sábado, 17 de abril de 2021

Tira a Trave do olho gente!

 


Esta crítica descrita no Evangelho de Mateus 7.5 me chamou a atenção: Em um de seus discursos Jesus parece indignado com o fato de alguém está tão incomodado com um simples cisco no olho do seu próximo, mas que não enxergava a trave que estava em seu próprio olho. De início o texto faz reflexão sobre julgar os outros sob o risco de ser julgado também posteriormente.

Interessante essa nossa capacidade de querer resolver os problemas dos outros, não acha? Somos tão hábeis em criar caminhos, solucionar questões referente a qualquer assunto, ditamos regras e damos nossa opinião em tudo, tudo mesmo, mas desde que seja relacionado ao próximo! 

E fazemos justiça a este comportamento exibindo noções de intelectualidade, psicologia e nossa lista de exemplos não tem fim. Somos expert neste ou naquele assunto, resolvemos os dramas familiares num estalar de dedos. Parece até propaganda de TV. Concorda? Claro que não!  Então não seríamos chamados de hipócritas pelo próprio Jesus Cristo! Aí você deve pensar: Ei, eu não sou hipócrita não! Eu só falo daquilo que estou vendo pra ajudar, tem gente que não enxerga o que está acontecendo... Sei!

A realidade é que existe maneiras de se enxergar um problema se estivermos olhando pelo ângulo certo. Uma determinada solução pode não ser coerente num caso familiar, mesmo que tenha dado certo em outro. Uma sugestão pode ser encarada como afronta. Pode-se criar um problema maior a partir de um mau entendido. Existe N soluções mas que não se adaptam na vida de alguém. E o ser humano ali, falando de suas experiências como se pudesse resolver tudo. 

Porque é muito fácil opinar sobre assuntos e acontecimentos dos quais não temos informações concretas. É fácil resolver os problemas dos outros, quando nem sequer passamos por aquilo na vida. Não estou criticando alguém por dar um ou dois conselhos. Mas se alguém não está habilitado para resolver os contratempos dentro da sua própria casa, como é que vai julgar o outro? 

Então entra aqui a tal trave no olho, que impede alguém de enxergar seus próprios defeitos ou problemas. Neste caso posso afirmar que antes de mudar os outros talvez você tenha que mudar a si mesmo. #ficaadica. 


Marion Vaz

sábado, 3 de abril de 2021

Páscoa - Jesus Crucificado ou Ressurreto?




Domingo de Páscoa - O Jesus ressurreto tem prioridade na religiosidade do povo. Na sexta-feira, foi a vez do Jesus crucificado. Toda aquela agonia desde a prisão do Jardim do Getsêmani, a noite do julgamento e do espancamento, as dificuldades de subir o caminho do Gólgota carregando a cruz, símbolo do castigo romano. A crucificação e todas as dores no corpo, o sangue escorrendo... Será mesmo que nos demos conta de tudo isso?

É no Evangelho de João que encontramos material de excelência a respeito da deidade de Jesus. Atento a cada declaração João escreveu os discursos do Mestre sobre si mesmo e como poderíamos identificá-Lo. As Afirmações “Eu Sou” e alguns discursos são exclusivos dos escritos de João.

Então, como percebemos Jesus não podia ser simplesmente o “Nazareno”, o “Homem da Galileia”. O “Profeta”, o “Mestre” como se referiu Nicodemos. Alguns podiam vê-lo como um judeu – morador da Judeia – termo usado pela mulher samaritana observando sua maneira de falar e vestir (Jo 4.9). 

Interessante notar que a indagação de Jesus aos seus discípulos sobre o que o povo falava sobre ele, vem de encontro aquilo que os próprios seguidores do Mestre podiam estar pensando. Então Jesus foi mais específico: O povo pode estar com esses pensamentos, mas “E vós? Que dizeis quem sou eu?” E hoje não é muito diferente.


Martyn Jones inquiriu o leitor ao declarar: “O que vocês creem sobre Ele?” Tal questionamento refere-se ao fato do autor estar pensando em até que ponto se crer ou qual o significado da morte de Cristo para nós. Na percepção do autor não se precisa de conversação sobre o assunto, mas de intensidade e veracidade sobre essa crença que queremos propagar aos outros.


Percebemos no decorrer dos anos que em muitos casos, o Jesus Cristo Deus passou a ser apenas um personagem figurativo pelo qual se atrai as multidões para um templo. Em outros casos Jesus é apenas um amuleto para aqueles que se sentem constantemente ameaçados. O sangue de Jesus “viralizou”, como se diz na internet, como uma frase banal e repetitiva. E outras expressões usadas de forma viciante que denunciam a falta de temor, a ignorância, o descuido com o nome de Deus. Diariamente ouvimos: “meu Deus”, santo Deus, misericórdia, só o sangue e outras do gênero, são expressões usadas como complemento do assunto discutido. 


Com a comemoração da Páscoa ficamos indecisos sobre o verdadeiro significado desta festividade. Observamos que pessoas que passaram parte do ano sem qualquer demonstração de religiosidade, lotaram os mercados para comprar alimentos, peixes e os tão famosos chocolates. Eu me pergunto: Qual a razão disso tudo? O final de semana passou tão rápido! Não é mesmo? Mas o corpo pálido de Jesus é retirado da cruz. A vida se foi. Os discípulos se escondem, a mãe chora a morte do filho. Um sepulcro novo escavado num monte é preparado. A pedra se fecha. A esperança se perde...


Mas, no primeiro dia da semana, antes de amanhecer na cidade de Jerusalém, Maria correu ao sepulcro e se deu conta que não há corpo. Ela chora, se entristece porque não consegue entender onde foi que colocaram o corpo do Mestre. Alguém se aproxima dela e se comove. A mulher devia estar ajoelhada no chão, de cabeça baixa, completamente só. O homem a chama pelo nome. Maria ouve aquela voz e reconhece.

- Rabi?! Pergunta com o coração acelerado. Ela levanta os olhos e vê Jesus! Ele ressuscitou!


Talvez agora você entenda o significado desses dois acontecimentos distintos. Agora há um motivo para se comemorar. Feliz Páscoa.



Marion Vaz

quarta-feira, 31 de março de 2021

O Apocalipse - Que medo!

Ontem acordei assustada no meio da noite por conta de um pesadelo. Uma catástrofe estava por vir e eu ali, bem no meio daquela desgraça toda, sem poder fazer nada para me salvar. Ai. Que susto! Meio dormindo, meio acordada olhei em volta e meu quarto parecia inteiro. Ufa. Respirei aliviada. Mas tive que me levantar e ir até a cozinha para beber um pouco de água.

A tal profecia de que a vida na terra acabaria a meia noite de 30 de março mexeu com a cabeça de muita gente. Nesse horário, graças a Deus, eu estava trabalhando no computador. Mas parece que essas coisas ficam no nosso subconsciente e daí o tal pesadelo. Foi o que eu pensei. De boa, não sei porque essa obsessão que muita gente tem pelo desfecho apocalítico do mundo que vivemos. A terra nem é tão ruim assim. Para com isso. 

Estamos há cerca de um ano inteiro lutando contra a tal Covid-19, milhares de vidas se perderam, outras tantas aqui no Brasil sem sequer um leito de UTI disponível, mais um  tanto de gente doente física e psicologicamente por conta de uma série de outros fatores, estresse, medo, desconforto, sem falar nessa convivência forçada dentro de casa, aí vem um "abençoado" declarar tal desgraça. A vacina está vindo na base do "conta gotas", todo mundo esperando a vez que não chega nunca e o camarada anunciando "um anjo da morte" - Com respeito aos enfermos, alguém diz para o fulano que essa profecia está atrasada!

O pior de impor uma situação dessas num momento tão delicado como os dias de hoje é que tem gente que acredita (por vias das dúvidas). Gente que fica impressionada e ouvi dizer que alguém queria se matar por não aguentar mais sofrer tanto! Já acho um erro fazer interpretações isoladas de textos bíblicos, ok? Então, por mais que se acredite em algo deve se ter, pelo menos, responsabilidade com a vida dos outros. Mas parece que a espiritualidade de alguns não se detêm diante da fragilidade humana. Alguém se acha o detentor da verdade absoluta e resolve expor suas crenças desta forma sem pensar nas consequências. Imaginou que estava fazendo um favor? Nem Jesus agiu assim. Quando ele se via pressionado, simplesmente respondia: "Tu o dizes".

Ter fé em algo ou alguém não é errado. A fé, a esperança, a confiança no agir de Deus é o que nos faz seguir em frente mesmo tendo que enfrentar as adversidades da vida. 

Confesso que levei um tempo para me recompor do pesadelo, ali parada na cozinha, com aquele copo de água nas mãos. Olhei as horas: 3 da madrugada. Quem disse que eu consegui voltar a dormir? Ninguém merece.

Marion Vaz

sexta-feira, 12 de março de 2021

A vovó é feia e chata


Toda história tem sempre dois personagens marcantes: um deles é o herói e outro é o vilão. Além de muitos outros que aparecem no enredo em que as histórias se entrelaçam, vamos encontrar um vilão que faz tudo para prejudicar a vida de alguém e o herói que marca presença salvando a situação. 

Já comentei sobre alienação parental aqui no blog afirmando que fazer constantes acusações (mentirosas ou verdadeiras) sobre os pais contribui de forma significativa para denegrir a imagem da principal figura em que os filhos deveriam se espelhar. O nosso artigo tem como base esse comentário que ouvi na rua, quando voltava da escola da Sarah. Uma jovem passava com um carrinho de criança e logo atrás dela vinha uma senhorinha com seus cinquenta e muitos anos.

A jovem mãe conversava com o filho, talvez levando para a creche. Sem qualquer constrangimento dizia para a criança: Vovó é feia, vovó é chata né meu bem?! Olhei para a senhorinha e realmente achei que ela estava "acabadinha". Talvez pela correria da vida não tivesse mesmo se preocupado com sua aparência.  Ela olhou para mim deu um sorriso sem graça porque percebeu que eu tinha ouvido tudo. Segui meu caminho pensando: "fala assim não, vovó trabalha feito louca". 

E na maioria das vezes, nós, as vovós, somos incompreendidas em alguns aspectos. Seja lá por qual razão, penso que nunca estamos à altura do padrão da vovó Google, da vovó internet, da vovó médica, da vovó autora de algum livro. E nossa experiência de criação de filhos não conta porque já faz muito tempo. E no meu caso nem sei fazer tortas de maçãs ainda (risos).

Em relação aos sentimentos somos sempre exageradas ou medrosas. Enfim, aprendi na prática que quando isso acontece melhor mesmo é dar espaço. Com exceção daquele "sexto sentido" que me faz ser intrometida quando algo que me incomoda e me sinto na obrigação de falar. Mas sempre procuro ocasião apropriada porque na minha cabeça, a neta é minha e eu tenho todo o direito de querer o bem dela. 

Mas a criança do carrinho era ainda bem pequena e talvez você pense que um comentário casual não possa influenciar em seus sentimentos ao longo dos anos. Concordo. Mas pelo que observei naqueles poucos momentos em que a mãe passou por mim na rua e na carinha triste da senhorinha, me pareceu que era uma cena corriqueira em que a vovó era criticada pontualmente. Talvez a senhorinha nem fosse a tal vovó feia e chata. Mas não muda o fato da mãe tentar desmerecer a figura da avó diante da criança! Não sei você, mas eu entendo que a figura materna é o ponto de referência da criança. O pai também. 

O tipo de convivência dentro do ambiente familiar traz benefícios ou malefícios ao desenvolvimento de uma criança. Imagine que a vovó é parte da família e talvez more na mesma casa, mas se ela é feia e chata, se ela é velha, medrosa e exagerada e tem suas preocupações em relação ao neto ou neta questionadas ou ridicularizadas diante da criança, então ela é quase a vilã da história?! Concorda?

Por outro lado, talvez nossa mamãe estivesse mesmo revoltada com a vovó e estivesse apenas desabafando. É possível que a vovó feia e chata seja mesmo insuportável, mandona e que passe o tempo todo criticando cada atitude da filha ou da nora. É provável que nessa constante luta de troca de papéis entre herói e vilão uma pessoa tente minar a confiança dos filhos em relação a seus pais ou parentes próximos. Neste caso, acredito que a mãe tem todo direito de proteger sua criança de uma pessoa amargurada e rancorosa. Sinto muito. Opinião minha e você pode discordar.

O que me faz refletir: Estamos comprometidos no desenvolvimento emocional das nossas crianças/adolescentes, a ponto de "engolir sapos", ou dar espaço suficiente para que os pais se tornem responsáveis por seus filhos? Ou vamos ultrapassar os limites interferindo o tempo todo só para manter um padrão ou o controle de tudo? Cada membro de uma família tem, além de suas obrigações, o seu espaço na vida dos filhos e dos netos. E só pra ficar claro, papais, mamães e avós também erram, mesmo querendo acertar. Mas não é por isso que são pessoas ruins. 

De uma vovó para outra: O importante é o que podemos contribuir sem desmerecer o amor, a confiança, o trabalho e a devoção do outro.  


Marion Vaz

quinta-feira, 4 de março de 2021

Faça o que tiver que fazer, mas conforme as tuas forças


Ao observar o texto bíblico de Eclesiastes 9.10 fiquei pensando no quanto a gente se deixa envolver com as múltiplas tarefas do dia a dia até chegar a exaustão, sem nos darmos conta do quanto estamos nos prejudicando. O texto é claro quando enfatiza: "Tudo quanto te vier á mão para fazer, fazei-o conforme as tuas forças". O texto segue falando do quanto se pode ser útil aqui na terra, porque depois da morte não haverá mais trabalhos. Ok. 

No entanto, eu entendo também que o texto está nos advertindo para o fato de por limites. "Conforme as tuas forças" quer dizer: Saiba a hora de parar, de dar um tempo, antes de chegar a exaustão física e psicológica. 

Existe sim uma diferença entre o "se esforça mais um pouquinho que você consegue", "Ei, você já chegou até aqui, vai desistir agora?, vamos lá!" para aquele tipo de serviço ou de devoção que te obriga a ir além das tuas forças. O corpo humano tem suas limitações, a mente precisa de descanso, de diversão. Quanta gente estressada e cansada, sem tempo pra nada, sem sorriso no rosto, arrastando o corpo nas ruas, dentro de casa, naquele frenesi de atividades? 

Esta semana me dei conta de que parecia estar num trabalho escravo. O corpo todo dolorido de estresse, mal podia me alimentar, a mente sem descanso dando voltas em problemas que não eram nem meus, só por causa da paranoia de outra pessoa. 

A Palavra de Deus tem lições significativas para as nossas vidas que a gente nem se dá conta. Então eu parei, respirei profundamente, e me obriguei a olhar no espelho. Sabe o que eu vi? Uma pessoa descabelada, irritada, sem paciência mais pra nada, chateada com o momento presente e triste, achando que a vida não me reservava mais nada, porque foi tudo o que ouvi, mesmo dedicando meu tempo para ajudar. 

Você pode até rir da situação, mas eu chorei olhando os cabelos em desalinho e aquela roupa horrorosa cobrindo o corpo. Pensei: Esta pessoa sou eu? Não! Não! E Não! Chega! Cada um com seus problemas. com sua loucura, com seus revertérios! 

E quer saber? Não há nada de errado em buscar refrigério e um pouco de paz interior. Precisamos entender quando o corpo grita por descanso, quando a mente está cansada, quando o que se exige da gente é altamente abusivo. 

A semana tem 7 dias. Eles são seus. Saiba administrar o tempo, as tarefas rotineiras, acrescente outras que sejam significativas, reserve um tempo, uma hora ou duas só pra você. 

Se não estivéssemos em meio a uma Pandemia eu te incentivaria a ir se divertir, sair com amigos, fazer compras, cursos, sei lá! Mas se não dá, talvez você possa fazer uma caminhada, ou às vezes, tudo o que se precisa é uma boa noite de sono. 

E o mais importante de tudo, saiba dizer: Não! Não posso! Agora não! Impossível, me desculpe, mas estou ocupado! 


Marion Vaz

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Covid 19/20 Vacinas para todos? Não!


Depois de muita discussão, de libera, não libera, esta é boa, esta é ruim, esta é 55% eficaz... O Brasil começou a distribuição da vacina para os Estados e enfim alguns já foram sorteados para a primeira dose.

Como assim sorteados? Calma. Eu explico. Só se tem 6 milhões de vacinas e com esta quantidade mínima que precisa ser dada em 2 doses, o Brasil não vai conseguir sequer imunizar todos os profissionais de saúde. A estatista informa 5 milhões de pessoas que trabalham nos hospitais em todo pais: Médicos, enfermeiros, anestesistas, etc. que deveriam receber a primeira dose da vacina. Mesmo assim foi estipulado um número de doses para idosos, detentos, indígenas e outras pessoas no Grupo 1 ou Fase 1, só que não tem vacina pra todos. A conta não fecha.

O que são 6 milhões de vacinas para cerca de 200 milhões de brasileiros? Só a Fase 1 contabilizou-se mais de 14 milhões de pessoas, ou seja, mais de 31 milhões de doses. Foi bonitinho ver pela tv os caminhões levando as vacinas para cada Estado, as doses sendo ministradas, pessoas dando seu depoimento de como estavam mais tranquilas e os mi mi mi nas redes sociais. Parabéns para este grupo seleto de pessoas que foi contemplado. Vocês estão com sorte!

É óbvio que a vacinação dos demais grupos vai demorar assim como ocorre nos demais países. Mas como iniciamos bem depois não dá para comparar o Brasil com nenhum outro nesta questão. O que me deixa triste é esta lentidão de iniciativa do Governo e seus Ministros, esta demora em concluir "relatórios" em meio ao drama e a Pandemia do Covid-19 que se alastrou em todo o mundo. Algo tão importante e tão sério foi adiado frente as discussões parlamentares do tipo: Gosto, não gosto. Como Assim?  A vida e a saúde do povo brasileiro não é negociável. 

Agora, ao se perceber esta quantidade diminuta de doses, fala-se na falta de planejamento, na má administração e redistribuição de vacinas. Sem falar na falta de equipamentos básicos como cilindro de oxigênio que aconteceu na tragédia em Manaus. Muito triste. Sem comentários. 

O ideal é mesmo continuar a prevenção, se proteger, evitar aglomerações, usar máscaras ao sair a rua, higienizar roupas e objetos e lavar as mãos.  Aqui em casa todo cuidado é pouco. Mas eu estou confiante de que as coisas vão melhorar. Afinal o ano esta iniciando e 2020 já usou a cota dele em dose dupla. 


Marion Vaz


domingo, 6 de dezembro de 2020

Há tanta vida lá fora


Eu sei que o post anterior deixou muita gente assustada. Afinal, a gente cresce com certos conceitos e são eles que justificam nossas atitudes no dia a dia. Amar ao próximo é um deles. Amar as pessoas independente da maneira como nos tratam também faz sentido. É lógico que devemos amar nossos pais e ajudá-los  em suas dificuldades, estando sempre por perto. Afinal, muitos deles já passaram por uma série de perrengues durante a vida toda. E conhecer toda a trajetória nos ajudar a entender e relevar muita coisa.

O fato é que a medida que o tempo passa algumas pessoas se deixam levar por sentimentos ruins. Antigamente a vida era  muito difícil, acrescente uma infância pobre, pai muito agressivo e responsabilidade com irmãos mais novos e vamos ter um quadro bastante significativo. Quando faltava comida muitas vezes teve que pegar xepa (restos) na feira do bairro para levar pra casa. Foi apelidada de "Tomate machucado". Sim. Muitos bullings. Fazia serviços para os vizinhos para ganhar uns trocados. Trabalho infantil naquela época não era crime. Pegou muitas latas de água para a família e para os outros. Sapato velho e roupas ruins. Não completou os estudos porque meu avô não deixou. Casou cedo (16 anos) porque meu pai a amava muito. Teve 4 filhos. Muitas outras dificuldades financeiras deixaram suas marcas na alma. 

Depois que meu pai faleceu vieram as enfermidades: Câncer, quimioterapia, pressão alta e gastrite nervosa. Estar ali do lado dela enfrentando tudo também não foi tarefa fácil. Outros problemas hoje fazem parte do dia a dia. Então já dá para entender que a vida nem sempre sorri, e foi assim que minha mãe se tornou esta pessoa amarga e sem esperança. Hoje tem 80 anos e vive contando os dias e as horas na ilusão que tudo termine como um sopro.

Fico triste com isso, confesso. Porque "há tanta vida lá fora" como diz a letra da música e a gente precisa entender que "cada minuto é um milagre". Sinto falta daquela pessoa alegre e risonha que ela era antes. Hoje é só reclamação e desilusão que se alternam em desabafo e agressões verbais. E não há conselho que se dê que faça ela repensar e mudar a trajetória da vida dela. 

E, infelizmente, tudo começou lá trás no passado com uma infância difícil que ela teve. A gente precisa entender que o tempo passa e nem sempre cura todas as feridas. E às vezes, leva o melhor das pessoas.

Mas fica aquele nó na garganta de que um dia ela não vai mais estar entre nós e a saudade vai ser imensa. Afinal, ela é minha mãe.

E se eu puder te dar dois conselhos, querido leitor, permita-me dizer que podemos entender as atitudes das pessoas conhecendo os problemas que afligiram a alma, perdoar para seguir em frente e assim sermos solidários sem nos deixar ferir. 

E segundo, zelar por aqueles que amamos para não repetir os mesmos erros.


Marion Vaz