sábado, 15 de junho de 2013

A Nova Fé


Evangélicos ocuparam o gramado próximo ao Congresso Nacional


Entramos num novo ciclo de mudanças. Os valores de uma sociedade se renovam. Novas leis implantam novos costumes. E a fé acompanha as mudanças no dia a dia da Sociedade.

Parece até que estou falando uma heresia, pois segundo alguns teólogos a fé permanece intacta diante das transformações culturais e filosóficas. Mas não estamos falando da essência da fé em D-us, mas no comportamento dos fieis em defesa de sua crença e de seus valores.

A manifestação cristã que ocorreu no início do mês em Brasília agregou uma multidão de fieis. Eles reivindicavam respeito aos valores bíblicos inerentes a religiosidade.

Ao defenderem manifestações homoafetivas, a liberação do aborto, o desrespeito a liberdade de expressão, governantes e seus ministérios entraram em conflito com a Igreja Evangélica.

Assim, pastores, deputados e vereadores cristãos se puseram em marcha contra esse poder abusivo. A manifestação em Brasília contou com o apoio de vários empresários, cantores e uma multidão de fieis que gritaram bem alto: “O povo de D-us unido jamais será vencido!”

A palavra de um dos pastores também surtiu efeito no povo que aplaudia e gritava a pleno pulmões repetindo frases ao seu comando.
 

O que nos leva ao título desse artigo: A nova fé. Não que a “velha fé” seja desmerecida, pois os “antigos” lutaram por seus ideais e também venceram “reinos”. Mas hoje estamos diante de uma nova e desafiadora forma de exercer a fé, que não é mais um simples ato do coração, subjugada, reprimida pelas adversidades da vida na esperança de uma redenção vindoura. Não!

A nova fé argumenta, questiona, define, marca presença no espaço físico das cidades. O que não é de todo ruim. A Palavra de D-us mostra como personagens bíblicos se destacaram no mundo antigo, foram respeitados e proclamaram  a crença no D-us único.

Mas hoje, após ver a apresentação da manifestação em Brasília, me veio um pensamento: Não seria também o caso do homem estar redefinindo o seu status de centro do universo? As imagens mostravam cenas que vem se tornando cotidiana: Homens de D-us batendo no peito, gritando ao microfone, citando nomes e títulos sem qualquer reverência, aplaudidos pelo povo que delira com suas palavras.

Em seus discursos notam-se pontos fortes que exaltavam as verdades bíblicas que por gerações influenciaram pessoas no caminho da fé e da comunhão com D-us. O povo presente nesta manifestação em Brasília foi testemunha da “luta” pela liberdade de expressão e pela solidez da Igreja do Senhor.

Apesar disto, confesso, fico inclinada a pensar que uma figura pública que consegue exercer tanta influência numa grande parcela da população corre o risco de se tornar um alvo. Por isso, a cautela deveria ser uma preocupação. O que me pareceu visível em alguns rostos. No entanto,  o próprio pregador, como é de seu feitio, deixou-se levar pela emoção e pelo destemperado momento e falou abertamente o que realmente pensava sobre alguns assuntos.  

A nova fé alimenta esse conglomerado de ideias, sentimentos e decisões (algumas aleatórias), e agrega adeptos de valores variados. A nova fé se expressa com mais veemência, parece implacável em algumas situações, rotula pessoas e cresce vertiginosamente. Mas a nova fé, em minha opinião, também tem um ponto fraco se não for Cristocêntríca. Figuras humanas vêm e vão. Impérios se erguem e caem. Mas a “Palavra de D-us e que permanece para sempre”.

Em Hebreus 11.1 temos a definição da fé em sua essência:
“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam
e a certeza das coisas que não se veem”. 
Essa fé não pode ser redefinida segundo as circunstâncias, as mudanças governamentais, as inovações ou com o passar dos anos.  Porque ela está intimamente ligada a D-us, em quem confiamos, em quem esperamos, a quem amamos, independente do que acontece ao nosso redor.


Marion Vaz

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