domingo, 1 de novembro de 2015

Andando sobre as águas do mar


    
Kineret  - Mar da Galileia   

      Esta é uma das passagens bíblicas mais comentadas. O poder de Deus e sua autoridade sobre as forças da Natureza, principalmente em relação a nossa limitação humana, aparecem até mesmo nos filmes de Hollywood e produtores famosos como Steven Spielberg. Enfim, mas lá na Galileia (Mt 14.22-33), quando os discípulos lutavam para controlar a embarcação, de repente viram algo andando sobre as águas. Alguém gritou dizendo que era um fantasma, porque provavelmente nunca tinham visto algo parecido.         

      Na quarta vigília da noite, que comentaristas e teólogos afirmam ser entre três horas da madrugada e o amanhecer, os discípulos lutavam contra a força do vento. O Mestre, olhando de longe decidiu ir ao encontro deles e ouvindo os gritos de medo confortou-os afirmando que era Ele mesmo que andava sobre as águas. Pedro queria ter sua própria experiência e pediu permissão para ir até ele. Uma lição espiritual tremenda nessa parte do versículo – Pedro deixa um lugar aparentemente seguro para seguir até Jesus andando sobre as águas do mar!           

      Mas nós... Que estamos tão obcecados pela ideia de segurança, controle, estabilidade, que a nossa geração não se dispõe a sair da “zona de conforto” nem mesmo para estar mais perto de Deus, parece algo ilógico!. Existe mesmo essa diferença em relação às  gerações anteriores que saiam pelo mundo pregando a Palavra, às vezes sem qualquer tipo de remuneração. Hoje, para pregar em algum congresso, festividade, a pessoa exige transporte, estadia em hotel, retorno financeiro e a venda de material elaborado. Não que isso seja de todo errado, mas olhando tanto para o texto bíblico quanto para o passado, podemos afirmar que essa nova maneira de exercer a fé está cada vez mais “fácil”.

      Mas voltando ao texto, Pedro toma uma decisão arriscada. Andar sobre as águas não era para qualquer um. E ele logo percebeu isso ao sentir o vento forte no rosto, então teve medo e começou a afundar. Mas observe que ao pedir permissão, Jesus responde: Vem (vs 29). Não houve da parte do Mestre qualquer empecilho ao pedido de Pedro. O texto nos oferece outra lição espiritual: Deus não limita nossas atitudes quando se trata de maior relacionamento com Ele. Os demais discípulos que estavam no barco  poderiam achar que Pedro se precipitou, que sua atitude foi inconsequente. Mas ele queria estar mais perto de Jesus naquele momento de turbulência.

       No mundo de hoje, todos querem ter experiências profundas com Deus, maior comunhão, fortalecer a fé...  Mas quantos de nós tem se arriscado como Pedro fez?  Queremos que o Senhor venha ao nosso encontro, clamamos por respostas, por intervenção divina, parece que estamos no barco junto com os demais discípulos esperando que Jesus se aproxime de nós.


Passeio de barco no Mar da Galileia

          Com esse comentário não estou dizendo que você deva se desfazer de algum bem material, dar ofertas acima da sua capacidade financeira ou fazer “promessas de tolo” para se aproximar mais de Deus. Muita gente se deixa iludir por pregações, depoimentos de pessoas e outros tipos de manipulação e acaba ofertando mais do que pode. Não. O texto também não quer induzir o leitor a se aventurar a andar (literalmente) no mar.

      Esta aproximação de Deus pode ser através da oração e da leitura da Palavra. Maior comunhão e relacionamento profundo com o Senhor é algo que tem que ser trabalhado nos corações, no dia a dia, com fé e disposição de servir a Deus.




Barco da época de Jesus em exposição em Israel 


Yigal Allon Museum - Galil



Marion Vaz



Nenhum comentário:

Postar um comentário