nova geração de vencedores: O povo hebreu que ao longo dos anos se transformou no povo judeu. Israel hoje não é apenas um sonho, mas uma grande nação. Completamos 70 anos de Independência (1948-2018). A terra percorrida pelo patriarca (Gn 13.17) como se estivesse tomando posse de cada lugar faz parte do território israelense. O filho da promessa, Isaque, seguiu os caminhos de Abraão e repassou a herança para Jacó, cujos filhos se transformaram nas 12 tribos de Israel. As decisões de Abraão em obedecer a Deus e seguir em direção a Terra Prometida alterou a sua própria vida e a de toda a sua descendência.

A segunda coisa que chama a atenção é que ao obedecer, Abraão sentenciou a sua vida a uma vida de bênção. Apesar dele ter que enfrentar adversários, de ser provado, ter desavenças familiares e todo tipo de problema que podemos ler no texto sagrado, a promessa de Deus é que ele seria uma benção!

Observe que Deus diz que Abraão seria abençoado, teria o nome engrandecido e a nação que nasceria dele seria grande e que as bênçãos que viriam através desta nação se estenderiam a todas as famílias da terra (Gn 12.2-3). Porque todas essas promessas estão relacionadas a nação de Israel! Inclusive a parte em que Deus sentencia: “Amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem”. Talvez, esses líderes mundiais que julgam e se propõem a denegrir a imagem de Israel nunca deram importância ao texto sagrado ou não se incomodam de afrontar Deus!

As experiências de Abraão nos servem de exemplo, principalmente àquelas relacionadas a comunhão com Deus. Havia cumplicidade entre o Eterno e o homem mortal (Gn 18.17). E o envolvimento era tão grande que o próprio Deus o chamou de amigo (Is 41.8). Ao optar pelo sacrifício de Isaque, no monte Moriá – que hoje é o Monte do Templo em Jerusalém – o patriarca depositou tanta fé em Deus que logo o Senhor o recompensou desviando o sacrifício para um cordeirinho.

Será que estamos dispostos a “sair” e aceitar as recomendações de Deus? Será que desejamos para nós esse tipo de relacionamento? Queremos as bênçãos, mas não queremos sacrifícios ou o Deus das bênçãos? A nossa terra prometida é algo inatingível ou está logo ali, virando a página e seguindo por um caminho melhor?

Pense nisto.


Marion Vaz