sexta-feira, 24 de julho de 2020

O Legado Vaz

Ponto & Vírgula: Nada faltará

Eu sei que está chegando o Dia dos Pais. Agosto é um mês complicado pra mim. Perdi o meu pai já há alguns anos e sinto falta dele. Um homem inteligente, um pai amoroso e dedicado a família. Um pessoa agradável e fácil de se conversar sobre qualquer assunto. Uma pessoa séria e que tinha muitas responsabilidades. Líder eclesiástico e dedicado na obra de Deus. 

Miguel Vaz era jornalista de profissão e escreveu alguns livros e dezenas de textos para jornais e revistas. Trabalhou na CPAD por muitos anos. Na verdade, eu queria ter tido tempo de aprender mais com ele. Não nos deixou dinheiro, bens materiais ou objetos de valor. Não. O nosso legado é o nome Vaz. Esse sobrenome é que faz a diferença. Tenho orgulho dessa herança. Minhas filhas também. 

A geração dele passou por momentos complicados. Veio de uma família humilde. Meu avô era da marinha. Austero. Minha avó Maria Silva era simples, plantava e colhia alimentos para o dia a dia. Muitos filhos. A única foto dela nos dá a impressão de uma mulher forte, corajosa, mas semblante sério. Morreu cedo. Não sei do que.

Miguel Vaz tinha sonhos. Alguns, ele conseguiu realizar. Outros não. É a vida. Mas o legado, a capacidade de escrever sobre diferentes temas, a disposição para aprender, a força e a fé em Deus foram repassadas para as gerações seguintes. Eu vou tomar a liberdade de dizer que: Escrever está no nosso sangue.

Hoje, assisti uma live da minha filha sobre Liderando Adolescente, título do livro dela. E o que eu pude perceber que ela está um passo a frente solucionando problemas, que a geração passada não sabia como enfrentar. As soluções de hoje vão determinar pessoas melhores amanhã. 

E tudo começou lá trás, quando meu pai escrevia em cadernos ou folhas de pão, que ele pedia nas padarias quando não tinha dinheiro para comprar folha de papel. Só anos depois vieram as folhas A3 que eu via em cima da mesa da sala. E esta é a lembrança que tenho, do meu pai sentado na cadeira e em cima da mesa, uma Bíblia aberta, as folhas de papel e a caneta preta. A mão no queixo, pensando nas palavras que iria escrever. Pensamentos em frases, frases em temas, temas em textos. Textos que permanecem para sempre, de geração em geração. 

E se tem algo que eu aprendi com ele é ter esperança em dias melhores. Uma boa conversa resolve tudo. Às vezes as palavras ferem, mas educam. E por que não mencionar as boas risadas em família? Família. Era tudo pra ele. E assim ele nos ensinou que a dor de um é a dor do outro. E quando um está bem, todos estamos bem. 

Que Deus possa abençoar tua família também!

Feliz Dia dos Pais!


Marion Vaz


quinta-feira, 16 de julho de 2020

Mania de Terceirizar a culpa

A culpa é sempre do outro. Você conhece alguém assim? | pivato ...

O ser humano tem essa capacidade de achar que ele pode tudo, que é invencível, controlado, esperto o bastante para se dar bem em qualquer ocasião. Ele é o tal. Nunca erra. Nunca faz nada que possa ser repreendido. Ele é o máximo. E não me diga que não conhece gente com essa arrogância toda. Seja na família, na vizinhança ou local de trabalho sempre tem uma pessoa que se julga a tal. Não que não devamos valorizar nossas aptidões. Se você é realmente bom em alguma coisa tem que dar o valor. É justo e bom que alguém reconheça o esforço e a dedicação feita em algum projeto.

Mas o tópico de hoje apresenta o outro lado da moeda. Gente que acha que se deu bem porque foi ele que se esforçou, ele venceu todos os obstáculos. Se está tudo certo foi intervenção dele. Se o sol brilha, foi porque orou a Deus e pediu um lindo dia de verão. Se a pessoa não estiver á frente de tudo nada vai dar certo. Gente que fica esperando os aplausos, os tapinhas nas costas. Você entende né? Afinal... Ele é quase um deus.

No entanto, quando algo dá errado... Eta! Quem foi que falhou? - É a pergunta do dia. E nem adianta discutir porque a pessoa não vai dar ouvidos. E a terceirização da culpa. 

A primeira vez que isto aconteceu foi no Éden. Deus perguntou a Adão por que ele havia comido do fruto proibido. De imediato ele respondeu: "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore ,e comi." (Gn 3.12). Eita! A culpa então era de Deus? Se Ele não tivesse feito Eva nada disso teria acontecido?! 

Só pra fortalecer a ideia de que estamos saindo intencionalmente ou não de fininho dos problemas, quando confrontada sobre o erro, observe o que a mulher respondeu a Deus: "A serpente me enganou, e eu comi" (Vs.13). E daí por diante os textos sagrados mostram uma infinidade de confrontos de personalidades, distanciamento de Deus e fuga. 

Definitivamente não estamos prontos para assumir nossos próprios erros e precisamos desesperadamente de algo ou alguém a quem culpar. Mesmo porque, para assumir nossas responsabilidades ou participação no problema, é necessário nos render ao fato de que somos imperfeitos. 

Acertamos algumas vezes? Sim. com certeza. Mas erramos em muitas outras fases da vida. Erramos porque somos humanos. Erramos porque não sabemos como agir em determinadas ocasiões. Não nos preparamos para algo porque julgávamos que era fácil e errar ou perder não fazia parte dos nossos planos.

Mas vou te contar um segredo: Errar não é a pior coisa que pode acontecer. Oi? Como assim? Sério! A pior parte não é o quê, quem, como tudo isso aconteceu? A pior parte é não ter coragem para admitir o erro e não se dar conta que, ao errar, outras pessoas também foram prejudicadas.

É por isso que eu tenho medo de pessoas arrogantes e autoritárias. Que sufocam a criatividade de outros só porque querem fazer tudo sozinhas. Pessoas que erram e muito, mas não assumem e nem tentam mudar de comportamento, porque pra elas terceirizar a culpa é mais fácil.


Marion Vaz

sábado, 4 de julho de 2020

Bem feito pra mim



Eita. O que aconteceu? Você deve estar se perguntando. Quando a gente faz algo errado e não tem como consertar, fica aquela sensação de querer voltar no tempo e mudar de rua, de emprego, de relacionamentos. A gente se olha no espelho, retoca a maquiagem e tenta se convencer de que está tudo bem. Mas na verdade não está não. A primeira tentativa de reverter o que se passou é tentar encontrar uma desculpa para o ocorrido. A cabeça fica dando reviravoltas no assunto para entender onde, quando e por que erramos daquele jeito. 

Para! "Você pisou na bola" - "Aceita que dói menos!" - São frases que o subconsciente fica repetindo bem baixinho no nosso ouvido. Mas é difícil seguir em frente sem entender de fato, aquele festival de besteirol que fizemos. 

A segunda atitude é colocar a culpa em alguém. Fulano, beltrano, um momento desfavorável, uma discussão anterior que te desequilibrou emocionalmente. Puxa vida! Ninguém é de ferro, não é mesmo? É quando a gente se recusa a aceitar que fizemos parte daquela maldita tramoia do destino. Se fosse em outro tempo eu nunca, nunquinha iria fazer aquilo! Eu não! De jeito nenhum! Imagina só! Não mesmo!

E lá vem  a terceira fase da fuga: Aceitação: Fiz mesmo! Errei? E daí? Todo mundo erra! Palhaçada! Queria ver se fosse com você? Está me julgando por que? - E Você ali, de frente pro espelho, escovando o cabelo e pensando: Que merda que eu fiz! Então você pensa nas consequências e ri. Ri alto! Bem feito pra mim!


Marion Vaz