quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

D-us de Abraão




 Quem realmente pode afirmar que conhece D-us?

É notório que Ele se revela através das obras da criação como o Universo, a Natureza e o próprio homem. Basta olhar a imensidão de um céu estrelado numa noite, para se ter certeza que existe um ser superior que criou todas as coisas.

Mas esse mesmo D-us, eterno, criador, onisciente, onipresente e onipotente também se revela a nós, pequenos e insignificantes mortais. E às vezes, de forma tão real que ficamos assombrados.

O artigo de hoje fala sobre essa manifestação do Ser Supremo aos homens que fizeram da história bíblica um caminho firme e sustentável de fé. Exemplo esse que atravessou os séculos e chegou até nos.

Diante da grandiosidade da história de alguns desses homens compreendemos como é fácil e indispensável vivermos hoje, conscientes não só da existência de D-us como também vivenciarmos uma comunhão maior com Ele.

 
 
A comprovação da existência de D-us não era uma preocupação dos escritores do Antigo Testamento, visto que profetas, reis, homens simples ou ricos sempre ouviam  D-us falar com eles.

Mas chegou um determinado tempo que D-us resolveu revelar-se a um homem  – Avran (Abrão) e fazer dele uma grande nação que perpetuaria entre os povos a existência de um único D-us.

No meio de um mundo pagão o povo hebreu insistia que somente o seu D-us era poderoso e real. Na diversidade de crenças dos povos da Antiguidade afirmavam que só havia um único e verdadeiro D-us.

A Abraão o Senhor se manifestou como o Todo Poderoso, o El Shaddai. Mas tarde, através de Moisés seria conhecido como Senhor – Adonai.

Ao se comunicar com Avran, as condições impostas foram estas: “Anda na minha presença e sê perfeito”(Gn 17 1).  A relação do patriarca Abraão com D-us tornou-se um exemplo específico de religiosidade.

Em todas as partes do mundo a Bíblia é proclamada e explicada como parte integrante da vida espiritual de cada pessoa. Mas eu pergunto: O que havia de tão especial nesse homem para ser escolhido como pai de uma grande nação?  Observando os textos bíblicos encontramos a resposta.

O episódio do sacrifício de Isaque transformou-se no patamar da fé. Avran é mencionado nos livros que compõem  a Bíblia como um verdadeiro “herói” da fé. Mas as características desse patriarca já apareciam desde os primeiros passos dessa longa caminhada com D-us.

Não me admira o fato do Senhor tê-lo chamado de amigo (Gn  ). E numa situação em que decidiu destruir as cidades de Sodoma e Gomorra, o Criador dos céus e da terra, resolveu também avisar a Abraão suas intenções.

A história e o diálogo que observamos no texto mostra claramente um relacionamento íntimo com D-us. Essa experiência também foi vivenciada por Isaque e por Jacó, com quem o Eterno renovou o Pacto da Aliança e trocou-lhe o nome assim como fez com Abraão.

Outros personagens bíblicos também mostram tal comunhão e convivência com D-us. O que nos leva a uma indagação: Por que os homens de hoje tem tanta dificuldade de falar com D-us? Quais os empecilhos que atrapalham essa comunhão? Por que não ouvimos mais a voz do Criador? Quantas pessoas vivem atordoadas em suas vidas quando a resposta está em ouvir o Senhor e seguir suas diretrizes? 

As respostas são diversas e tornaram-se temas de várias obras literárias quando a solução está no próprio homem e sua (in) ou capacidade de entender as propostas do Senhor para sua vida.

O Eterno  sugeriu a Abraão:  “sai da tua terra, do meio da tua parentela para a terra que te mostrarei...” Uma decisão simples? Não! Uma decisão que exigia compromisso? Sim! De ambos os lados! Abraão olhou a sua volta, ponderou tudo o que poderia perder, pensou em tudo o que deixaria para trás e achou que valia a pena seguir as ordens de um D-us que ele mesmo nem conhecia direito. Detalhe: e seguir para uma terra estranha!

Você acha mesmo que o homem de hoje é capaz de fazer tal escolha? Nunca! As palavras de ordem são: Coerência - Segurança econômica e pessoal – Comodidade – Acessibilidade – Lucro! E receptividade vem muito depois...

Na verdade o que o D-us de Abraão queria era cumplicidade!   Talvez o leitor tenha ficado confuso agora. Mesmo porque essa palavra é usada na maioria das vezes de forma negativa. Ser cúmplice de alguém pode ser algo perigoso. Concorda?

Mas a cumplicidade entre D-us e Abraão foi algo benéfico para o nosso patriarca. Podemos observar isso naquela conversa sobre a posse do território em Gn  13.17. Não percebo qualquer preocupação com os demais povos que ali habitavam.  A ordem foi dada “percorre a terra no seu comprimento e na sua largura, porque a ti a darei”! Avran não contestou.  Cumplicidade. Quando os Bney Yaacov  chegaram para tomar posse da promessa feita ao patriarca o território também estava ocupado. Mas o povo de Israel tomou posse da terra!

E hoje, como está nosso relacionamento com D-us? Qual o grau de cumplicidade? D-us passou de amigo a um ser distante?  Uma incógnita?  Inacessível? 

Qual a sua preocupação com a vontade Dele para com a sua vida? Você consegue ouvir D-us falar?  O que falta?  Tempo? As preocupações da vida sufocam a Palavra de D-us no dia a dia? 

Poderia continuar citando inúmeras desculpas para justificar nosso comportamento em relação a D-us. Mas acho que você já entendeu!


Marion Vaz

 

 

 

 

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