A senhora achou um absurdo o pobre homem não querer subir com o sofá nas costas, sozinho escada acima. Afinal, ela tinha feito a compra e precisava do objeto. O rapaz não discutiu e começou a carregar as peças menores. A cliente se irritou e começou o bate boca. Os vídeos mostram a agressão verbal e física enquanto o entregador tentava continuar o trabalho.
Não satisfeita com aquele comportamento metódico do entregador, ela se descontrolou e de forma desequilibrada, começou a xingar e tentar agredi-lo fisicamente e o fez várias vezes. Alguém chegou e tentou apaziguar a situação. Ela não queria conversa. Começou a gritar que ele tinha batido nela, agarrou o homem pela roupa e até se jogou no chão. Quem vê a cena tem a plena consciência de que aquela pessoa precisa de terapia.
Os internautas horrorizados com o comportamento dela deram voz ao entregador, que até agora não se pronunciou, e rola desatinos nos comentários. A dona do sofá já fez vários vídeos, ora se desculpando, ora afirmando que foi agredida, ora dizendo que o diabo que aprontou essa, ora mostrando que está tomando remédio para depressão, ora mostrando que está disposta a ir até o fim para prejudicar o entregador.
Bora entender? Quem em sã consciência acorda de manhã e pensa: Vou entregar um sofá e, de quebra, vou socar a cliente? Porque em nenhum momento, a tal senhora fala o porquê do tal homem agredi-la. As imagens mostram sim, ela batendo no rosto dele, jogando pedra, perseguindo e até ofendendo o entregador.
Eu penso: Será que ele tentou passar e ela tentou agredir ou impedir que ele retornasse com o sofá grande (já que não cabia no elevador) e aí ele se defendeu, pedindo passagem e afastando o corpo dela ou até empurrando, ou segurando no braço dela, o que no caso eu chamo de legítima defesa e aí ela tomou isso como agressão para justificar o desequilíbrio emocional? Ou os transtornos aconteceram depois do divórcio, com a mudança para o Brasil, os problemas reais?
O que os vídeos mostram é uma pessoa completamente descontrolada, alheia, chorando e se jogando pelo chão, agredindo um entregador. E por que nenhum vizinho foi socorrê-la, já que parece que a confusão durou um bom tempo? Nenhum? Será que já conheciam os desatinos? Vamos aguardar o desenrolar da história.
Mas a verdade é que vivemos no mundo dos absurdos, da incoerência, do disse-me-disse e de ações extremas de violência e confrontos e isso me dá medo. Minha filha fez um post com conteúdo religioso e houve vários comentários. Alguns entenderam a brincadeira. Outros não. Vários comentários inapropriados, insultos, r@cismo e até antissemitismo. Liberdade de opinião não é liberdade para ofender os outros.
O homem entrou na farmácia, invadiu o espaço do balcão e começou a insultar o atendente. E por que? Prioridade. Se ele tinha uma criança machucada e precisava de um remédio, por que ele não pediu para as pessoas na fila ceder a vez? Não! Achou mais apropriado agredir verbalmente o atendente. E o assalariado que continuasse o expediente até o fim, como se aquele tipo de situação estivesse prescrita no contrato de trabalho.
Duas senhoras entram no ônibus e começam a discutir com o motorista. Ele parou no ponto de ônibus e não no local em que elas queriam. Daí a discussão, os palavrões, as ameaças e por fim uma delas agrediu o motorista do ônibus com a bolsa. O homem de meia idade que se conformasse com a situação e continuasse o trajeto com o coração destruído e a alma pesada. Segurança pra que, né? Ninguém pensa em ninguém.
A pessoa entra no Uber, o motorista pede o código. Normal. A cidadã não quis dar o código. Não tinha como prosseguir a viagem e até um policial teve que intervir. O entregador chega com a pizza e é recebido com insultos e agressões físicas porque não tinha a obrigação de subir as escadas e entregar a pizza na porta do apartamento do cidadão. E assim vai...
São essas coisas absurdas que chegam pela Internet e que eu me pergunto se vale a pena consumir tanta informação, tantos vídeos (muitos deles feitos com IA) que vão, aos poucos, moldando nossa consciência, comportamento e nosso status de Homo Sapiens.
Marion Vaz
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