quarta-feira, 6 de março de 2013

Janela de Emergência




Hoje foi um dia bem diferente. Nada como dar uma voltinha no centro da cidade do Rio de Janeiro. E de ônibus! Pois é, dei sinal e o famigerado parou fora do ponto. Entrei. Certifiquei que estava mesmo indo para o lugar que queria. Olhei em volta. Lotado! Não tinha jeito já que estava atrasada. Passei na roleta e ops! Errei o valor. Faltavam cerca de R$ 0,25 centavo. Pedi desculpas e toca a procurar a bolsinha de moedas entre uma curva e outra. Enfim, consegui um lugarzinho. O bom era que tinha ar condicionado.

Olhei em volta e vi rostos amassados, cansados, de quem acordou antes da hora só para chegar mais cedo ao ponto e conseguir ir sentado até o seu destino. Pessoas sentadas. Pessoas em pé tentando se equilibrar com suas bolsas e mochilas. Pessoas indo para o trabalho. Pessoas anônimas. Mas que todos os dias estavam naquela mesma condução e naquele mesmo horário. E lá se foi o ônibus cumprindo sua missão sem resmungar do trânsito lento na Avenida Brasil.

Bem na minha frente uma janela grande dava a visão da estrada, do mundo lá fora. Prédios, casas, pessoas apressadas, mais carros, mais movimento. A vida comum de um dia da semana. Igual a qualquer outro sem qualquer alteração. E eu ali, como uma intrusa, observando cada movimento por menor que fosse e tentando parecer igual a todo mundo.

De volta à janela enorme, vidros transparentes e limpos. Com exceção daquele aviso que parecia perdido naquela imensidão. Será que alguém mais prestou atenção naquele aviso? Pensei. Não! Acho que não! Talvez uma rápida olhada, uma visualização informal, sem maiores observações.  Mas eu fiquei olhando e me perguntado se ele teria algum valor informativo, ou estava ali só para me fazer rir.

Por certo o leitor já tenha se deparado com algo parecido, afinal, cada condução agora tem aquela “janela de emergência”. Os avisos mais comuns dão a entender o seguinte: “Em caso de acidente puxe a alavanca e empurre o vidro”. Ok! Fácil! Fácil!

Mas aquele aviso “sem vergonha” bem na minha frente dizia: “Em caso de acidente pegue o machadinho e quebre o vidro da janela”! Como assim? Imagine a cena: O motorista perde o controle do ônibus, o veículo dá cambalhotas ou derrapa pela avenida, provavelmente as pessoas são arremessadas umas contra as outras, muita gente se machuca, braços quebrados, corpos doloridos, mulheres gritando... Então eu, acidentada, tenho que pegar o “infeliz” do machadinho e reunir minhas forças para quebrar o vidro? Sinceramente... Completamente sem noção!

Concordo que em caso de pânico as pessoas são capazes das maiores proezas! Talvez o autor da ideia do machadinho tenha pensado assim. Mas fiquei ali dando gargalhadas na minha mente, tentando não transparecer minha louca imaginação e pedindo a D-us para chegar inteira ao meu destino.

Marion Vaz

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