terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ananias e Safiras – Se rebelando contra o Sistema

Auditores fiscais criam esquema de lavagem de dinheiro - Diário do ...

Nada mais intrigante do que a morte súbita deste casal. Talvez causada por um ataque do coração, visto que caíram mortos no chão. É provável que estivessem sobre estrema pressão por causa de um negócio e o valor recebido pela propriedade. Mas o que sempre me impressionou nesta passagem bíblica de Atos 5 são os comentários e reflexões referente a vida espiritual do casal e de todos aqueles que “mentem ao Espírito”.

Pelo menos é essa a consideração feita sobre o assunto. Pois a Igreja estava se estruturando e “todos tinham tudo em comum” (At 4.32) de maneira que vendiam suas propriedades e davam o valor total da herdade aos discípulos para que eles distribuíssem aos outros e assim “não havia entre eles necessitado algum” (vs 34).

Interessante notar que tal passagem bíblica continua sendo, nos dias de hoje, contada com a mesma noção de certo e errado. No caso, a atitude de Ananias e a esposa são consideradas erradas porque contrariava o Sistema. Já falei um pouco sobre o que levou Safira a agir daquela forma e ter o mesmo destino do marido em meu livro Mulheres em Crise.  Acredito que a esposa não teve outra opção a não ser agir com obediência ao marido em virtude do contexto social da época.

Mas agora vamos examinar a passagem por outro ângulo. Quem instituiu este Sistema de dar todos os bens em função da causa: D-us  ou os homens? Se não foi D-us que determinou tal ordenança, visto que também não há registro disto, por que Ananias foi punido por se insubordinar contra o Sistema? E por que continuamos repassando o mesmo conceito de punir Ananias e Safira por sua atitude, se nos dias de hoje não podemos condenar ninguém por proteger seu negócio, propriedade e bens ao invés de “vender e dar tudo aos pobres”?

Não que isso não aconteça. Existem Comunidades religiosas que exigem isso de seus membros como prova de fé e confiança nas providências divinas. E assim, consomem dia a dia os bens e as ofertas alçadas de muitos fieis. Com sinceridade, não consigo condenar Ananias e Safira por reter parte do valor arrecadado para uso pessoal ao invés de alimentar o Sistema. Alguém agora deve estar me chamando de herege. Oh! Mas eles mentiram ao Espírito Santo!

Bem, a história mostra que era um Sistema com sérios comprometimentos em longo prazo, pois a Igreja de Jerusalém passou a ser a mais pobre e mais necessitada (1 Co 16.3) e num período crítico da História se pedia ajuda para os irmãos da Judeia (At 11.28-29). Dizem os entendidos que a distribuição também não era justa (At 6.1) então foram instituídos diáconos para administração e redistribuição dos valores arrecadados. Se bem que o termo usado na Bíblia foi “importante negócio”, talvez seja daí que os mentores de hoje se apoiem para pedir tanta oferta e doações. Hum...

Posso afirmar que em relação à religiosidade, havia um desenvolvimento espiritual muito grande e importante para Igreja nos seus primeiros anos de crescimento. As pessoas eram crentes mesmo, religiosas e devotas. E esse número crescia vertiginosamente dia a dia, mesmo diante do contexto social que viviam. A pregação da Palavra de D-us trazia conforto e arrependimento dos pecados. Assim, perseguições e afrontas não foram barreiras para esses novos cristãos que chegaram a dar a própria vida em fidelidade à fé. O Livro de Atos nos mostra passo a passo o caminho percorrido pelos apóstolos, o crescimento e a expansão do Evangelho de Jesus até os confins da terra do mundo então conhecido.

Voltando ao assunto do artigo, será que Ananias teria sido punido se tivesse dito a verdade? Tipo: Os bens são meus e o valor da venda também e eu não estou a fim de sustentar um bando de gente à toa! Com certeza essa seria a forma de hoje de se rebelar contra o Sistema! Dizem os estudiosos que os apóstolos e novos crentes achavam que a Volta de Jesus seria naquela geração e assim não precisavam de tantos bens. Somente o que podiam consumir no dia a dia até que Jesus voltasse para levar o seu povo. Bem, é provável que com o passar do tempo, os ricos tivessem perdido os bens e a contribuição foi diminuindo. Os pobres ficaram bem mais pobres e os que ainda tinham alguma herdade precisavam pensar num meio de sobrevivência. Talvez esse fosse o caso de Ananias... você pode concordar ou não.

Com perdão do Apóstolo Pedro, o coitado do Ananias estava com uma carga emocional tão grande sobre os ombros que só de encarar os apóstolos não tinha condições nem de respirar e Puf! Ao tocarem no assunto caiu duro no chão (vs 5). Ataque fulminante do coração! Sem menosprezar o teor educativo e a  relevância espiritual que a passagem bíblica possa trazer aos corações, não é essa a ideia que se transmite hoje em dia? Ou você contribuiu ou sofrerá danos colaterais?

Mas... E se ele não tivesse vendido àquela propriedade? Se quisesse ficar com ela ao invés de ser coagido a vender e repassar o valor porque talvez o Sistema já mostrasse suas falhas, e o número de necessitados era bem maior do que se podia sustentar? Coagido sim. Porque se todo mundo contribui você se sente constrangido a fazer também. E só pra constar Ananias já estava vivendo no tempo da “Graça” tá! Ele tinha todo o direto de se retratar se... A conversa tivesse demorado um pouco mais! Infelizmente o pobre Ananias não teve tempo. 

Estava presente numa reunião religiosa num domingo em que o Líder espiritual mencionou tantas vezes a palavra milhões que eu me senti constrangida com meus míseros reais na bolsa. Algo fora da realidade de muitos que estavam ali. Dizia ele: A obra X custou tantos milhões, a obra Y outros tantos, a reforma da obra M pode ser de 600 mil e eu ali sentada pensando: Puxa vida! E aquele Mentor auxiliando a plateia para a liberalidade. E assim temos hoje inúmeras campanhas, a Oferta do amor, Oferta do desafio, Oferta da diferença... O discurso alinhado a Palavra de D-us e efeitos psicológicos afetam o público de tal forma que a pessoa oferece mesmo não tendo, se compromete a longo ou curto prazo e se dana toda pra “ofertar” só pra não “mentir ao Espírito”. Pronto falei! Não concordo com esse tipo de técnica...

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Não estou menosprezando a fé e nem a oferta de ninguém. Não estou dizendo que não se deva ofertar e dar o dízimo, contribuir para algumas benfeitorias nas igrejas... É bíblico ofertar! Existem bênçãos para o ofertante. Estou falando de pessoas se comprometem em obras faraônicas, assumem um número exagerado de responsabilidades e querem que, no final do mês,  você ajude a pagar a conta! Quem está à frente do Sistema: Fulano. Quem ganha status: Fulano. E você "Ananias"? 

Pense nisto.

Marion Vaz



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não sei como ela consegue?

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Assisti um filme muito interessante esta semana. Era uma história até muito engraçada sobre um casal que tinha dois filhos e que trabalhavam em diferentes áreas. Os dois tinham projetos importantes e tinham que dedicar mais tempo ao trabalho do que ao lar. O roteiro mostrava como a mãe, dona da casa, esposa e dedicada funcionária tentava se adaptar  aquela vida corrida, viagens a negócios e fusos horários. Por sorte ela tinha uma empregada que além de cuidar da casa, era uma pessoa de confiança e dedicada babá para as crianças. 

Kate, parece um pouco atrapalhada, distraída em alguns momentos, resolvida em outros assuntos, mas se autodenomina dedicada mãe para seus filhos, mesmo que a menina tenha certas reservas em relação ao seu comportamento. Kate procura não esquecer as datas de aniversário e compromissos familiares. Mas era só o telefone tocar que seu sensor dava um sinal de alerta.

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A primeira cena que chamou atenção mostrava o marido impaciente porque tinha que sair para uma reunião importante, mas a empregada estava atrasada por algum motivo. Ele reclamou com a esposa e disse que ia chamar a atenção da fulana. A esposa quase teve um treco e saiu em defesa da talzinha afirmando que ela era uma ótima empregada, sabia tudo sobre a casa, as necessidades das crianças e que igual a ela jamais encontraria. Não mesmo! Afirmou. Enquanto discutiam a mulher chegou e logo pegou o menino pequeno no colo e começou suas atividades e os patrões saíram para trabalhar.
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Interessante que algumas cenas depois me aparece a empregada falando para a patroa que o cabelo do menino estava muito grande e como precisava ser cortado com urgência e ela tomou a iniciativa e levou a criança ao barbeiro para aparar a franja. Foi o suficiente para a mãe ficar nervosa.

- O primeiro corte de cabelo! Dizia a mulher. Eu queria estar presente! Era importante!
- Como a senhora estava no trabalho não quis incomodar.
- Mas fulaninha, tentou falar com certa reserva sem querer ofender a empregada, de que queria ser notificada de tudo, de qualquer coisa relevante ou não sobre os filhos. E até compreensível. Mas em outras partes do filme a mãe volta a repetir o assunto: O primeiro corte de cabelo... Como se fosse o fim do mundo. O primeiro corte de cabelo...  Ao sair em viagem naquele dia a dona da casa tinha até lágrimas nos olhos! Nunca mais vai haver o primeiro corte de cabelo...

Ela podia não estar presente em casa e como afirmou o próprio marido numa das vezes que eles brigaram: Mesmo quando estava em casa, ela não estava presente, porque sempre tinha um telefonema pra atender, uma amiga pra conversar, um projeto em particular... Mas não podia perder o primeiro corte de cabelo?? Bem... O interessante é que sua linha de raciocínio começa a mudar a partir deste episódio.

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Entendi que a empregada era ótima pessoa, cuidava dos filhos dela quase que em tempo integral enquanto a mãe e o pai trabalhavam com afinco para realizar seus projetos e ganhar mais dinheiro. A babá era boa para levar os filhos na escola, levar no parquinho, brincar com eles, dar comida, lavar a roupar, etc. Mas afinal e daí, você deve estar se perguntando. Não era para isso que ela era paga? Com certeza! Entendi que ela não podia tomar decisões porque ela não fazia parte da família. Naquele telefonema, a relação era entre patroa e empregada. Não interessava se a talzinha também tivesse que adiar seus planos porque o voo atrasou, ou por causa de uma reunião de emergência, ou porque a patroa tinha que sair com as amigas. Talvez ela recebesse um bônus, mas o filme não mostra isso.


Pra saber como ela consegue é só prestar atenção na história e no dedicado marido que segurava as pontas em casa, quando a mãe não podia assumir algum compromisso por causa do trabalho. Por outro lado podemos detectar nessa "parceria" o vínculo que mantinha a família unida. No desenrolar da história os pais conseguiram realizar seus projetos, tiveram festa de natal e até neve caindo do céu. 

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A empregada continuou suas tarefas porque afinal... Devia ganhar bem. Porque com tanto trabalho devia ser bem remunerada e “pelo andar da carruagem” as pessoas não podem abrir mão de seus empregos. E Kate e o marido tiveram aquele final feliz que toda família deseja.

Moral da história: Kate, o modelo de pessoa realizada que toda mulher deseja ser, mas que, quando enfrenta as dificuldades tem sempre uma "fada madrinha" com varinha mágica nas horas do sufoco. Infelizmente na vida real não é assim. a gente se desgasta muito pra criar os filhos e dar a impressão que as coisas estão aparentemente perfeitas. Nem sempre estamos bonitas e com sorriso no rosto. Parece fácil ser uma dedicada mãe, dona de casa, profissional de destaque quando se tem alguém em quem se apoiar. Não acho que Kate seria assim tão maravilhosa sem ajuda da família, do marido ou da empregada. Sim, acho que já sei como ela consegue...


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Marion Vaz

sábado, 14 de janeiro de 2017

O que você espera da vida?




O ano mal começou e já tem gente resmungando da vida, dos problemas, das dificuldades. Mas o que você e eu esperamos realizar nesta vida vai determinar o grau de dificuldade que encontraremos pela frente. É isso mesmo! Esperava que eu dissesse que tudo ia ser fácil? Negativo! Se você deseja realizar coisas grandes com certeza vai sofrer um impacto maior. Não se constrói nada sem sacrifícios.

Mas tenha em mente que existe um diferencial entre o que vale mesmo a pena lutar nesta vida e aquilo que pode ser deixado de lado, esquecido num cantinho qualquer.

Nesta caminhada rumo a “fronteira final” do bem estar existem regras a seguir. Pequenas atitudes que resumem o nosso dia a dia ou que, de uma forma motivadora vai definir o que somos ou o que pensamos, como agimos em relação às outras pessoas e a nós mesmos. Então se deseja ter uma identidade você precisa entender que antes de mudar os outros, precisa mudar a si mesmo. Precisa estabelecer propósitos, aproveitar as oportunidades para que o seu sucesso tenha um significado.

O primeiro pensamento que vem a minha mente é que “sem Deus nada podemos fazer” – É uma frase bíblica. Mas acredite que Deus não tem a obrigação de fazer tudo. Com certeza Ele pode agir em muitas situações, mudar o destino de alguém, curar uma enfermidade. Mas em determinadas circunstâncias é a atitude do próprio homem/mulher que vai definir o futuro. E isto é bíblico também. Inúmeros personagens fizeram de suas vidas um exemplo de força, poder e realizações benéficas.

Então voltemos à pergunta: O que você espera da vida? O que você pensa quando acorda de manhã? Já semeou o suficiente para poder colher? Quais os seus valores morais? Qual a importância do próximo em sua vida? Os interesses deles estão no topo da sua lista ou eles estão em segundo plano? Aonde quer chegar à Empresa em que trabalha?  Você está disposto a começar do nada para chegar a algum lugar? Você quer pagar o preço? O que você tem que pode ser utilizado para benefício próprio?

É meu caro leitor... Nem tudo é tão prático como deveria ser. E tem coisas que o dinheiro não compra! Então está na hora de fazer aquela lista de prioridades para o ano de 2017. E o melhor conselho é este: Comece acreditando em você mesmo! Acredite que pode ser a diferença, que pode mudar o rumo das coisas, que pode alcançar seus objetivos. 

Mas seja realista! Não crie expectativas que não se possa realizar. Seja otimista! Defina projetos a longo e curto prazo. Seja criativo! Não espere que os outros encontrem a solução. Seja ativo! Sem desprezar a capacidade e empenho de seus colaboradores. Seja agradecido! Primeiramente a Deus que te deu o dom da vida, segundo para com a sua família, esposa e filhos, cúmplices em todas as horas, terceiro seja grato àqueles que fazem parte da sua equipe. Porque ninguém vence sozinho!

Marion Vaz


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2017 Ano do Desafio

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Todo ser humano precisa de desafios! De vencer os obstáculos, de "pular pontes" para se destacar na arena da vida. Mais um ano que se finda levando com ele as frustrações dos planos e sonhos que não se concretizaram. E daí? A vida é assim mesmo! Aprendi isso há muito tempo atrás. Tem coisas que não conseguimos. Existem sonhos que não saem do papel por anos a fio! E isso não quer dizer que eles não possam se realizar algum dia.

Somos a matriz de um mundo que ainda estar por vir. E 2017 está chegando para nos desafiar a isso! A vencer, a buscar, encontrar, repartir um pouco de ar puro nesse emaranhado programado por esse nosso governo na terra varonil. Tem gente que se recusa a crer no futuro e fica chorando as mágoas, não quer buscar solução, nem colorir a vida! Paciência! Eu sigo em frente. Desafiando a mim mesma e os personagens nos romances que escrevo. 

O que vai acontecer em 2017 já está escrito nas estrelas! Não dá pra fugir disso! Mas dá para reinventar histórias, mudar o presente a cada manhã, sentir a brisa do mar, o toque suave das águas e o vento acariciando o rosto. Seja otimista! Seja próspero! Boas Festas e Feliz Ano Novo! E a gente se encontra aqui no ano que vem.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Gentileza gera Gentileza



A frase pintada nas muretas do viaduto na Avenida Brasil, próximo a zona portuária da cidade do Rio de Janeiro parecia não fazer sentido algum. Em letras grandes e desenhadas em contorno verde e amarelo, o autor se fazia notar mais pelas vestimentas e barbas brancas e pregações do que pelo que queria transmitir. Mas aos poucos, o carioca foi se acostumando com aquele intruso pincelando a cidade e a mensagem ficou gravada na mente e no coração de alguns.

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A frase em si é verdadeira. A própria Bíblia nos ensina para tratarmos as pessoas da mesma maneira que desejamos ser correspondidos. Assim, entendemos que ódio gera ódio, gentileza gera um bom retorno em qualquer área da vida.

Ok. Confesso que tem gente que trata os outros com tanta ignorância que é melhor se afastar da pessoa do que tentar mudar sua rotina. Mas às vezes, uma pequena atitude nossa pode trazer alguém a realidade ou abrir um raio de sol no seu dia a dia. Seja um bom dia, uma saudação, um obrigado, por favor, chamar alguém de amigo, demonstrar interesse pelo problema alheio, compartilhar de um drama, responder com educação. Por que na verdade as pessoas só precisam de bons exemplos para seguir e se tornarem melhores do que são.

Quando trabalhei na CPAD por anos, minha rotina se alternava em responder correspondências e atender telefones. E numa bela manhã, um senhor que morava em outro Estado nos ligou sobre alguns periódicos que não havia recebido. Naquela época estávamos em transição para a era digital e sinceramente... Aquele modelo novo de computação nem se compara com o que usamos hoje. Houve uma mudança na rotina de trabalho e também o atendimento.

O interessante da história é que ele estava tão bravo que ficou gritando comigo no telefone e antes das oito horas da manhã. Prometi que o problema era momentâneo e a situação iria se normalizar em breve. De certa forma ele tinha todas as razões do mundo para se sentir daquele jeito já que o pagamento estava em dia. Então prometi que iria mandar todos os números de revistas que ele não tinha. Mas ele não ouviu uma palavra do que eu havia dito.

O ser humano que havia em mim estava calmo, já que o dia estava apenas começando. E não sei por que razão eu deixei escapar uma risada. Tapei o fone. Mas ele ouviu. Então pensei: Agora ele desliga o telefone na minha cara e liga pra o gerente do departamento... Pedi desculpas, tentei contornar a situação naqueles dez segundos em que o homem ficou mudo. E agora?

- Senhor... Tudo bem? Desculpe o riso, foi sem querer e... Ele respondeu:
- Minha linda! Que risada mais gostosa! Pensei: Aí meu D-us! Mas o homem começou a se desculpar pela maneira que havia me tratado e que aquele riso meu tinha praticamente desintegrado toda a raiva que ele estava sentindo. Respirei profundamente e pedi desculpas de novo e ele mudou o tom de voz e retomamos a conversa sobre os periódicos. Mais quinze minutos ao telefone e éramos “amigos de infância”. Prometi enviar a mercadoria naquele dia mesmo e depois tratei disso pessoalmente para que o tal homem não ficasse no prejuízo. Tudo acabou bem por causa de um sorriso.

É claro que eu não aconselho ninguém que trabalha com Telemarketing a rir do cliente ou trata-lo como se fosse um amigo. Qualquer deslize, por menor que seja, pode lhe custar o emprego. No meu caso foi algo momentâneo, a regra geral de qualquer empresa é tratar o cliente com respeito, chamar de senhor ou senhora, estabelecendo uma distância e sem envolvimentos pessoais.

O certo é que com o passar dos anos, evoluímos! (risos) Até certo grau, é claro! A tecnologia que aproxima as pessoas também afasta. O que nos dá margem para continuar no anonimato de sentimentos resumindo nossa atuação no dia a dia dos outros com apenas uma curtida de link. No máximo uma carinha de alegre ou triste, indeciso ou espantado. E assim nos relacionamos uns com outros via digital.

Mas o que deu origem ao nosso artigo de hoje foi um cumprimento que ouvi entre um passageiro e um motorista de ônibus que não se conheciam:

- ô parceiro! Pode fazer a gentileza de abrir a porta aqui pra mim, por favor?
- Falô chefia! Vai com D-us!
- Obrigado amigo. Um ótimo dia pra você também.

Interessante que tal cumprimento é comum seja no ônibus, entre os ambulantes, no bar da esquina. Existe esse retorno “afetivo” no relacionamento entre pessoas, talvez até para manter a clientela. Nos centros comerciais não é difícil alguém ouvir: Moça bonita não paga! Qual a promoção de hoje amigo? E aí parceiro?  Bom dia, o que vai levar hoje patroa? É cortesia da casa senhora! E assim vai... O nosso dia fica repleto de elogios e contato visual. Por que você vai concordar que não tem nada pior do que ser atendido por alguém de mal humor.


José Datrino, o profeta Gentileza nasceu em 1917 e faleceu em 1996. Cerca de 20 anos atrás!  Você pode ler mais sobre ele aqui. Sua mensagem é bem mais do que meras pichações em muretas. Apesar do seu temperamento (há controvérsias) os 56 painéis pintados por essa figura carioca (paulistana) se tornaram história no Rio e de uma forma ou de outra, parece que alcançaram suas metas no decorrer dos anos. O homem de barba branca queria que sua ideologia mudasse o mundo desafiando a natureza humana. Se acaso vai conseguir ou não, depende de cada um de nós, mas com certeza ele tentou...


Marion Vaz

Atualização em 05/07/25

O terminal Gentileza foi inaugurado no Rio de Janeiro próximo da Rodoviária Novo Rio.




"A árvore boa produz bons frutos" (Mateus 7.15)


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Jerusalém – Uma cidade que atrai multidões


Vista Panorâmica de Jerusalém

        O que tem de especial em Jerusalém para atrair a atenção do mundo inteiro sobre ela? Se você observar a História ao longo dos anos também estará enigmaticamente propenso a amar e desejar esta cidade. É na Bíblia que encontramos uma célebre definição: “o lugar que Deus escolher para fazer morar o nome para sempre” (Dt 16.2). Assim, Jerusalém foi nomeada para ser a morada de Deus, com a construção do Templo tornou-se o centro religioso do país e a Lei ordenava que todo judeu que pudesse empreender uma viagem dessas, fosse para Jerusalém nas três festas anuais: Pessach - páscoa, Shavuot - Festa das Primícias e Sucot - Festa das Cabanas (vs 16).

        Em qualquer panfleto de Turismo você pode ler que Jerusalém é a cidade mais importante para judeus, cristãos e muçulmanos. Esse tipo de comentário virou um cartão de visita! Mas qual será realmente o significado, o legado espiritual de Jerusalém para estes três povos? Para a comunidade judaica ao redor do mundo a cidade não serve apenas como um lugar de mera concentração de pessoas, mas sim um lugar de desafio espiritual, onde o relacionamento com Deus implica em obediência e temor, orações e comprometimento com as tradições. Davi escreveu: “O zelo da tua casa me consome” (Sl 69.9). Jesus entrando no pátio dos gentios afugentou os animais e contrariou os cambistas citando o profeta Isaías: “A minha casa será chamada casa de oração” (Is 56.7 - Mt 21.13).




Monte do Templo e Cidade Murada

        Enquanto Israel aprimorava os seus caminhos diante de Deus atravessando o deserto em direção a Terra da Promessa, Jerusalém já estava nos planos do Eterno como um lugar de adoração e onde seriam feitos sacrifícios para perdão dos pecados (Dt 12.11). Encontramos no texto sagrado determinadas coisas que só poderiam ser feitas na cidade de Jerusalém (Dt 14.23).  O salmista insiste em dizer que ali estão os tronos do juízo, os tronos da casa de Davi (Sl 122.5). De início ele afirma que Jerusalém está edificada como uma cidade bem sólida (vs 3). Então podemos afirmar que os alicerces de Jerusalém estão sobre duas colunas: Solidez e Justiça!

        Havia um propósito para estas visitas periódicas a Jerusalém: Proporcionar a renovação espiritual e manter um comprometimento íntimo da pessoa com a própria cidade. Observe que no texto do Novo Testamento (Atos 2.5) a cidade estava repleta de judeus religiosos de todos os lugares. Havia também um laço afetivo com a cidade. Jesus chorou olhando para ela do alto do monte ao pensar no aconteceria ao longo dos anos. Eu me sinto particularmente obrigada a acreditar que o Mestre dos mestres amava Jerusalém. Ali, ele se entregou como sacrifício puro e santo em favor da humanidade. Cristãos de todos os lugares visitam o Jardim do Túmulo e encontram um local para reflexão e encorajamento espiritual.



Jerusalém - Moderna e em pleno desenvolvimento

        Mesmo com a destruição do Templo no ano 70 da Era Comum em que os sacrifícios de animais foram proibidos, a cidade não ficou abandonada pelos judeus. Ainda que muitos deles tenham sido obrigados a migrar para o norte do país e que períodos de orações e estudos da Torah se intensificaram visando a necessidade de manter as tradições, nota-se a presença judaica em Jerusalém. Não tem como negar fatos históricos!

        Nos dias de hoje este agrupamento de pessoas de todas as nações do mundo para orar em Jerusalém no Muro Ocidental, por exemplo, proporciona mais força religiosa e moral, não só entre os judeus, mas para todos aqueles que chegam ao local com coração quebrantado. Há algo de especial na cidade, nos arredores, nos locais sagrados e por onde quer que você caminhe em Jerusalém ou no território israelense vai atribuir a Deus um louvor de gratidão por estar ali.

        O conflito relacionado aos direitos do povo árabe por uma parte da cidade está em todos os jornais, a luta continua com discursos inflamados e sérios agravantes. A decisão da ONU em admitir que os judeus não tenham “laços” com Jerusalém, particularmente o Monte do Templo, visando favorecer o Comitê árabe, foi no mínimo irresponsável! Como mencionou Netanyahu, Primeiro Ministro de Israel: “Eles nunca leram a Bíblia!” Alegar que os fatos narrados na Bíblia são irrelevantes já é algo inaceitável, mas apagar o povo judaico da História me parece mais uma armadilha que viola e desrespeita os direitos da Comunidade Judaica!



Kotel - Muro Ocidental - Muro das lamentações

      Jerusalém é indivisível! Ela é um patrimônio, um legado espiritual para o povo judaico desde as primeiras gerações. É a capital de Israel, o centro religioso e político do país. Benjamim Netanyahu afirmou que Israel não pode abrir mão de Jerusalém e que a paz entre os dois povos (árabes e israelenses) tem que acontecer sem envolver a cidade. Este é o status de Jerusalém que permanece até os dias de hoje como local único e sagrado para muitos religiosos e particularmente para os judeus.



Marion Vaz


quinta-feira, 27 de outubro de 2016